Tempos de Ruptura

 Mudar o modo de vida. É isso. É disso que se trata. Romper. Isolar tudo aquilo que se designa por opressão e “puf” desaparecer com isso. Mas é muita coisa! É, e são imensas… São vozes de clamor por ruptura. Novas e enfáticas; lépidas e abobadas; velhas e cansadas; revigorados e entoadas, vozes… É tudo e, ao mesmo tempo, parece não ser nada. Não há foco, ou há. Não há liderança, ou há. Não há coesão, ou há. Não há oportunismo, ou há.

por Everton Nunes

por Everton Nunes

 Não se entendem as coisas assim tão facilmente. Oprime-se, comprime-se, atinge-se, suprime-se. Vida, vale nada. Integridade, vale nada. Dignidade, vale nada. –E o que vale? –Vale nada… É aquilo que não se carrega. É aquilo que não se suporta. É aquilo que se rende sob qualquer pretexto. –E a quem interessa? –A mim. –A quem mais interessa? –A mim. –E a quem ainda interessa? –A mim. É assim que se ouve… É assim que se segue…

Crime, exclusão, exceção. Explode, espirra, espanca. Decepa, arde, sufoca. Cidade fechada, cidade escoltada, cidade sitiada. Polícia contra; Exército contra; Estado contra. –Quem mesmo está por ti? –Você. –Quem mais está por ti? –Você. –Quem ainda está por ti. –Você. É assim que se espera… Mas assim se segue?

 Legalidade? Fora! Institucionalidade? Fora!! Autoridade? Fora!!! Provocar um fissura – Incitar o movimento. Ampliar a envergadura – conjugar sentimentos. Promover uma ruptura – alcançar o empoderamento. –Poder de quem? –Nosso! Poder para quem? –Para nós! –Poder por quem? Por nós! Só nós conseguiremos… E assim se segue?

–Perdas? –Sim. –Perdas? –Muitas. –Perdas? –Dor. Para ruptura, dor. Dor, para além do que já dói. Dor, para não mais doer. Dor, para não mais temer. Liberdade! Romper para ser livres. –Livres? –Sim, Livres! –De que? –Livres! –Por quê? –Livres! –Para quê? –Livres! –Como? –Juntos! –Justificar as perdas? –Não, sofrê-las! –Justificar as perdas? –Não, vivê-las. –Justificar as perdas? –Não, contê-las!

Das Rupturas - Dalí

Das Rupturas – Dalí

Rupturas, não saber bem o que são. Não saber bem como são. Não saber em que se tornarão. Mas rupturas. Querê-las. Buscá-las. Fazê-las. Mais rupturas, Mudanças. Mais rupturas, Lembranças. Mais rupturas, Esperança. Romper… não mais deixar estabelecer… querer diferente do que é… não suportar a existência do não ser… Romper. Querer o novo. Mais que o novo. Querer o pra frente, além do senso, além do comum. Querer o que ainda não tem nome!

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