Quanto tempo é necessário para sentir-se feliz?

Há vários aspectos que podem fazer com que a gente fique feliz. Pode ser um objetivo alcançado, a resolução de um conflito, estar em algum lugar gostoso, divertir-se com os amigos ou com a família, brincando com um bichinho, tomando sorvete… Mas, e aí? Você costuma cronometrar quanto tempo leva para que essas coisas tornem-se boas? Existe um timing para isso?

Pois é, gente. Aposto que a resposta de muit@s de vocês tenha sido um sonoro NÃO. Ninguém, pelo menos que eu tenha conhecido, parou para pensar de onde vem tanta felicidade. Ou se questionado por que algumas situações nos trazem tanto prazer. Contudo, a gente faz exatamente isso quando conhece alguém interessante. A gente as vezes (para não dizer sempre) se policia demais em relação ao que este alguém nos provoca. Fica impressionad@ como em tão pouco tempo, tal pessoa consegue mostrar – se tão incrivelmente irresistível…

Eu digo isso abertamente p0r aqui porque já fui assim. E na minha opinião, encantar-se abobadamente por alguém em pouco tempo era superficial e idiota. Era algo que não merecia a minha atenção, porque da mesma forma que veio, iria. Bem rapidão. O que eu não imaginava é que, assim como para quase tudo na nossa existência, há uma série de variáveis que podem fazer com que isso valha muito a pena. Tentar viver mais  e com mais serenidade o presente, por exemplo, é uma delas.

Em pensar que eu acreditei com tanta força que não viveria isso denovo… Por um tempão.

Não acho que a gente não deva mais pensar no futuro. Só que o agora, o hoje, o presente pode se mostrar delicioso e muito digno de ser aproveitado. Não existe um tempo ideal de felicidade. Duas semanas, por exemplo, podem nos tirar o chão. Podem nos fazer um bem enorme. Dá para viver isso sem cobranças. Sem culpas e sem expectativas destrutivas e frustrantes, sobretudo se estas forem em relação ao outro.

Eis aqui uma biscate encantadinha. E que está aproveitando a sua felicidade e tudo que ela tem a oferecer naturalmente. Sem cronômetro.  🙂

Poeminha Sem Regra

Presente de mesversário que recebemos do Fernando Amaral*

Dizem que não posso isso, não posso aquilo nem aquilo outro
Porque fica feio neste mundo de doutor uma mocinha ser assim
É que ser dona do rabo e do próprio nariz é coisa de quenga, de moça solta, de rua.
Dizem que tenho que cor de rosa, lacinho, sapatinho e revista de TV.
Porque neste mundão de deus é assim que funciona e que tenho que casar.
É que ser dona do próprio rabo e do nariz é desculpa de mal humorada ou mal comida.
Dizem que tenho que parir, ser companheira na alegria e na tristeza
Porque assim a família, a sociedade, a tradição, o bem, a bíblia e o sonho de toda princesa
Porque assim, neste mundo que é mesmo assim, adianta mais é se conformar.
É que ventre, coxa, bunda e seio é tudo que tenho que saber, exceto o próprio nariz.
E sabe o que eu digo?
Que gosto de rua e de chamego.
Que posso ser quenga, freira, motorista, feirante, presidenta, guitarrista, poetisa, planadora, balconista, bolsista, pá e da pá, virada.
Que casaria de rosa, laço e sapato ou pelada, de chinelas e porcelana.
Que nem casaria.
Que acredito em deuses, paridos por deusas.
Que quero ser mãe e não quero.
Na alegria e na tristeza, posso também ser companheira.
Porque no meu mundo é assim: ventre, coxa, bunda, seio. Mas boca, ouvido, olhos, gengiva, vulva, pés e até soco no estômago. E o nariz… o nariz é meu. E o rabo.
Dengo. Tango. Choro. Grito. Vomito. Esperneio. Chuto. Xingo. Trepo. Não trepo. E sambo.
Porque assim, neste mundo, é assim mesmo: Vocês que se conformem.

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*Fernando Amaral é um advogado paulista de rara sensibilidade. Se define como alguém que gosta de ler e escrever e é pai de dois caras supimpas. Torcedor do São Paulo, gosta de papo, chope, torresmo, listas, cinema, Chico Buarque, Deep Purple, Jamelão, Charlie Parker e mais um tantão de coisa. Conheça seu blog e o acompanhe no tuíter @Quodores.

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