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Não queria, mas entendi que o nosso tempo se esgotou. Nosso caso – tão curto – já chegou ao fim. Não chega a ser uma dor sabe, mas é que eu achava que faltou a gente conversar mais, se olhar mais, se tocar mais, se beijar mais. Acho que faltou mais vezes seu corpo visitar o meu. Assim, como quem não quer nada. Faltou mais sua boca nos meus peitos, seus dedos na minha buceta.

Sinto falta de sentir mais tua boca de cigarro e cerveja. Teus lábios no meu pescoço. Minha mão na sua barba. Não é que esteja ruim a vida sem você, mas é que ia ser tão bom se você viesse com a tua mão grande na minha perna. Penso nos outros com quem me deito e penso que sortudo seria você se assim o fizesse também. Ai como me faz falta você me comendo de quatro!

Não me interessa saber o que aconteceu, porque você não quis, porque não quis ficar dentro de mim de novo. Queria que você quisesse de novo. Só isso. Não posso dizer que mais uma vez bastaria, porque pode ser que não. Mas pode ser que sim também, não sei. Eu queria que você quisesse de novo pra poder te lembrar o quanto chupo seu pau bem.

Eu queria de novo não só pra recriar os caminhos de antes. Queria pra percorrer os novos que nos prometemos naquela noite de muita cerveja e maconha. Sonho com a promessa de que da próxima vez você me comeria o cu. “Da próxima vez tu compra lubrificante, hein?”. Disse eu já querendo amarrar o encontro seguinte. É mais forte do que eu, sou assim, de lua em touro.

Sonho com a possibilidade de você gozar na minha boca. E, ok, quero relembrar tua boca quente na minha buceta. Queria dormir aninhada no teu peito de novo. Lembro que você me abraçou a noite toda e mesmo achando ruim, eu estava achando bom. Acho que talvez soubesse que não mais tua perna pesada em cima de mim.

Quando pensei no próximo encontro, não era uma regra, um dever, um ter que. Estava mais para possibilidade. Está vendo, você não me conhece e aí não sabe que sou inteira possibilidades, alternativas e facilidades. Quisesse tu me comer de novo, ficava sabendo que sou dessas que só dizem sim.

Vai e Vem

Que seja fácil. Sem perguntar o porquê nem o quando. Sem procurar uma norma. Sem modelo. Suave. Borboleta no peito. Não se sabe direito quando chega nem quando vai. O corpo solto. Não controla. Não promete. Vai ficando. Arranca as páginas do calendário e faz tapete. Tira a bateria do relógio. Que seja em diminutivos. Fica pra um cafezinho. Dá um abracinho. Leve. Deixa chover, deixa a chuva molhar, cantarola uma canção sem pejo. Afasta os móveis, afasta os medos, ensaia um bolero. Só dá bola pro amanhã quando for um hoje. Aprende o adeus. Tudo que vem, vem, volta, cantarola outra vez. Lembra do Kronk e cria sua própria trilha sonora. Abre a janela e deixa o vento embaralhar cabelos e sonhos. Aqui pode. Aqui sim. Aqui e aqui também. Vem. Vai. Sem razões, sem justificativas, sem explicações. Vontade. Tesão. A ponta da língua. A pele. Sem linha, sem pauta, sem regra. Desse jeito, apenas. Primeira vez. Única. Singular. Toca. Abre. Cuida. Solta. Lembra. Esquece. A beleza de esquecer. Suspira. Eu. Você. Sem nós. Mais. Quem chegar. Como chegar. Recebo.

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Chega. Abre a porta, os braços, meu zíper. Encosta teu corpo no meu. Me abraça. Geme no pé do ouvido. Lambe aquele caminho debaixo da orelha até o vão do pescoço. Esfrega o pau duro nas minhas coxas. Me encosta na parede, na máquina de lavar, no encosto do sofá, no que estiver mais perto. Enche as mãos com a minha bunda. Aperta. Roça. Morde o ombro, o queixo, o lábio. Aproxima o nariz do meu e manda eu abrir os olhos. Bitoca. Procura o sutiã e ri baixinho de não encontrar. Uma mão na curva das costas, a outra apertando mamilo. Belisca. Me deixa mole. Com a boca aberta deixa saliva no meu rosto todo. Me vira. Me curva. Usa o joelho pra afastar minhas pernas. Segura minha cabeça, mais escuto que vejo sua calça descer.  Encaixa a mão na minha buceta, move a calcinha pro lado. Enfia um dedo. Outro. Sussurra o que vai fazer. Faz. Vem. Volta. Pau. Dedo. Pau. Dedo. Me dá a mão pra eu lamber. Geme. Desce. Senta no chão, levanta a cabeça. Lambe. Suga. Se toca. Me chupa. Deixa o rosto me sustentar enquanto a língua me prova. Fraquejo. Deslizo. É uma almofada? É. Puxo. Levanto o quadril, apoio no macio. Sinto a língua espalhar o gosto minha buceta pela pele arrepiada. Ia dizer me fode, digo eu te amo.

Dos dias que seguem

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Deitadas juntas observamos o vazio. A incógnita dos nossos dias. O amor talvez seja isso: uma grande contemplação das incógnitas, em colo macio. Um abraço onde esquecemos das impermanências e pertencemos, um pouquinho, a algum lugar. Deixo-me.

Envoltas nos desafios tantos dos dias que seguem, temos a sorte de nos lembramos a tempo de não nos perdemos. Faço retratos imaginários da boca dela enquanto fala. Uma coleção de retratos que guardo nas retinas. A beleza dos tempos das partilhas. O antes e o hoje. E o porvir que nossas mãos não seguram. Deixamo-nos.

A doença que tomou seu corpo já não nos derruba tanto. Vamos aprendendo a conviver com a pergunta. E assim descemos o rio das correntezas, esse rio da vida que não avisa desvios. Nessa pequenina embarcação não tem espaço para muito. Só as miudezas e generosidades que não carecem embalagens. Existimos nos detalhes. Nos respiros. Nas pequenas e extraordinárias coisas que nos contam.

Temos medo. Mas a nudez da vida também acalenta. Uma certa liberdade atinge-nos quando, de repente, não temos mais chão de afundar os pés. A vida é aqui e agora. Sentimos vertigem. Pulamos. Onda vai, onda vem. Estico a corda. O amor é que me enlaça. E a rede de proteção é o afeto.

Em Amarelo

A rua tem cheiro de flor. Aqui, café e cuscuz. Felicidade em amarelo. São as pequenas alegrias, sabe. Aquele jeito de franzir a testa. A mão que nem percebe brincar com o meu decote. A carinha piscando na mensagem. Os cds com sua letra, os livros sem dedicatória. A pergunta: e vamos beber o quê? Aquele dia na represa. A flor roubada. A lua, enorme, pela janela. Os fogos na varanda. Todas as noites em que acordo no seu abraço. Sorrisos sem motivo e as coisinhas miúdas estão ali, feito jarrinho de girassol na janela, lembrando pra que lado fica o morno.

Mesmo eu que sou um oco do mundo, negros abismos, dores que antecipo. Minha mala é pesada não de passado mas de antigos futuros. Como quem anda à beira do abismo, acostumada a vertigens. Mesmo eu, já fui, em dias, a menina com uma flor, nas vozes dos que já me amaram. E, aqui, outra vez.

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Aceito, no peito, o bem querer girassol. Grande demais pra ser o que é. Mas insiste. Colorido. Estabanado. Caloroso. Exuberante. Que só se sabe assim, voltando-se pro riso. Que se faz no repetir-se da cama bagunçada, do suor nos lençóis, da janela aberta, nesse quarto que é sempre noite mesmo em tempo de sol. Que se firma na forma como os corpos se sabem um momento antes do sono, no morno de estar junto muito tempo, nos sons que se fazem íntimos. Que se nutre nos afagos, no gostoso de caber na mão, do nariz no pescoço, do joelho entre joelhos, da ilusão. Que vinga exatamente no agora, espaço sendo tempo, tempo sendo gosto.

Gosto de girassóis. Eles têm a certeza dos dias, mas talvez não para eles. São demasiado. Demasiado exuberantes, demasiado coloridos, demasiado mortais. São estabanados demais para serem flores. Gosto desse sentir. Também, em meu peito, certezas de dias outros. Talvez não para nós, mas outros. Eu sou estabanada demais para o amor, mas insisto. Girassol que é, justamente porque finda. Murcha. Mas não hoje.

Metamorfoses

Lembra daquele professor de física lá do ensino médio que dizia que alguém muito importante um dia disse que “nada se perde, tudo se transforma?”. Bom, o alguém importante era Lavoisier e o tal professor (ou professora, no meu caso tive uma professora linda, que tinha sido modelo e tal) só queria começar um conteúdo sobre a bendita Lei de Lavoisier.

Bom, claro que o moço francês estava falando sobre a conservação das massas e anyway, mas penso eu que podemos trazer isso para os nossos sentimentos e as relações atravessadas por eles. O Amor, assim com letra maiúscula, quase uma entidade em si mesma, é um tanto estático conforme os contos de fada querem nos fazer acreditar. O amor (esse com letra minúscula, construído todo dia, com seus laços renovados ou, por vezes, esgarçados) muda. O tempo todo. Não amamos as pessoas do mesmo jeito ao longo do tempo. O amor que sentimos pela mãe, os avós, irmãos e irmãs não é o mesmo desde que nascemos e nem poderia ser. O amor muda porque nós mudamos, os outros mudam e o mundo que nos rodeia, idem.

Imagem de Mariana Palova

Imagem de Mariana Palova

Assim também são as relações que construímos ao longo da vida. Gosto sempre de pensar naqueles amigos de infância, da época da escola ou do time de vôlei da rua, ou aqueles primos e primas que te fizeram tão feliz (quando você nem sabia disso), que não encontramos mais. É claro que recordamos com muto carinho deles quando lembramos da nossa infância querida que os anos não trazem mais. (Oi, Casimiro!). E, possivelmente, também temos espaço na memória afetiva dessas pessoas. Mas fico me perguntando se ainda nos amaríamos se convivêssemos hoje. Todos mudamos, e ao longo dos anos, isso é ainda mais perceptível.

Às vezes, penso que prefiro amar essas pessoas com o amor que já está reservado para elas. O amor da saudade, do tempo que faz tudo ficar tão bom, da distância que seleciona as boas lembranças e dá uma mascarada nas partes ruins. Por isso, sempre fujo dos encontros do tipo “turma do pré-alfabetização do Colégio Bosque Encantado”. Muito provavelmente, se nos víssemos com mais frequência, o amor ia mudar e eu prefiro manter as boas memórias.

E aí, me pego pensando nos amores (aqueles mais carnais mesmo) que se transformam em outras tantas coisas. Não acho que quando um relacionamento acaba é porque o amor acabou, necessariamente. Acho que Lavoisier diria assim: “o amor não se perde, se transforma”. Tem amor que vira amizade, tem amor que resta só (?) tesão, tem amor que vira memória. Penso que o amor (ainda o minúsculo) muda o jeito de gostar, mas não perde sua essência quando uma relação se esgota. (Claro que há os que se transformam em ressentimentos, mas isso é assunto pra outro texto)

O amor deixa de ser o amor da paixão, da carne, para ser o do companheirismo, do pega na minha mão e vamos resolver isso. O amor vira bem-querer, muda para aquele sentimento de felicidade pelo outro, de saber que o outro está feliz. O casamento, o namoro, o noivado acaba, mas ainda fica aquela ternura no peito de reconhecer que existe um certo tipo de amor ali pelo que foi, pelo que representou e que, paciência, não é mais.

Quem ama não bate

Sílvio Santos é um mito da tevê. Sílvio Santos despreza as regras da tevê quase sempre, faz e desfaz das grades de programação a seu bel-prazer e acerta e erra de forma mítica. Dá entrevistas onde se mostra um empresário cheio de ética, sua ética particular, e já foi candidato a presidente mas a gente deve sempre se lembrar que esse cara querido e simpaticão, no auge da ditadura, tinha o minuto do presidente na sua emissora para elogiar o militar presidente da vez e que, agora, em 2014, não foi capaz de dizer a Rachel Sheherazade que não promover censura é diferente de salvo-conduto para emitir opiniões ofensivas aos direitos humanos e dizer bobagens.

O SBT é seu reflexo, acerto e erros igualmente catastróficos, nada é embalado em busca da ética, embora possa parecer ser, somente na busca da audiência e nisso muitas vezes a responsabilidade social ou mesmo a jurídica se vão pela janela. O acerto nesses campos SBT sempre me parece aleatório ou a busca  obstinada de uma ou outra pessoa, não exatamente do ‘Seo Sílvio’.

E aí tivemos mais um “Casos de Família” com a Cristina Rocha e esse teve como tema “mulher que não gosta de apanhar, tem que se comportar”, e espancadores de mulheres tiveram seu palco para defender seu machismo sob aplausos talvez de boa parte da “família brasileira”, embora  a chamada do programa invoque a Lei Maria da Penha em defesa das mulheres.

Captura de tela de 2014-06-19 03:40:53

Isso me lembra o Jairo de “Em Família” que sempre solta pérolas machistas, é grosso  e mal-educado com a Juliana e ela suporta tudo por amor (personagens do Maneco sempre suportam tudo por amor). No entanto acho que Jairo é um personagem com um forte recorte de classe por parte do autor da novela com fortes traços de preconceito social demonstrado nessa oposição vida na comunidade X vida no Leblon (sendo o segundo sempre melhor e o outro mostrado de forma estereotipada e pior).

O traço em comum entre o personagem os personagens da novela e os participantes do programa como a vida real no SBT é que fica clara a cultura onde a  mulher deve sempre buscar ser feliz num relacionamento e que isso é tarefa dela, mesmo apanhando, a culpa é dela e ela deve ou obedecer ou evitar o conflito. E é isso que a que gente deve começar a desmitificar. Ser feliz não significa estar num relacionamento a qualquer custo e não é unicamente da mulher o ônus de um relacionamento feliz. E mais que tudo, violência física e verbal não é demonstração de afeto, é inaceitável e ponto.

ps: você quer ver o programa do SBT? clique aqui (o programa foi forte em transfobia também).

ps2: cenas do Jairo e Juliana em Em Família aqui.

Mal me quer

E depois de tudo, do meu carinho, do meu cuidado, da minha entrega quase sacrificial, do almoço-delícia que te fiz, do abrigo que te dei, das caronas da madrugada, das palavras carinhosamente escolhidas pra te impressionar, de tudo, tudinho, você não me quer mais (alias, me pergunto se um dia, quis). Ou teu interesse foi uma breve mentira inventada pela minha enorme e assumida carência?

Ok, baby. Mas cadê a dignidade? Cadê o cuidado em me dispensar educada e solenemente? Por que desprezar, ser indiferente e agir como um imbecil cego (ao meu desejo)? Por que matar a pauladas a nossa história que nem ia durar muito mesmo? Era pra ter ficado linda na nossa memória. Uma lembrança safadinha e irresponsável, história boa de recordar e contar.

Mas você, com talento típico dos egoístas, estragou tudo. Sair correndo do meu carro, depois de uma carona oportuna, é no mínimo, deselegante. Desde quando, do alto da minha sensibilidade, passei a ser um fato indesejado pra você? Desde quando? Me conta, vai! Acho que perdi o bonde andando…

Só quero que saiba de uma coisa: hoje você se tornou a antítese do meu desejo. Poucas vezes me arrependo. Essa é uma delas. Arrependo-me de ter dado o melhor de mim pra ter vivido um day after tão medíocre. Repito: de você, quero distância. Não vou ser sua amiga. Não quero te fazer companhia. Não quero dividir a dureza do nosso trabalho. Não me peça favores. Vire-se sozinho. Não vou te dar abrigo. Por mim, morres de sede, de fome, de frio e de calor. Rancorosa, eu? Sim. Não me interessa fazer tipo. Portanto, se afaste. Use a sua indiferença pra ir ainda mais longe de mim. Fará um bom favor.

E daqui de dentro, depois de tudo, brota um sorriso de alívio. Porque eu vou continuar sendo fácil, generosa, pronta para me doar, escolhendo a dedo palavras bonitas e receitas de comidinhas boas. Mas só pra quem me queira de fato. E pra quem o meu desejo quiser. Pra ti, não né? O tempo é matreiro e a vida é grande!

Sair de cena: meu esporte de combate preferido. Adeus.

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