Não Perde Por Esperar

Por Ana Paula Medeiros, Biscate Convidada*

Uma hipersensibilidade. Um resto de TPM. Um tesão descontrolado. Precisa justificativa pra acesso de tesão? Não.

A mente inquieta, o corpo ardendo, se remexendo suspeito na cadeira do escritório, o fim do expediente ainda longe. Como o amante: longe. Outra cidade, alheio ao cio que me consome.

Um email do chefe. Respondido. A boca entreaberta, a respiração um pouco mais arfante do que devia, os olhos fitam o vazio. Longe. Outra cidade. Será que dá pra notar? Dois telefonemas para resolver assuntos institucionais. Uma reunião em meia hora. Os bicos dos seios duros por baixo do vestido de verão, a boca seca, as coxas úmidas, o pensamento longe. O amante, longe.

A tensão é insuportável e há um prazer sádico em deixá-la crescer, indomável, queimando as entranhas, ocupando as frestas do dia. O riso malvado e dolorido, por dentro, fala da fúria que exige satisfação. Mas não há carícia possível para aplacá-la. Só tapa, marca, dente, unha. Grito, fogo, gozo, alívio.  O amante, longe.

Ótimo pretexto para ir à academia (sim, ir à academia demanda pretextos, é uma obrigação). Mas nesse dia vai ser bom despejar o ímpeto todo nos aparelhos, queimar o tesão junto com as calorias na aeróbica.

Exercícios de braço, halteres, a imagem no espelho. Os ombros, o colo, as veias se mexendo no pescoço ao levantar o peso. E se eu estivesse nua? É assim que ele me vê, em músculos e movimento? Pisca, sacode a cabeça, espanta o pensamento vadio, sorri. Próximo aparelho, cadeira adutora. Regula o peso nas placas. Senta. Pernas bem abertas. Respira, faz força contra as almofadas e hastes, para fechar, bem devagar. Concentra no fortalecimento dos músculos internos das coxas. Inspira. Abre de novo. Abre mais. Cada vez que eu abro, ele mete os dedos em mim, rindo com os olhos. Me provocando, o sacana. Eu mordo o canto da boca. Sinto a cabeça girar, solto o ar devagar, num gemido quase inaudível, e fecho os joelhos com força, prendendo o corpo dele entre as pernas. Abro outra vez e é um convite. Sou eu que rio agora. Vem, mete mais. Três séries de quinze repetições.

esteira_04

Chega. Melhor correr, cansar, prostrar o corpo em outra fadiga. A música alta no fone de ouvido marcando o ritmo acelerado das passadas na esteira, quase com raiva. Sem pensar, sem pensar, sem pensar, longe. Muito longe. Fora de alcance. Eu queria tanto. Hoje. Agora. Já. Não pensa, corre. Os dentes cerrados, no limite do esforço. Calor. O top encharcado, a camiseta colada por cima. O suor escorre entre os seios, pelas costas, um fio escorregando até o meio da bunda. O rosto vermelho, afogueado, o cabelo grudado na testa, na nuca. Aumenta a velocidade.

Exausta, as pernas bambas, os olhos esgazeados miram cenas de trepadas épicas, noites viradas, corpos melados, misturados, quentes, feitos do avesso. Bocas, línguas, pernas, mãos. Em séries. Muitas repetições. O coração bombeia o sangue com a força e o ritmo com que ele enfia em mim, eu aperto o apoio da esteira com força, fecho os olhos por um momento, epa, assim eu perco o equilíbrio. Respira, acorda, diminui a velocidade, os batimentos, aos poucos. Que merda. A ideia toda do exercício era gastar o fogo no rabo, sublimar o desejo. Não parece ter funcionado.

Início da noite. Está abafado e troveja. Podia cair uma chuva daquelas, grossa e quente, e eu caminharia feliz, a pele chicoteada pelos pingos, antecipando o prazer do chuveiro que me espera em casa, com algum alívio finalmente, solitário, sob a ducha. O amante, longe. Ele não perde por esperar.

AnaPaulaPBiscate

*Ana Paula Medeiros é mais amante do que esportista, mais flamenguista do que arquiteta, mais feminista do que parece, mais inquieta do que seria sensato. Se deixa doer quando dói a saudade, se deixa chorar quando as lágrimas pedem para sair, ri de si e do mundo e do estado das coisas no mais das vezes. Perguntada tarde da noite, quem sabe depois de muitas cervejas, ela ousaria dizer que talvez seja feliz.

Para tudo e um jeito

Estou aqui a matutar trepadas…

corpo

Jeitos e jeitos de encontrar um jeito de te pegar de jeito. Na verdade, nos pegarmos. Pegarmos, de jeito, no jeito, leito, sem pudores, com suores, gozos, labaredas e dedos. E línguas. E falo e vulva, e pau e buceta, e caralho e xoxota e qualquer canção que trate de dois – ou mais, por que não? – corpos se fodendo. Estou aqui a imaginar que quando abres estas páginas de blogue não pensas o mesmo e já tira minha roupa, já chupa meu talo, já pensa barbaridades que só quem trepa é capaz de pensar. De cu, de lambida, de salto alto, de chicote, serpentina, de quatro, de papai e de mamãe, de sabão, de vaselina, de sessenta e noves vezes dez e que mais de cálculo e meto, enfio, tiro, ponho, retiro, recebo, levo, passo o cheque e bota e camisola de oncinha e sei lá mais qual linha… que eu tô mesmo é tarado e pensando num jeito. Num jeito… que jeito?

Mas aí a gente se encontra no mundo, de roupa, de tecidos, de teias emaranhadas, de vizinhos, de opiniões alheias, de o que vão pensar de mim, e tem que fingir que não estamos pensando num jeito – e é assim que eu percebo: Gabo tinha razão e cada um vem ao mundo com suas trepadas contadas e a gente perde um montão delas pelas simples razão que insistimos nesse negócio de sexo sagrado, é amor, é sei lá namoro, casamento, teto, afeto. É jeito, desconfio. E volto aqui a matutar trepadas, inventar argumentos para um filme de foda, sonhando com um enredo que ao cabo acabe com uma transa, um nexo, um amplexo, um ósculo sem fim de boca a boca, de lábio a lábios, de fio a pavio terra e tudo.

Então, imagino é um jeito de um jeito que quando acabares este texto tu esteja – no mínimo – molhada e dê…

Um jeito… um jeitinho… um tesão.

O amor

O amor que me alcança tem o cheiro dos meus cuidados em ti. Te amo, me preocupo, sou teu escudo, quero que nenhum mal chegue enquanto estiver perto. Te pego, te apanho, te desconstruo. Te costuro, emendo, cuspo e mordo. Te arrebato. Me arrebatas. Nas palavras, na cama, na nossa cama, no nosso encontro. Te sinto todo, inteiro, teso, durmo junto contigo e faço teu café. Te amo por nadinha, por coisa nenhuma. O meu amor é uma velha e boa conversa fiada de porta de esquina. Mas é verdadeiro, viu? Porque não valemos nada juntos, a não ser essa matéria feita à base de ilhas e mares que construímos tortamente. Te dou tudo que tenho, possuo só o coração, esse gerente do mal que me incita a viver beijando o chão que pisas. Pra ti, te trago flores, te acordo com beijos e carícias danadas, daquelas que você gosta e calado, se permite e se entrega as minhas mãos cheias de coragem, finitude e gozo. Pra ti, Exu meu, eu cozinho, rebolo, amasso pães, invento histórias e faço cafunés matadores na tua cabeça. Mesmo que de ti se façam dois, sou eu, pequenininha, que te ponho no teu melhor lugar (dentro de mim). Só queria dizer que habitas por entre a sombra e o destino. Não sei de onde vens. Te observo furtivamente (ou não), pois não sei quem és. Porque secretamente, me enganas e finges (e sim, eu sei da presença invisível dessas coisas doloridas). Mas olha, se te dou amor, é porque em mim tem forças que vem de dentro do rio e do mar. E gente do meu trato, feita de barro pelo amor, sempre sobrevive. Dá o que tem, ama no possível e segue em frente. Acende o cigarro, toma um gole, vira o copo e respira fundo. Porque sabe que o amor, esse território imenso, nasce e morre um sem-número de vezes dentro do peito. E gosta.

O Exu Tranca Ruas, poderosa entidade da umbanda que também arrebata corações incautos

O Exu Tranca Ruas, poderosa entidade da umbanda que também arrebata corações incautos

Até a próxima paixão

Por Dani Damaso, Biscate Convidada

Acorda e sente o cheiro nas mãos. O banho da madrugada não apaga. Retira o cabelo do rosto, retoma as lembranças: sexo gostoso tem cheiro. Marca a pele crua e urgente. O estouro da cereja no céu da boca, o lambuzar de línguas. Epiderme tatuada pelas sensações.

Não foi a primeira e nem a última. Mas havia algo a mais naquele cheiro. Lamber, morder, chupar o sexo dá. O encontro de ontem arrepiava, fazia gargalhar, dançar pelos corredores tomados de sol.

Ah, como é insaciável o sexo dos que sentem cheiros. O suor dos que amam contidos, dos que soltam a voz, dos que buscam novos sons. Vai e vem. Sangue pincelando a entrega. Como o sal reconhece a maresia. Simbiose de odores.

A noite surge e a memória daquela troca segue até o amanhecer. Queria mais! E então coloca de lado a biscate convicta dos encontros regados a apenas sexo e amizade e busca a noite passada, do beijo avassalador, da pele aquecida, do cheiro. Aquele cheiro… Liga. Pouco ouve, fala demais, mas compreende: quero, sim!

red-wine

O dia chega. Vão a um café. Pedem vinho. Riem contidamente. Mais vinho. Gargalham. As luzes se apagam. Buscam uma dose de música noutro lugar. Dançam. Falam sobre lugares e amizades. Olham o céu e logo chove.

Com a língua escapando pelos lábios, ela sorri. Não falam mais nada. Os cheiros sufocam. Lambem olhos, fuçam nucas, trocam pernas, empurram portas, fazem barulho. A presa e o predador invertendo papeis. Mãos envoltas em corpos, cintilantes, fluídos, marcados. Encaixe, desordem, gozo.

Se lambuzam até a próxima paixão. E se cheiram mais uma vez como se fosse a última.

dani damaso*Dani Damaso é mulher da Amazônia, mãe, pisciana, jornalista, tuiteira, torcedora do Paysandú e do Botafogo, nessa ordem de prioridades. Adora olhar as ruas. É do rock e do samba, do reggae e do jazz. Curte paixões descalças e os botequins mais vagabundos. Mas na hora da alvorada, vai sempre atrás de sombra e água fresca.

Nojinho de buceta?

A origem do mundo, de Courbet www.francebleu.fr

Quem tem medo de buceta?

Certa vez, transando com um peguete novinho, pedi que me masturbasse. Até que o menino tinha habilidade, mas ficou um tanto incomodado por eu querer isso e não pedir que me penetrasse logo de cara. Daí, quando estava perto de gozar, ele parou e pediu pra eu pegar camisinhas. Como assim, brasil? Estava com paciência porque era a primeira vez que trepava com o dito cujo. Me levantei, peguei a bendita e dei pra ele (a camisinha e a buceta).

E foi tão borocoxô… Não gozei. O homem parecia uma britadeira, mete, mete, mete. Aí a paciência foi diminuindo, assim como o meu tesão, interrompido abruptamente. Pedi que parasse. Ele também não gozou. Estávamos quites. Dispensei o boy e esse, ah, esse não me come nunca mais.

Sabe por quê?

Disse que só fazia sexo oral em namoradas (e eu concluí que o boy sofria da síndrome do nojinho de bucetas). Ok, é uma escolha dele. Não vou obrigar ninguém a ter uma prática que não é a sua. Mas fico me perguntando até que ponto a negação tem a ver com essa cultura asséptica, sem pêlos, com bucetas padronizadas e jovens que se espalha como uma praga por todos os cantos. E me parece que isso é algo recente, sabe? Nas minhas memórias pregressas de sexo, todos os meus parceiros caíam de boca em mim com fome e vontade. De uns breves tempos pra cá, tive a infelicidade de me deparar com homens que simplesmente não curtem fazer isso.

Sim, não curtem chupar, mas adoram ser chupados. Que injusto, não?

Pra completar a inutilidade da noite, o boy ainda questionou se eu era hetero. Por que, né? Quem seria louca de adiar o encontro com o pau-maravilha dele? Porque, se eu fosse uma hetero de verdade, ia querer logo que metesse bem fundo. Desde quando gostar de sexo oral e de masturbação me torna lésbica? Que equação bizarra é essa? Não, infelizmente não sou lésbica. Só queria deixar registrado que muitas lésbicas amam penetração e muitas mulheres heterossexuais não gozam só com penetração. Bem didático, né?

Não existe amor mesmo nessa vida. Recuso-me a entrar nessa. E fiquei orgulhosa de deixar claro que o rapaz tinha sido um péssimo amante. Quase escorracei daqui de casa. Esse não volta mais. Vá pro inferno com seu nojinho e preconceito! Bem longe da minha cama, de preferência.

Sabe, não quero me relacionar com homens que pensam ser o falo (deles) o centro de toda a transa. Pra coisa ser boa pra mim, não rola ter tanta frescura e egoísmo. Quero mãos que me toquem profundamente, línguas que me chupem com desejo até eu gozar e sentidos que saibam reconhecer o cheiro bom da excitação do sexo. Quem não manjar disso, simplesmente, vai ser carta fora do baralho.

Se eu tenho nojinho? Não, nenhum. Tudo que curto que façam em mim, gosto de fazer também. Comigo a brincadeira tem que ser recíproca, que assim me dá mais prazer. Eu dou e como também. Caça e caçador. Tudo isso e mais um pouco. Definitivamente, não tenho mais tempo a perder em um sexo com muitas restrições e caretices. Pior é perceber quando a restrição e a caretice esconde um medo danado de uma buceta. Medo do corpo de uma mulher adulta. Medo de perder uma suposta primazia do falo. Sabem de nada, inocentes!

E um beijo pra quem sabe apreciar uma buceta. Pra quem gosta de olhar, admirar, cheirar, beijar, lamber, chupar. Foder. Com amor, carinho e muita safadeza. Afinal, como num texto que li há pouco tempo, quem ama, chupa. Querem verdade mais cristalina que essa?

Sem Coração

Existe a noite, e existe o breu.
Noite é o velado coração de Deus
Esse que por pudor não mais procuro.
Breu é quando tu te afastas ou dizes
Que viajas, e um sol de gelo
Petrifica-me a cara e desobriga-me
De fidelidade e de conjura. O desejo
Esse da carne, a mim não me faz medo.
Assim como me veio, também não me avassala.
Sabes por quê? Lutei com Aquele.
E dele também não fui lacaia.

Hilda Hilst

sou tua

Arrumei as malas vagarosamente. Você estava há horas trancado. Bati com força e gritei:

– Preciso pegar minhas coisas nessa porra desse banheiro.

– Você é uma puta sem coração – você gritou de volta. Eu ri. Você riu em ecos e abriu a porta. A primeira coisa que notei foram seus olhos vermelhos. A segunda que estava nu. De pau duro. Tinha tomado banho e senti o cheiro dos meus shampoos e de meus perfumes. Ri novamente. Cruel e cinicamente perguntei:

– Vai sentir saudades de mim, baby?

Então você me puxou com força para seus braços. Gemi quando senti seu pau entre minhas coxas. Foi como uma senha, um sinal, uma ordem para que rasgasse com força meu vestido e me deitasse no chão frio do corredor. Pensei em ódio. Mas foi doçura o que senti quando você beijou meus cabelos, meus ombros, minha boca. Meus seios. Com uma delicadeza quase sufocante tirou minha calcinha e quando ela chegou aos meus pés, foi a partir deles que começou a passar a tua língua, primeiro entre os dedos e subindo por minhas pernas, atrás dos joelhos, no meio das minhas coxas. Quando sua boca chegou na minha boceta você interrompeu o óbvio, abriu minhas pernas e colocou-se sentado entre elas. Me olhou nos olhos enquanto enfiava um dedo em mim.

– Eu quero que você goze na minha mão.

Com mais força, enfiou. Dois. Três. Novamente. Rapidamente. Obedeci e gozei, molhando suas mãos e dedos. Você espalhou líquidos em minha barriga para logo depois lamber-me. Ainda sentado, aquela inclinação sedutora da cabeça. Com que urgência eu lhe quis naquele momento. Então cavalguei, colocando suas mãos nos meus quadris, pedindo para me puxar em direção ao seu pau.

– Goza, sua puta sem coração – sua ordem.

Obedeci e gozei novamente. Fiquei de quatro, joelhos no chão duro, cara virada para olhar e pedir:

– Come minha bunda. Enfia seu pau no meu rabo agora.

Você, com força, zelo, tesão e todas as nossas perdas, história e saudades futuras, me fez gritar:

– Mais, mais, mais, me fode, me fode, porra. Mais. Assim, assim, assim….

Suplicar:

– Bate, bate com força, mais, mais, mais… mais… come gostoso meu cu.

Declarar:

– Eu vou gozar. Eu estou go….zan…do, caralho. Agora… a…go…ra… a…go…ra…

E você gozou junto comigo. Fora de mim.

– Puta sem coração – sua voz ainda uma última vez enquanto amorosamente espalhava seu gozo em minhas costas.

Puta sem coração. Fui embora sem olhar para trás. E nunca mais voltei.

Quando

por Bianca Cardoso*, Biscate Convidada

01

Quando acordo e te vejo de costas, ali dormindo nesse nosso colchão no chão, dá vontade de desenhar nas suas costas com a língua. Sobe um desejo de abraçar teus ombros e te acordar com mordidas na orelha. Você de costas é um convite para sentir teu coração no peito. Te puxar de barriga para cima e me aninhar por algum tempo, corpos roçando, pernas e pêlos misturados, me encaixar no teu morno e pensar que às vezes mentiras podem ser verdades por alguns minutos.

Quando acordo e te vejo de barriga para cima, você sabe que não resisto a subir em você, começar a beija-la do umbigo até o queixo e de volta até a buceta. Sempre tenho mania de te acordar, porque você sorri ao me ver ali querendo mais. Agora tenho você, nessa casa vazia, com o tempo que temos para sermos duas. Dali a pouco sei que tudo vai acabar, mas agora só meu corpo nu, pedindo você.

Somos nós aqui outra vez, você disse. Porque é mesmo improvável esse nós, porque apesar de nos beijarmos tanto e dormirmos tão bem juntas, amanhã é outro dia e não há nós todos os dias, nossos dias correm ao sabor da água salgada que corrói as cordas.

Sempre preferi as manhãs para transar, porque assim o resto do dia fica mais tranqüilo, porque saio com o sol no rosto e nosso cheiro ainda grudado no meu corpo. É quando gozo no seu ouvido, quando você enfia seus dedos bem fundo e eu dou aquela paradinha sem ar com o rosto entre seus seios. É quando nossos corpos caem suados e entorpecidos. É aí que eu te beijo com mais desejo e cumplicidade. Sempre estamos juntas aí.

10478212_885847744762498_1294414712196997681_n*Bia Cardoso teve uma curta carreira de escritora erótica entre 2005 – 2007. Esse texto é dessa época, quando ela ainda nem pensava no gozo de hoje. É autora do Groselha News e pode ser encontrada no twitter como@srtabia.

Rabo

Uma coisa que ela gosta: o cheiro na cama. Nos lençóis remexidos pelo sexo que se dorme a seguir. Odor do esperma. Do liquido morno que saiu da sua buceta em gozo. Suor, suor, suor. Saliva. Enfia o nariz, inspira a lembrança, exala desejo. Seu corpo vai acordando. Querendo. Ela se mexe e sente o corpo dele encostado em suas costas, o respirar compassado, a mão descansando embaixo de um seio. Ri um pouco, ele só com a camiseta do pijama, ela mesma nua. E tantos lençóis. Depois da cama, o mundo, o frio, o dia. Mas ainda não. Agora não. Agora ela esfrega a bunda nele. Roça, roça e sente. O pau lateja. Bom. De novo. Ele resmunga. Ela empurra a mão dele pelo corpo até que chegue entre suas coxas. Dedos entrelaçados brincam com seus pelos, separam os lábios, enfiam-se no úmido. Um gemido, ela não está bem certa de quem. Mexe o corpo pra facilitar o acesso. Mais fundo. Mais molhada. Os dedos, mais despertos que o resto dele, brincam. Passeiam. Tocam. Esfregam. Ritmo. A outra mão, como ignorante do que a direita faz, belisca os mamilos que alcança. Ela estende os braços sobre sua cabeça e puxa a dele pra si. Me lambe. Me morde. Ele lambe, do ombro ao pescoço. Morde a orelha. Volta ao pescoço alternando beijos, mordidas e pequenos sopros. Ela empina a bunda contra o pau duro enquanto impulsiona o tronco pra frente. Ele aproveita pra chupar, firme, suas costas. Ela sente tudo, o roçar áspero nos seios, a língua provando a pele, o pau pressionando o rabo, os dedos no vai e vem, dentro, mais, forte, sim, sim, sim. Pequenos estremecimentos. Ela arqueja, respira pela boca, os olhos mais abertos, o corpo mais mole, a buceta em pequenos espasmos. Prazer. Não há dúvida, agora, que estão acordados. Excitados. Ela sente o corpo entre a satisfação e a fome. Mais? Mais. Em um movimento ao mesmo tempo íntimo e brincalhão, ele enfia os dedos mais fundo e depois os retira, devagar, esfregando o molhado da buceta ao cu. Ela aproveita a posição do corpo, pernas entrelaçadas, quadris se esfregando e troncos distantes pra inclinar-se ainda mais em direção à gaveta da mesinha de cabeceira. Camisinhas, camisinhas, ela sussurra, eles riem, creme também – ele diz. A voz, as palavras, os sentidos implícitos, tesão, tesão, tesão. Ela pega a camisinha, não rasgue com os dentes, ela sempre se diz, mesmo que esteja com pressa, com vontade, ah, que vontade de ser enrabada. Agora é a intimidade construída e repetida feito movimento, camisinha que colocam juntos, o creme com que ele a prepara, as mãos levantando as nádegas, afastando, devagar – ele diz, sim, devagar – ela concorda, mas empurra o corpo em direção ao dele. Ele geme, o pau ocupando os espaços apertados que se moldam conforme o avanço. É quase dor, só não sabem de quem. Sabem tão pouco naquele momento. Quase não sabem a música que começa, repentina, no rádio despertador. Quase não sabem os ruídos abafados de alguém acordando no apartamento superior. Quase não sabem o sol sem calor que atravessa as cortinas. Quase não sabem os lençóis em desalinho já desnecessários. Sabem o gosto de pele, sabem os sons dos gemidos, sabem pedaços do outro entrevistos nos movimentos. Sabem em mãos que puxam, empurram, exploram, apertam, esfregam. Sabem em ritmo, suor, sons dos corpos que se atritam e se encaixam. Sabem em tesão no pau que lateja no ir e vir de ocupar o rabo e no rabo que se abre em aceitações. Ele para. Respira mais fundo. Ela geme um pequeno protesto, ele volta a deslizar as mãos sem rumo pelo corpo dela. Ela suspira. E se mexe. Mais. Assim eu vou gozar, é ele que protesta, como quem gosta. Ela firma as pernas segurando as dele, move o braço pra trás e crava as unhas na bunda dele, faz do corpo um arco, onde os pontos de encontro são o quadril e o pescoço – que ele suga já meio fora de ritmo. Eu te sinto. Duro. Dentro. Assim? Assim? Sim, sim. Vem forte. Vem mais. Goza. Goza. Goza. Gozam.

rabo

Reticências, cachecol e morte

Está lá, na marca dos dentes. Uma marca funda, um roxo. Um chupão. Meu pescoço. Tive que usar cachecol. Não devia. Não só pelo calor. A gente não devia esconder essas marcas… Lá naquela mordida fomos, estivemos, nascemos. E morremos. A gente anda com receio deste ser, estar, nascer… morrer.

la_petite_mort_by_nami86-d5r5jnx

Sempre tem um texto que compara o orgasmo a uma “pequena morte”. Naqueles doze segundos, ou treze, catorze ou onze, que antecedem tua morte eu gosto de notar aquele ar rarefeito, aquele instante onde pelos improváveis se eriçam. Aliás, gosto dos sinônimos de eriçar… arrepiar, hirto. Ereto, como as pontas hirtas dos sexos, meu e teu. Gosto de notar teu bigode suado, buço. Me lembram hormônios, calores, sabores. Não deviam deixar que os amantes tivessem que correr, nunca. Aquele abraço com cheiro de sexo e a eternidade combinam tão bem, como engate, encaixe, língua, toque, dedo, falo, vulva, cu e heresias múltiplas.

 images

Tem isso, também, que acho próprio. Estas heresias nos deixam humanos, com fome, sede e saudades. E não é que são os hereges que são mortais, queimam em fogueiras e em desejos, que tem começo, meio e fim? Os deuses e os perfeitos é que são eternos, missas, notícias no caderno fúnebre com epopeias para narrar em condolências. Outros serão lembrados por mais um trago, por mais um gosto, por mais uma foda. Morrer é deixar de foder…

Não devia ter usado o cachecol, definitivamente. Ou devia ter ficado nu o dia todo. O vizinho ia estranhar, o porteiro ia ouvir reclamação e esculhambação, o chefe ia estranhar e o  fiscal da vida, lá no coletivo, ia cochichar que impurezas assim degastam o mundo. Até porque, hoje de manhã, você foi embora. Deixou só um perfume diferente no sabonete. Morreu, também.

Talvez haja outro recomeço, outro nascimento, outro chupão, outra pequena morte. Mas hoje, hoje, eu não devia ter disfarçado nada. Esse maldito cachecol……..

E uns infinitos de reticências.

Pequenos prazeres: a barba

Essa quinzena, nas entrelinhas, tem gemidos baixinhos, suspiros, um tanto de saliva, arrepio na pele, sorriso largo, memórias e desejos. Vem com a gente, conhecer nossos pequenos prazeres biscates…

#PequenosPrazeres

A barba é um dengo. Gosto dela rala, farta, média, comprida, cerrada, aparada ou não. De todo o jeito. Barba selvagem, meio bagunçada, barba até imberbe, feita sob medida para que as mãos possam se perder em afagos e carinhos.

A barba excita. Dá cartaz. Arranha os lábios quando beija. E é tão gostoso… Tem o poder de invocar cheiros e delícias quando resolve passear lá. Lá embaixo. Naquele lugar. Úmido. E todo o tesão recomeça num beijo que retorna cheio de fluidos, salivas e línguas.

Perdição define esse momento.

Johny Hendricks, lutador do UFC, com essa dobradinha matadora: barba e óculos...

Johny Hendricks, lutador do UFC, com essa dobradinha matadora: barba e óculos…

A barba, mes amis, é muito mais que a simples presença de pêlos no rosto. Ela é capaz de pintar cenários de erotismo, projetar sacanagens e sugerir trepadas inesquecíveis. Gente com barba é gente que promete deleite na pele e arrepios no pescoço.

E acho que ainda não inventaram nada melhor pra conservar o cheiro lascivo do sexo que os pêlos. Faciais ou não.

Ouso dizer que a barba tem até o poder de curar todas as feridas narcísicas da alma.

A barba é quase um sex shop. Propaganda de sexo bom e safado 24 horas por dia. Tara (minha) pura?

A barba é uma posição político-ideológica. De esquerda, que dá mais charme. Denota uma suposta ausência de frescura, coisa muitíssimo bem-vinda nesses tempos assépticos e de corpos infantilizados. Saudade dos tempos mais peludos e menos ditatoriais (para todxs).

Apenas sigam esse conselho

Apenas sigam esse conselho

O que circula por aí é a mais absoluta verdade: faça amor, não faça a barba. Porque ela é  uma preliminar ambulante. Um chamego a mais. Um cheiro que se pede.

E eu só posso assinar embaixo. Lá embaixo, de preferência…

Pequenos Prazeres: 69

Essa quinzena, nas entrelinhas, tem gemidos baixinhos, suspiros, um tanto de saliva, arrepio na pele, sorriso largo, memórias e desejos. Vem com a gente, conhecer nossos pequenos prazeres biscates

#PequenosPrazeres

Por Larissa Santiago*, Biscate Convidada.

Ah, não gosto não. Na verdade eu não me concentro!
Precisa tá tudo depilado porque se não, nem vem.

panoramio Não estranho, essa prática é pouco relatada e mencionada com amor.

Quando excitadamente relato os “cases de sucesso”, as pessoas se impressionam e até pedem as lições aprendidas de como encarar o 69 com mais naturalidade.

Na minha lista de posições, ele está no topo! Swingado, sincronizado é o que há quando há cumplicidade, disposição e habilidade.

Aliás, disposição é preciso. Envergonhar-se não é preciso.

Uma mistura perfeita de chupar e ser chupado, ter e dar prazer alcançando os recônditos lugares erógenos.

Sempre que possível é bom tentar e experimentar, se dar essa liberdade [sou suspeita pra falar]. E logo perceberás que 69 se tornará uma paixão, um assessório essencial, uma posição que não poderá faltar.

Mas elx não quer nem tentar!
Parei tudo e deixei só a outra pessoa…

Sem tentar, realmente fica difícil: você só sabe que não gosta de chá verde até tomar chá verde, correto? Não significa que obrigar a pessoa a fazer o que ela não quer só pra provar que ela pode gostar é o caminho da salvação – obrigação e sexo nem combinam. Uma boa conversa e uma tentativa consentida garantem o primeiro passo.

Sobre parar, ahhhhh, essa é uma constante até para os mais experientes e amantes do 69. Aquele momento em que você respira fundo, olha pro teto e começa tudo de novo: faz parte do show!

69 é um pequeno grande prazer daqueles difíceis de se ter, mas quando se consegue, inesquecíveis.

69 devia ser instituído o pequeno grande prazer na lista das deusas do prazer na cama.

69 para todxs.

larissa*Larissa Santiago é baiana e publicitária.

Pequenos prazeres biscates: música

Essa quinzena, nas entrelinhas, tem gemidos baixinhos, suspiros, um tanto de saliva, arrepio na pele, sorriso largo, memórias e desejos. Vem com a gente, conhecer nossos pequenos prazeres biscates…

#PequenosPrazeres

música

Cerveja de trigo, petiscos, o gato dormindo no puff ao lado da mesa. Música. E a iluminação perfeita do seu apartamento, que deixa a sua barba ainda mais ruiva. E linda…

Tiro seus óculos. Você solta o meu cabelo curtíssimo, mas que insisto em prender. Eu já te disse que seu beijo é uma delícia e que eu poderia passar uma, duas, dez noites inteiras só sentindo o sabor dele? É. Seu beijo é quase uma transa, meus parabéns!

“Preparei uma coisinha pra nós”.

Não lembro de ter te contado quais eram minhas bandas favoritas. Mas você acertou em cheio nessa playlist: tem TUDO que amo nela. E que gostoso é dançar bem pertinho, sentindo a sua respiração e o calor do seu corpo. Corpos que, molhados, se misturam ao ritmo da música, numa dança que dura até o nascer do sol, quase sem pausa…

Encosto minha cabeça no seu peito sardento e adormeço com o gostoso cafuné que você me dá. Obrigada pelo fim de semana incrível que, a cada shuffle, me trará deliciosas lembranças…

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...