Minha parte exilada

Por Niara de Oliveira

Abafada, contida, quase perdida nessa cidade que não é minha e é partida. Claro que dentro da cidade estou no mesmo lugar em que sempre estive. Na parte que é minha, no lugar reservado pra mim nesse mundo. Sei o meu lugar, sei de que lado estou em qualquer partilha de cidade ou mundo, mas está longe de ser confortável ou bom. Me saber não quer dizer estar bem ou aceitar. E sou ‘revolts’, vocês sabem. É… exilada.

Na parte da cidade que não é minha, a parte é familiar na simplicidade das gentes, gostos, jeito, gestos, cheiros. Mas falta clima, temperatura, sotaque, tempero… Está faltando o encantamento, o lúdico, aquela coisinha que mesmo nos momentos difíceis te fazem sorrir e seguir caminhando.

Ser estrangeira numa cidade de beleza tão anunciada em prosa, verso e vendida em publicidade e não se sentir confortável não é fácil. Nem é fácil se fazer entender quando digo que meu lugar é mais bonito que aqui. Será só a sensação de despertencimento, de exílio?

Cidade de biscatagem solta e anunciada, de malemolência cosmopolita, me faz biscatear menos. Será o exílio? Estou ambientada. Me obriguei a me ambientar para sofrer menos. “Escolhi” ficar, para poder escolher melhor depois. Para voltar a ser eu, revolts, biscate… satolepiana.

Podia ao menos chover um pouco para me fazer sentir melhor… Mas, não.

ridijanêro

deve ser até pecado sentir esse gosto de exílio numa cidade dessas… mas, é assim que é

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