Parece até que foi ontem…

Em exatos três dias, completará um ano. “Caramba”, pensa ela, quando se dá conta de quanto tempo já passou. É que aquele 05 de junho pareceu tão terrivelmente interminável e insuperável, que ela achou que não suportaria…

A princípio, tudo era dor. Sabem como é, né?  Ouvir um “não te amo mais”  de quem a gente espera tudo e nada ao mesmo tempo pode soar pior do que a notícia – verídica – de um fim do mundo próximo. Mas o mundo não acabou e a vida seguiu.

Vida que seguiu melhor do que ela era capaz de imaginar.

Lágrimas foram derramadas. Noites não foram dormidas. Muitas lembranças povoaram a mente inquieta e o coração forte dela. Mas aos poucos, ela começou a superar as próprias expectativas. Aprendeu a deixar a dor ir embora. Entendeu que o passado só serviu e servirá para preencher páginas de sua história com aprendizados diversos.

Ela aprendeu a ouvir e a sentir mais. Aprendeu que é muito mais válido viver experiências do que ficar imaginando como elas seriam. Aprendeu que divertir-se é preciso. Aprendeu a sorrir, a demonstrar paixão pelo que gosta, a correr atrás de seus sonhos. Aprendeu a amar-se, a cuidar-se, a aceitar-se como é e a melhorar tudo de bom que já tinha. Aprendeu que ela não era, de forma alguma, responsável pelo sentir dos outros. Só que nada, absolutamente nada disso veio de uma vez: bastou que ela se permitisse tomar as rédeas de suas decisões.

Hoje ela canta, dança, cria, experimenta, ama, estuda, muda. Hoje, ela luta. Hoje, ela lembra e já não sente mais falta do ontem. E espera que algum dia, tod@s possam compreender que nada termina por acaso. Se algo tem fim… É porque um novo início – talvez muito mais interessante e enriquecedor – está por vir.

Que tal dar – se essa chance, tipo… AGORA MESMO?

 

 

 

 

Culpa. De quem?

A gente tem uma mania muito ruim de querer achar explicação para tudo.
De pensar que se algo aconteceu fugindo completamente das nossas expectativas precisa, necessariamente, de uma razão. Será que é assim mesmo que as coisas funcionam? Ou seriam elas, as famosas expectativas, que fazem dão um empurrãozinho para que nos tornemos seres muito relutantes, inseguros e despreparados em relação ao inesperado?

É bem aí que a culpa se espalha.

Costumamos usar esta culpa de maneiras bem venenosas. Duas formas se destacam: ou a jogamos inteirinha para o outro, que de alguma forma não correspondeu ao que gostaríamos; ou acabamos por nos punir sem a menor piedade, tendo a convicção de que se tivéssemos agido de outro jeito, tudo seria diferente.

Não é mesmo? É. Poucas pessoas dominam a arte da aceitação. Aceitar que não temos como controlar as vontades ou as decisões de nossos semelhantes ainda é visto como fracasso. E por fracassarmos, não achamos que somos dignos de continuar tentando. Às vezes, ressentir-se é bem mais cômodo do que sair de adversidades de cabeça erguida.

Percebem como isso pode ser uma cilada e tanto para os nossos relacionamentos?

Quem nunca culpou uma biscate (ou um cafajeste) pelo fim de uma “linda história de amor”? Quem nunca pensou que “se fulano ou se ciclana não tivesse cruzado o meu caminho, estaria tudo bem”? Ou então, partindo para um outro extremo, “onde foi que eu errei?”; “o que deixei de fazer?”; “por que ele/a é tão melhor que eu?”; “foi por isso aí que fui trocado/a?”; “depois de todo esse tempo é isso que recebo em troca?”. E assim a gente segue, alimentando as nossas vidas com todo esse ranço, com todo esse ressentimento que é tão destrutivo.
Acho que deveríamos parar de tentar diminuir o sofrer, sabem? Parar de achar que somos responsáveis por atender as demandas alheias e também, de exigir que o outro faça exatamente aquilo que desejamos. Claro que refletir, repensar as próprias atitudes é válido para que cresçamos. Só que há uma linha bem tênue entre amadurecer, reconhecer os próprios erros, perceber o que nos incomoda no outro e a auto-punição e a raiva. É difícil. Dói. Faz com que passemos noites em claro e brademos aos quatro ventos como somos infelizes. Mas um dia passa. E como passa.

Mas, Cláu, o que isso tem a ver com biscatagi?

Tudo. Libertar-se também significa livrar-se de sentimentos ruins. Significa perceber-se livre e deixar os outros terem essa mesma percepção.  Significa parar de apontar o dedo para a cara de alguém, como se tal pessoa fosse a culpada por todas as “injustiças” que vivenciamos.  E principalmente: significa entender que sempre podemos começar de novo.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...