Ainda Mais Biscate

Reunir a biscatagem. Biscatear. Arregimentar biscates. Ser Biscate. Ser cada vez mais Biscate. É isso, é o nosso club, a nossa dança, é o jeito que a gente dirliza na sociedade.

Entender o jeito de se biscate, o propósito de ser biscate e a vontade de se tornar e estar biscate é o nosso trabalho, o nosso sacerdócio, a nossa sina! Optar, politicamente, pela biscatagem é o que nos move coletivamente, é o que nos faz uma corja! Sim, porque se quiséssemos ser família, também seríamos, mas queremos ser corja!

Queremos e tentamos subverter os padrões, somos o buteco incômodo do debate político-trollador, libertário-afetivo, artístico-militante e nada, mas nada modestos! A regularidade não nos importa! A conformidade não nos apetece! O discurso pronto, pelo discurso, não nos elabora! E apontar dedos, não nos cabe!

20140215_AntonioMiotto_livroLURJ-23

Nossa Cor Biscate (foto: Antonio Miotto)

O Biscate é o espaço do nosso conforto enquanto sambamos na lama, na cama e na passarela. Descalços, de salto, de sapato alto! Gloriosos ou tristonhos. Mas sambando num mesmo tom furta-cor!

E são nesses tons, que não são 50 nem 250 – contar pra quê? – que damos a nossa tônica. Que reunimos a nossa esbórnia. Que compartilhamos a nossa sanha! Sim, porque ser biscate é ter sanha de viver! Ser biscate é acontecer, onde quer que esteja!

E quando queremos acontecer, o melhor que seja junto, que seja misturado, que seja agregando amigos-leitores. É assim que a gente gosta! Se espetando e se amando, em processos profundos de afofamentos! Na mesa, na cama, no banho e no feno! Rolando no chão e mordendo de tesão. Tesão pela vida, tesão pelos outros, tesão por si mesmo, tesão em ser biscate.

E é assim que aprendo não apenas ser, mas ser ainda mais! E é assim,  Biscate é a nossa amizade, a nossa familiaridade, o nosso amor. Amor pela nossa liberdade, juntos, separados, com os outros e com ninguém. Ser biscate é estar reunido nesse objetivo, ser biscate é a suruba da vida!

Saudade do seu rabo…

Por Niara de Oliveirarabo

Essa expressão ficou conhecida após serem divulgadas gravações de conversas telefônicas do pastor aquele que está preso. Mais do que uma história engraçada, revela a hipocrisia de um falso moralismo que permeia nossa sociedade, e é mais engraçada justo por esse componente.

Adotamos imediatamente entre xs biscates que compõe e escrevem para esse clube. Porque usar o que evidencia a hipocrisia é um dos nossos esportes preferidos. O outro, o top dos esportes, é biscatear mesmo. E “saudades do seu rabo” evidencia isso: saudade do rabo de alguém(s), saudade de biscatear.

Estou tomada por essa saudade. Saudade do seu, do meu, do nosso, do rabo de todo mundo. De biscatear a esmo e sem endereço e sem hora pra voltar.

“Saudade do seu rabo” dá também nome ao encontro itinerante caravana do Biscate SC e eu não sei se poderei ir no maior deles (pelo menos em previsão) em São Paulo. E isso me faz ter saudade já desse encontro que nem rolou ainda, mas que promete muito e promete muita biscatagi.

Enfim… #SaudadeDoSeuRabo :/

Lucia, Biscate-Honorária

E foi, foi no ritmo dos festejos do #BiscaTour2013SaudadeDoSeuRabo estação Bêagá que encontramos. Biscate-Honorária. Ou melhor, fomos encontrados, por uma dessas biscas improváveis que andam por aí, quietinhas, desapercebidas e, quando resolvem nos encontrar, dão aquela felicidade: Lucia.

Sarinha, Augusto e Quel, com Lúcia, só na biscatagi!

Sarinha, Augusto e Quel, com Lucia, só na biscatagi!

Assim veio Lucia. Vendia caixinhas de papel, que não nos interessou, mas ela insistiu, puxou conversa. Conhecia sotaques, cidades, falava da biblioteca Pública e dos Cachorros, mas principalmente de Bianca (porque é branquinha) que não está no vídeo.

Vídeo? É, vídeo! Procura aí, disse ela. Eu to na internet!!! E procuramos. E lá estava Lucia. Contando sua história de vida em um documentário. Uma verdadeira celebridade das ruas, cuja felicidade era que os outros soubessem de sua existência e de seus cachorros, aparentemente sem dar a importância devida às dimensões de suas palavras.

Lucia, perguntamos, quer tirar uma foto com a gente? Vamos te colocar de novo na internet! Mas é???? surpreendeu-se ela. Mas onde? No Biscate Social Club, Lucia. Você agora é Bisca-Honorária! Gostei disso! Posso mandar as pessoas procurarem? Claro que pode, Lucia! Você agora é nossa!

E como boas biscas que somos, aqui estamos compartilhando a história da linda da Lucia, no documentário dirigido pelo Sérgio R. Oliveira. Pela biscatização das Bibliotecas Públicas e contra o preconceito à pessoas de roupa suja, Bandeiras da querida Lucia.

Biscas do Brasil, se forem de ou a Bêagá, vejam Lucia, conversem com Lucia. Vejam Lucia na internet. Vai mudar um pouquinho da vida de vocês!

Beijo, Lucia. Saudade do seu Rabo!

Veja no Link abaixo o vídeo e a release do Documentário!

Lúcia – (Vídeo) Apresentação na EXPOUNA 2012 from ArkCyD on Vimeo.

Este documentário registra a história de Lúcia, uma moradora de rua de 52 anos que, após perder sua mãe, não conseguiu retomar sua vida. Conheceu a rejeição e foi morar em um albergue onde ali teve contato com as drogas. Passou a viver nas ruas, e vivenciou o preconceito que existe contra os moradores de rua. Vive atualmente em sua “mansão de papelão” na Avenida Álvares Cabral no centro de Belo Horizonte com seus cães. Apesar das dificuldades, Lúcia não perdeu o desejo de aprender, conhecer e viver.

Como trabalho para conclusão do semestre dos alunos de Cinema da universidade UNA, foi necessário criar um documentário de até 5 minutos usando fotos e apenas 1’30” de vídeo com o tema “Retratos do Brasil Contemporâneo”. Esta é a versão inicial com vídeo, onde montamos antes de criar a versão de fotos. Nosso objeto de estudo se baseou em uma grande pesquisa sobre os moradores até encontrarmos Lúcia, uma pessoa excepcional que tem muita sabedoria da vida e história para contar.
Sergio Renato Direção e Edição
Radija Queiroz Direção de fotografia
Reuel Soares Assistente dir. de fotografia
Lucas Teixeira Direção de arte
Poliana Oliveira Pesquisa e jornalismo
Matheus Valério Roteiro e produção
Filipe Mendonça Captação de áudio
Mateus Mendes Sound designer

“Night in the Draw”
Balmorhea
“Truth”
Balmorhea

Traduzir

Vida de biscate que viaja é foda! Ops, malz! Podia falar foda? Ah, é! Aqui pode. Então.. é foda! Deparar-se com um mundo de possibilidade, de pessoas, de jeitos, de signos, de costumes… E ter que traduzi-los.

Frank Moore - Nascimento de Vênus (Traduzido)

Frank Moore – Nascimento de Vênus (Traduzido)

Traduzir não é simples, requer observação, entendimento, alma aberta a sentir aquilo que se vê, ver aquilo que se escuta, provar aquilo que se ouve e degustar aquilo que se sente. Nem sempre traduzir é bom, mas traduzir é sempre uma experiência!

De viagens e traduções se constrói uma vida biscate… Biscateando de porto em porto, de língua em língua, de sotaque em sotaque, vamos nos permitindo o entendimento, vamos nos provocando a traduzir… Traduzir para participar, traduzir para se juntar, traduzir para não parar.

É nessa vida de bisca-viajante que nos acontece, contudo, o melhor: aprendemos. Aprender é tudo! Aprendemos o outro, conhecemos o seu jeito, a sua forma, seus costumes, daquilo que gosta e não gosta, viajamos por sua fala, sua espécie, sua língua.

Levamos ao outro aquilo que somos e acumulamos nessa viagem biscate e buscamos nele aquilo que possa nos acrescentar, nos modificar, nos compreender. Mas pra isso é necessário traduzir… Estar completamente aberto para absorver, processar e (re)significar toda a impulsão que um lugar novo com pessoas novas pode representar. Precisa fugir do óbvio.

Viajar, traduzir, viajar, aprender, traduzir, libertar, libertar, libertar-se!

É só conhecendo o resto, que nos libertamos. É só traduzindo o resto que nos entendemos.

Por isso, amigues biscates, viagem e traduzam! Libertem(-se) o óbvio, encontrem o novo.  Se joguem nessa arte!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...