#OcupaEstudantes – Revolta das Cadeiras

Hoje, blogs, sites e colunistas estão abrindo seus espaços para que estudantes de São Paulo possam falar, usando suas próprias vozes, sobre a experiência que estão vivendo de se juntar e lutar contra o projeto de reorganização das escolas da rede pública de ensino do Estado de São Paulo. Todos os textos serão reunidos pela hashtag #OcupaEstudantes. Temos a honra de abrir espaço no Biscate Social Club para Lana Lopes do Etec Guaracy Silveira.

Revolta das cadeiras

Rendidos no chão, gritamos por nossas escolas. Encurralados pelas tropas policiais, que invadiram até o céu com seus 10 helicópteros, ocupamos as principais avenidas de São Paulo.

Nossas armas: o grito, lápis e papel. As do governo: bombas de gás lacrimogêneo, de efeito moral, balas de borracha e cassetete pra todos os lados. Contra os estudantes, Alckmin declarou guerra, com todas as letras. Sendo assim, vestindo nossas máscaras, mulheres na linha de frente, seguimos de punho cerrado, sem arrego!

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A luta secundarista ressuscita e reinventa junho de 2013, em um movimento auto organizado, mostrando total capacidade de fazer política. Reconhecemos o avanço na luta contra a reorganização, mas exigimos um real diálogo, no qual possamos debater de forma ampla e pertinente a necessária reforma no ensino.

Deixamos claro o tipo de escola que queremos e o modelo de educação que mais dialoga com a juventude. Queremos uma educação emancipadora em espaços democráticos. Esse é só o começo de uma luta que se perpetua e se nacionaliza.

Nossa força só aumenta, nosso grito se sustenta, e o governo finge que aguenta!

Autora

Lana Lopes – Etec Guaracy Silveira.

Caminhada e ato pela libertação dos presos do albergue vivência

Lembrete aos leitor@s:

(…) Daqui, das páginas do BiscateSC, afirmo (ainda que só em meu nome) que estamos aqui sempre para colocar o bloco na rua para lutar por liberdade e democracia. […] Já não bastava a violência da polícia para enfrentar? (…)

(…) Agora, a esquerda — ou o que sobrou dela — terá que estabelecer uma pauta mínima de consenso para não deixar que um direito legítimo dos trabalhadores e uma pauta da esquerda não seja sequestrada, saqueada e transformada em mais violações de direitos humanos e opressão para os trabalhadores, negros, mulheres, LGBTs e demais minorias. (…)

……………………………………….

História:

No dia 30 de Dezembro de 2013, usuários do Albergue para a população de rua Vivência, no bairro Canindé (região central de SP) levantaram-se contra as condições precárias do local, onde há banheiros sujos, entupidos e sem água, corredores inundados, a alimentação é oferecida vencida e o local está infestado por pragas, insetos e doenças. O serviço que deveria oferecer condições minimamente dignas de vida para estas pessoas extremamente vulneráveis. No dia 01/01/2014 foi decretada a prisão preventiva de 4 dos moradores que participaram do protestos [30/12/13], Alexandro, Hudson, Vantuir e Enmanuel.

Padre Júlio Lanceloti [da pastoral de rua e militante de Direitos Humanos] - Foto: Antonio Miotto

Padre Júlio Lancelloti [da pastoral de rua e militante de Direitos Humanos] – Foto: Antonio Miotto

No final da tarde de ontem [03/01], liderados pelo Padre Júlio Lancelloti [da pastoral de rua e militante de Direitos Humanos], ativistas sociais realizaram caminhada e ato pela libertação dos presos do albergue vivência.

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Leia mais também aqui.

A Laicidade do Corpo e do Estado

As bisca tudo tão meio pirada na última semana. Foi um tal de dormir e acordar em 1968, cochilar e despertar em 1939, assistir televisão de ser teletransportado para a Idade Média, que tirou a galerê dos eixos. O trem eu descarrilou, e é um trenzão que pouca gente aguentaria por aí sem KY, é o da laicidade do Corpo e do Estado.

Olha, tio Lutero, onde quer que esteja, seja sempre o meu amoNÃO, Péra! deve estar um tanto quanto descontente, ou mesmo desapontado com o que temos passado por aí. Sua grande conquista política lá pelos idos dos 1600 e alguma coisa fia a de, justamente, separar a religião da política, relegando ao estado (na figura do príncipe, gutiguti ,<3) ao gestão sobre o corpo e à religião o império sobre a alma.

Pois é, na teoria… Ou, talvez, por algum tempo até se tenha buscado afirmar isso como uma máxima da nossa sociedade. Contudo, o que se presencia nos últimos meses (e, porque não, nos últimos anos) é justamente a tentativa deliberada de rompimento com esse ponto demarcatório da modernidade.

Da Laicidade do Corpo - Imagem de Protesto em Julho de 2013

Da Laicidade do Corpo – Imagem de Protesto em Julho de 2013

Pro pessoal aí que defende que a sociedade está se liquefazendo com o aquecimento global (#BjoBauman #Ironia), até faz sentido a reunião desses diversos fatores contraditórios e característicos de “tempos de rupturas” (?). O problema, no entanto, vai além, está justamente na opressão imposta a corpos, úteros, cus, bucetas e buracos das orelhas que se entranha e provoca sofrimento à vida em particular.

Aliás, nesse processo todo, o que mais vem assustando é a falta de preocupação generalizada (de pensadores, governos, grupos organizados) com o aspecto do sofrimento que esse rompimento da frágil laicidade do estado tem provocado. Tem se tornado fácil apontar os juízos moralistas mais diversos à ~{[(“corpos antes apenas constrangidos pelo secularismo do estado”)]}~ na vontade de lhes impor o impensável.

Não que isso jamais tenha acontecido, pelo contrário. O embate entre religião e sociedade laica pelo domínio do estado permanece desde que tio Lulu jogou merda no ventilador colocando suas teses sobre religião naquela igrejinha lá da Alemanha. O grande problema que as bisca tão enfrentando atualmente vai além, é o retrocesso que está ocorrendo nesse processo de separação.

E é por isso que, de alguma forma e conforme suas possibilidades, as bisca estão marchando, estão se movimentando, estão blogando, tuitando e estão promovendo beijaços. É pelo direito de manter nosso frágil direito ao nosso corpo e de darmos nossa alma a quem quisermos, que se justifica a nossa luta. Por isso, queremos dizer: #VoltaLaicidade #SaudadeDoSeuRabo fia.

Qual a relevância de mostrar os peitos num protesto?

Por Robson Sobral*

A liberdade guiando o povo, Eugène Delacroix

É uma pergunta recorrente nesses dias após Marcha das Vadias e após Rio+20. Uma pergunta recorrente e vinda da boca de mulheres ditas modernas, independentes, bem resolvidas. E cá estou eu triste e desapontado com elas, porque ouvir isso da boca de senhoras criadas para serem donas de casa é algo muito mais simples para meus preconceitos aceitarem. E aí que preconceito se mostra, de novo, um obstáculo.

Primeiro, um tantinho de história.

Não, as feministas do anos sessenta não tiraram os sutiãs e queimaram em protesto. Elas levaram sutiãs, sapatos e artigos de beleza e jogaram no lixo no concurso de Miss America. Quiseram pôr fogo, mas foram impedidas. A mídia, essa danadinha, escolheu chamar a ocasião de bra-burning e o fogo que não pegou lá pegou em vários outros protestos feministas pelo mundo. Ainda assim, sem, até onde sei, peitos de fora. Perfeito, não? Um exemplo de protestos sem “desviar do assunto” para os peitos de quem protesta, sem se rebaixar.

Nessa história de desviar do assunto, o exemplo mais usado é o do FEMEN, principalmente por quem não associa o nome aos peitos. FEMEN é o grupo de ativistas ucranianas que geralmente usa o topless como ferramenta. “Ninguém sabe pelo que elas protestam, mas vão lá ver os peitos”, diz a menina moderna e descolada (e algumas mulheres mais adultas também). Da última vez em que li a respeito, protestavam contra o preço do gás russo vendido para a Ucrânia. Confesso que o que me chamou atenção para ler a respeito foram os peitos. Invalidou seu protesto? Primeiro, de que a minha opinião vale em relação ao gás na Ucrânia? Eu nem sei achar com precisão a Ucrânia no mapa. Está ali, naquele quebra-cabeça chamado um dia de URSS, em algum lugar. Mas elas falaram e falam cada vez mais e os seus peitos de fora fizeram-nas serem ouvidas. Não ligo para onde será sediada a EuroCopa, mas, por causa de seus protestos, agora sei o quão sério é o problema do turismo sexual na Ucrânia. Novamente, minha opinião não vale de nada lá, mas vale sobre o que acontece aqui, ali na Paulista, na Rio+20, na rua e da minha porta pra dentro: posso pensar sobre o assunto.

Ó, meu Deus! Isso é tão apelativo, Guillem March

No que tange a se rebaixar, a p ergunta óbvia é: segundo o juízo de valor de quem? Dos homens? Da moda? Do opressor? Das mulheres? Só porque o homens gostam de vê-las despidas, elas não podem se despir? Qual a liberdade em deixar de fazer o que se gosta só porque quem te oprime também gosta? Por que não decidir o seu próprio juízo de valor? Por que não ter direito de ser recatada ou periguete? Freira ou profissional do sexo? Elas só querem ser o que quiserem, inclusive ferramenta de protesto. A postura delas é criticada, sim, até por pessoas inteligentes e a quem respeito, mas, independente da eficiência ou não da ferramenta, e eu a considero eficiente, visto estarmos aqui discutindo-a; quem somos nos para rebaixá-las por isso? Independente do protesto, temos o direito de avaliar alguém pelo que ela faz com seu corpo?

É agora que minha opinião vale: quando aceito cada um como livre para se valorizar como quiser. O valor de quem se deita com todos ou nenhum, de quem adora se sentir desejada só importa para si. Porque quando eu olho para uma mulher e me acho no direito de estimar quanto ela vale, sou eu a me rebaixar, a me mostrar incapaz de viver bem com a liberdade dela de fazer o que quiser de si; sou eu a me mostrar limitado e esquecer que apenas a minha vida está sob a regência do meu juízo de valor. O conceito fica mais óbvio quando pensamos na Marcha das Vadias, já que lá a reivindicação básica é a soberania sobre o próprio corpo, não apenas em relação ao aborto ou contra o estupro, mas pelo direito de usá-lo como quiser, até para protestar; pelo direito de se ver como quiser e não ser vítima disso; de se sentir satisfeita consigo mesma seja pelas suas próteses nos seios ou sua circunferência tatuada do lado da cabeça raspada; de mostrar seu corpo em nú artístico ou filme pornô.

Uma mulher já valeu tanto quanto era obediente ao marido, tanto quanto trazia de dote, quanto casava-se virgem ou por quantos divórcios não passou. Hoje, apesar de ainda haver quem a avalie por esse valores, geralmente uma mulher vale tanto quanto o uso que faz de seu corpo. Usá-lo é coisa de piranha, de quem não tem senso do ridículo nem se valoriza, de quem não tem capacidade para usar outra coisa. Nossas novas feministas querem que se dane a cotação, querem ser apenas mulheres. Para isso usam uma ideia que não é nova, lembremos das camisetas “100% preto”: mais do que se rebelar contra o opressor, seja ele o homem, a mídia ou a sociedade, tomam dele suas ferramentas. Tomam o significado de vadia, biscate ou o que for e desarmam quem as ofende com “no seu conceito ou no meu?” ou “sou, sim, mas por minha escolha”. Tomam de volta seus corpos, tão usados pelo opressor, para dizer o que o opressor não quer ouvir. Não importa qual a ferramenta, a ideia, o conceito usado contra elas, o tomam e se orgulham disso. É a coragem de quem responde ao opressor: isso é meu e quero de volta!

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Robson Sobral* não liga se sua esposa sai por aí vestida de biscate. Além disso, é designer profissional, ser humano amador e apreciador da mulher. O resto é consequência. Você pode conhecê-lo melhor no twitter @robsonsobral ou no seu site.

Minha cidade se chama…

Dia 9 de junho teve a Marcha das Vadias na cidade que escolhi chamar de minha casa. Ela se chama João Pessoa e o seu nome sempre me pareceu redundante. Mas nenhum nome vem sem causa, não é?

De acordo com a Wikipédia a história é a seguinte:

“Em 1928, Anayde iniciou um relacionamento amoroso com João Dantas, político local ligado ao Partido Republicano Paulista, que fazia oposição ao então presidente do Estado (governador) da Paraíba, João Pessoa. Depois do violento confronto político que deu origem ao Território de Princesa, João Dantas acabou se refugiando no Recife, mantendo o relacionamento com Anayde à distância, através de cartas.

João Pessoa reagiu, mandando a polícia revistar as casas dos revoltosos e suspeitos, em busca de armas que pudessem ser utilizadas em uma revolta armada. Um desses locais foi o escritório de João Dantas na Cidade da Paraíba (atual João Pessoa), invadido em 10 de julho de 1930. Embora não tenham sido encontradas armas, os policiais depredaram as instalações e arrombam o cofre, onde foi encontrada a correspondência de Dantas, inclusive cartas e poemas de amor recebidos de Anayde.”

Ui!!! Tem sexo, violência e glamour, não é?

Mas continua…

“Nos dias seguintes, o jornal governista “A União”, e outros órgãos de imprensa estadual ligados à situação, publicaram o conteúdo das mesmas, visando atingir a honra de Dantas.

Em 26 desse mesmo mês, João Dantas, acompanhado de um cunhado, Augusto Caldas, entra na Confeitaria Glória, no Recife, e dispara contra o peito de João Pessoa, matando-o. Lavava, com esse gesto, a sua honra ofendida, com sangue.

Criticada publicamente por razões morais e políticas, Anayde sentiu-se acuada após o assassinato de João Pessoa, que causou comoção popular. Desse modo, abandonou a sua residência na Paraíba e foi morar em um abrigo no Recife, onde passou a visitar João Dantas, detido em flagrante e recolhido à Casa de Detenção naquela cidade.

(…)

Anayde veio a falecer, dias depois, aos 25 anos de idade, supostamente por envenenamento provocado por ela, quando sob os cuidados de freiras. O seu corpo foi sepultado como indigente no Cemitério de Santo Amaro.”

Assim se consumou o nome da cidade onde moro.

Antes de (também) criticar apenas um ou outro, lembremos que o Nego de nossa atual bandeira (vermelha e preta, flamenguista!) vem de uma frase de João Pessoa que tentava livrar o Estado de uma política oligárquica, e na época representada pelos Estados de São Paulo e Minas Gerais com aquele negócio que a gente estuda em história e chamam de política do “Café com leite”.

Pois é. Confusão.

E é nessa cidade que pela primeira vez aconteceu uma Marcha das Vadias há nove dias atrás. Não pude comparecer, mesmo tendo me programado com antecedência e por causa de um trabalho. Eu estava em outra cidade, no sertão Paraibano, há seis horas de João Pessoa e que se chama Sousa.

Triste, eu sei… eu sei…

Mas enfim…

Os comentários machistas e preconceituosos que surgiram desde que começou-se a falar da Marcha das Vadias aqui, e que pareceram se intensificar quando passei a ajudar a na organização da mesma, e que em muitos momentos me tiraram do sério, hoje não me parecem tão importantes, perto de outros comentários, da conversa de bar que acabei de ter, e das fotos que compartilhei de mulheres e homens, que pela primeira questionaram falsas, limitantes e sufocantes noções de “moral”, que aprisionam seus corpos e suas mentes em prol de uma suposta ordem social, que nada mais é, a grosso modo, apenas o que possibilita manter o status quo dominante que é branco, masculino, heterossexual e classe média.

E o que Anayde (o sobrenome é Beiriz, se lhe interessar) tem a a ver com isso?

Anayde se tornou a “prostituta do assassino do Presidente” por aqui na época em que viveu. Hoje ela é homenageada em casas populares e nomes de escolas. É mote de mestrado e motivo de orgulho, de uma Paraíba feminina, mas “mulher macho, sim senhor” retratada inclusive por Tizuka Yamazaki em filme.

Mas sabe o que ainda assim me entristece?

Não achei nenhum texto, nenhum, nenhunzinho, dentre muitos que ela tenha possivelmente escrito enquanto pensadora da sua época, porque sim, ela não era apenas uma mulher dividida entre uma coisa e outra, entre um ideal e outro, entre alguém que lavava sua honra e outro que a dizimava…

Ela era poeta, professora, pensadora, escrevia em jornais, vivia entre intelectuais, ditava opiniões…

A única poesia disponível na web coloca-a como um personagem dúbio, entre puta e santa, entre mártir a algoz. Isso é bom ou ruim? Inclusive enfia historicamente, um outro homem a quem ela escrevia. Isso é bom ou ruim?

Ah, tudo bem, tudo bem… a vida é assim mesmo…

É?

Quem é essa mulher alem desses homens? Além da história?

E você, quem é além desse ou daquele? Disso ou daquilo?

Então escrevo esse texto como quem pede: questionem seus pensamentos e padrões!!! Suas histórias!!!

Sejam livres! A liberdade é uma escolha, mas precisamos lutar por ela, acreditem!!!

Que ninguém, além de você mesm@, possa escolher quando calar e quando falar. E em que tom. Não são nossos peitos que algumas pessoas que nos criticaram não queriam ver, porque “isso” toda a sociedade assiste hipnotizada em desfiles de carnaval e em qualquer programa de televisão.

Não se deixe iludir!!!

O que penso sobre os críticos da Marcha das Vadias aqui, na minha cidade, é que essas pessoas não queriam, quando reclamavam das pessoas, homens e mulheres, que defendiam uma causa, era ter que escutar os gritos de dor, medo e revolta escondidos durante muito tempo. Palavras que clamam justiça, igualdade e liberdade.

Porque eles incomodam quem prefere manter-se dormindo em sua zona de conforto e não quer pensar sobre si mesm@ e no quanto suas escolhas, mesmo que seja a de manter-se em silêncio, arrombar casas ou “defender a honra”, também destroem, machucam, mutilam e matam.

De quem você é filh@? Qual seu sobrenome? De que partido?  Com que roupa?

Sim, mulheres também são machistas, como muitos nos apontam os dedos para não ter que novamente (ai, que cansaço!) pensar sobre si.

Sim, talvez eu seja preconceituosa e carregue machismo como todo mundo, vejam só! Mas eu não sou só mulher, artista, pagã, romântica, divorciada, filha, amiga, feminista, louca, poeta, machista ou preconceituosa. Novas versões de mim podem surgir simplesmente quando penso, questiono ou apenas aceito que certas atitudes que tomo e pensamentos que tenho, farão diferença no meu caminho, só ou acompanhada, mesmo nesse mundão tão grande, todos os dias, todas as horas, em todos os momentos. Que posso inclusive MUDAR meus pensamentos, se eles forem machistas ou impliquem em qualquer dor ou mágoa, se eu for preconceituosa ou sexista com meu semelhante.

A Marcha não mudará nada? Faremos alguma diferença?

Minha cidade poderia se chamar Anayde, se ela não tivesse sido tão esquecida, mesmo quando lembrada. E a sua?

P.S: Nenhuma luta é isenta. Nenhuma bandeira é carregada sozinha. Esse texto é para Ieda, Tony, Wagner e Lauro. Porque sim.

P.P.S: As imagens que ilustram esse texto acima foram “roubartilhadas” do grupo Marcha das Vadias João Pessoa no facebook. Exceto a que me conta (ou não) aí embaixo.

.

* Raquel Stanick, de acordo com ela mesma, não é, mas está, artista visual, entre mil outras e tantas coisas (inclusive quase sempre apaixonada) lá pras bandas da Paraíba. Delicada, arruaceira, mocinha do bem, mulher da noite, poeta do amor fácil e da vida difícil (e outras tantas vezes o inverso), é, não apenas biscate na vida mas biscate-fixa-escrevente no nosso clube. Quer mais Raquel? Ela é colunista da Revista Mostra Plural, se desalinha em Todas Essas Coisas Sem Nome e ainda tem este blog onde você esbarra em um pouquinho do lindo trabalho dela: Ceci, n’est pas un blog .

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