Entreveros, ou você tem que vir pegar

To nessas fases da vida em que escutar Cher é dos meus melhores momentos de sabedoria… Porque, claro, a maior Diva Internacional viva tem algo a nos ensinar (tudo bem que, em geral, ouço Bethânia, mas esse momento eu to mais pra Cher). Pois é, toca a música aí abaixo e vem comigo!

 

Não sei se isso são bem preguiças de férias… ou se são somente preguiças, mas to na fase do “tem que vir pegar”, ou “me pegar”, ao gosto do freguês. Não se trata de uma revolta com a vida, ou um recado (afinal, em geral, se Maomé não vai até a montanha, a montanha fica na internet postando indireta), mas sim de um completo e total estado de preguiça. Afinal, como diz nossa querida Cher, “but if you want my heart, you gotta take it like a man”.

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Pois é… é preguiça. Preguiça dos “entreveros”: do muito esforço por nada, dos excessos de esforços alheios, de ser alvo quando quero ser seta… Pegar é uma arte que tem que ser dominada por todos os lados envolvidos, sem qualquer exceção… Esforços são válidos, mas quando eles partem de um único lado causam isso, essa profunda e completa sensação de “não sei”, que eu prefiro chamar de preguiça… só pra não ter que explicar muito…

Por isso, em alguns momentos, o essencial é deixar estar… ver o quanto o outro suporta esperar e o quanto e de que forma o outro vai vir te pegar… E, assim, ver as atitudes tomarem forma para além de palavras, de meros gestos, de promessas – se é que essas promessas, de fato, existem ou são simples frutos podres da nossa imaginação… No fim, não ser o motor de um futuro entrevero… ter, simplesmente, preguiça por um pequeno período de tempo…

E, depois dessa fase Balú, aquele urso fofo e rabugento amigo-pai do Mogli-Menino-Lobo, de saber que “Necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais”. Depois da pegada, passar para a fase Preta Gil e “não ter preguiça, não”! Mas isso é pra outro post.

Das preguiças: Cativar por quê?

Meu problema hoje talvez não seja um problema biscate, talvez seja. Ou, vai ver, seja um apenas reflexo. Cativar…

De uma maneira geral, eu quero que Saint-Exupéry vá à merda… Isso mesmo! Esse negócio de responsabilidade ETERNA pelas pessoas que cativamos… Que merda é essa? Não tomo conta nem da minha vida direito, vou ter que cuidar daquilo que plantei em quem está longe; ou perto e afastado; ou perto e não quero ver; ou longe e quero esquecer; ou não está?!? E eu? Sim, essa é a pergunta! Quem é que quer saber se os meus grilhões estão postos? Pois é… só eu…

- Cativas? - Não, brigado

– Cativar?
– Não, brigado.

 

Desculpe se cativei… Sim, se criei um cativeiro sentimental, fraterno, amoroso, ou sexual… a culpa é sua! Não, não foi minha intenção, ou foi, mas agora já passou… Sério, não andou… não me quis, não queremos, ou não queremos mais, acabou antes de começar. Ou começou, rendeu e agora decidi que acaba… Sim, decidi. Porque a escolha, agora, é só minha… quando foi nossa, não rendeu, faltou liga, cola e todos aqueles clichês das histórias de tias velhas, novas e que ainda vão nascer.

Platonismo não me serve, querer “longe, de mim distante” pensando “onde irá seu pensamento” não cabe no meu Eu disponível… Minha pegada pragmática, empirista, não consegue esperar ausência, nem presença frouxa. Me cativar vai muito além de me colocar em uma paixão louca, em uma amizade efusiva, em uma chave de pernas… Me cativar é saber me entender e ter a disposição de me aturar. Não, não sou o ser que pede 100% de atenção. Aliás, primeiro passo fora da minha realidade…

Melhor dica? Pra me encantar? Não se esforce… É, é sério, minha veia biscate não aguenta esforço. Nasceu na preguiça do dia a dia e contra ele morrerá! Situações criadas, vontades arranjadas, expressões colocadas como algo a se louvar, não aturo… Gosto do que gosto e é à primeira vista, do primeiro jeito, num primeiro julgamento… Minha “análise” sempre mostra que é assim, ou a regra e três se encarrega do resto… portanto, não se esforce… Jamais tente ser comigo uma linha daquilo que não foi antes, com a mesma força daquilo que foi antes…

Exato! Se começou brusco, é para terminar brusco, se começou brando, assim vai terminar… Síndrome de Gabriela? Talvez, mas por um tempo curto… Quando quero mudança, ela é conversada… Sim, relacionamento se muda pelos dois lados. Palavras? Quem sabe?! Mas que razão de ter saído alguma coisa para além daquele primeiro olhar foi que palavras não eram necessárias, muito menos atitudes, ou falta delas… Isso mesmo, sou difícil. É na minha dificuldade, insensatez, tacanhice que construo tudo que não quero, e tudo que decido que fará parte de mim… O que quero? Olhares me mostram, por muito ou pouco tempo… e meu olhar também demonstra… o resto é preguiça.

Sim, preguiça. Porque acho chato sentir compaixão, acho demais sentir pena e insisto em não guardar rancor, raiva, ou qualquer outra coisa que crie amarras… Há muito decidi me libertar disso… Também não guardo alegrias não cultivo paixões e não carrego amores… vivo-os, assim na malemolência mambembe do simples querer. E é por isso que não quero saber de cativos… quero livres… livres para vir e ficar, para vir e partir, nunca e a toda hora, seriamente ou na brincadeira, nunca na mente ou premente, só vigente. Só espero que nossos olhos digam e que nossas cabeças acenem… é simples! Um “venha cá” ou “adeus” são bem fáceis de entender… Só não cative nenhuma parte disso. Esteja e seja comigo enquanto quisermos e é só… Não quero na minha saudade mais uma prisão!

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