Uma gaiola e um passado nem tão distante

If you were a king up there on your throne
Would you be wise enough to let me go?
For this queen you think you own

Wants to be a hunter again
I want to see the world alone again
To take a chance on life again
So let me go

Ela acreditou que, talvez, o erro estivesse na escolha, homens mais novos eram dependentes. Então, após um término doloroso, ela decidiu tentar a sorte com um homem mais velho, um cara que aparentava ser carinhoso, doce, que faria tudo para ela se sentir feliz e mimada.

“Ele é mais velho, já é pai, não vai pressionar para ter um compromisso, filhxs, nada disso.” pensava ela. “Ele já viveu coisas ruins, tem uma bagagem maior, sabe que nada dura para sempre.” foi seu primeiro julgamento desse relacionamento.

E realmente ele era um cara com uma certa gentileza e cuidado, uma gentileza sufocante, um cuidado que a escravizava a cada “preocupação”. Ela acordava e tudo já estava pronto, ele preparava café, se ela pedisse, até passava suas roupas. Também queria pagar a conta, o táxi, queria saber onde ela tava.gaiola

Sua vida era recheada de decepções amorosas, mas ele acreditava piamente no amor eterno, no “para sempre”. Acreditava também que ela deveria nem se preocupar com camisinha, afinal, ele cerceava sua vida, não a deixava viver, e ele vivia para ela e por ela, que não tinha a possibilidade de acontecer traições. Falando em traições, quer traição maior que prender um passarinho numa gaiola? Mesmo com a porta aberta, alguns não saem por medo, insegurança ou simplesmente por acreditar que, mesmo ruim,é melhor isso que nada.

Ela estava em uma gaiola de porta aberta,uma gaiola feita de pressões psicológicas, onde era um absurdo ela não querer filhxs, onde a camisinha era um assunto que ele queria conversar depois de transar, sem camisinha. Cada pressão pelo uso da camisinha,ele aceitava como se fizesse um favor, afinal, não tinha necessidade usar entre eles, ele a amava de verdade. Era muito mais segurança que qualquer camisinha. E ela se sentindo cerceada, engaiolada. Querendo voar, para uma floresta onde a camisinha não seria um favor para ela, e sim parte da relação saudável de 2 adultxs. Onde não querer ter filhx não fosse uma coisa estranha, onde ela “mudaria de opinião assim que estivesse na idade certa de ser mãe….”  afinal, toda mulher quer ser mãe.

E quando ela voou e se encontrou livre do caçador, eis que, meses depois, ele se sentiu no direito de procurá-la para desejar boas festas. Quando ela o cortou, ele quis discutir relações, sendo que esse “mal entendido” nunca foi um mal entendido, foi um pesadelo. Ela tá livre, não quer ver nem de longe a gaiola!

Caminhada e ato pela libertação dos presos do albergue vivência

Lembrete aos leitor@s:

(…) Daqui, das páginas do BiscateSC, afirmo (ainda que só em meu nome) que estamos aqui sempre para colocar o bloco na rua para lutar por liberdade e democracia. […] Já não bastava a violência da polícia para enfrentar? (…)

(…) Agora, a esquerda — ou o que sobrou dela — terá que estabelecer uma pauta mínima de consenso para não deixar que um direito legítimo dos trabalhadores e uma pauta da esquerda não seja sequestrada, saqueada e transformada em mais violações de direitos humanos e opressão para os trabalhadores, negros, mulheres, LGBTs e demais minorias. (…)

……………………………………….

História:

No dia 30 de Dezembro de 2013, usuários do Albergue para a população de rua Vivência, no bairro Canindé (região central de SP) levantaram-se contra as condições precárias do local, onde há banheiros sujos, entupidos e sem água, corredores inundados, a alimentação é oferecida vencida e o local está infestado por pragas, insetos e doenças. O serviço que deveria oferecer condições minimamente dignas de vida para estas pessoas extremamente vulneráveis. No dia 01/01/2014 foi decretada a prisão preventiva de 4 dos moradores que participaram do protestos [30/12/13], Alexandro, Hudson, Vantuir e Enmanuel.

Padre Júlio Lanceloti [da pastoral de rua e militante de Direitos Humanos] - Foto: Antonio Miotto

Padre Júlio Lancelloti [da pastoral de rua e militante de Direitos Humanos] – Foto: Antonio Miotto

No final da tarde de ontem [03/01], liderados pelo Padre Júlio Lancelloti [da pastoral de rua e militante de Direitos Humanos], ativistas sociais realizaram caminhada e ato pela libertação dos presos do albergue vivência.

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