Sempre ao Domingos

Ele surgiu nas nossas vidas antes, lá em Mothern e Força Tarefa, eu tava distraída e não reparei muito, mas foi impossível não ficar hipnotizada por ele em Cordel Encantado e assim, pra todo sempre pra gente, um grupo de amigas e amigos noveleiros ele ficou sendo Capitão Herculano ou, simplesmente, Capitão.

Nós somos (sim, não deixaremos de ser) as cangaceiras de seu bando, fãs da sua beleza e da sua interpretação. Porque mais que lindo, era o olhar sincero, doce, forte que encantava. Ele estava inteiro nos seus personagens.

E em poucos papéis: o Capitão,  Paulo Ventura, Zyah, Mundo, Miguel e Santo ele interpretou brilhantemente homens que tinham um pouco dele: idealismo, ética, amor, sinceridade, dúvidas, alegria. Um homem comum e simples e nos encantou pra sempre.

A vida quase nunca é como queremos e o levou muito mais cedo do que seria desejável, a gente vai sentir saudades pra sempre, mas nada que se compare a dor que os seus sentirão. Um pequeno consolo, talvez, é realmente pensar que virou protetor do rio. Outro: lembrar que o ator nunca morre, pois sua obra se eterniza nas imagens que deixa e ele deixou um legado até breve na tv, embora inesquecível, e um grande legado no teatro e arte de ser palhaço.

E esse texto é só pra dizer obrigado por tudo,  obrigado principalmente pelo Capitão, pelo Mundo e pelo Miguel, que amei tanto e você fez tão lindamente. Domingos Montagner, sua estrela vai brilhar pra sempre, um beijo das cangaceiras e das noveleiras e noveleiros.

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Fico

Então, fico. Mais um pouco, mais um dia, mais um tempo. Mais. Mais pele. Mais fogo. Mais suor, pernas encaixadas, mais língua, gosto, gemido, mais nós. Mais coração acelerando o ritmo, mãos modelando carne, olhos mergulhando em olhos. Mais perto. Mais.

 

Fico. Deixo a mochila encostada na porta da rua, lembrando que a despedida será. Alerta do café que esfriará na xícara enquanto o pensamento passeia por manhãs em comum. Anúncio antecipado dos dias que escreverei saudade com lápis para poder apagar em papel o que não se apaga em tesão. Avisando o bem querer com calendário.

 

Fico sabendo que já não somos. Que é um puxadinho. Fico apesar de. Da passagem comprada. Do projeto acertado. Dos dias que estavam certos de ser. Fico sabendo que não engano o relógio, não engano a rota, não engano a vida. Não me engano.

 

Fico com a cabeça encostada em teu peito, buscando me ensudercer pelas batidas do teu coração e assim não ouvir o sussurro zombeteiro do tempo. Fico mesmo sabendo os acertos. Os planos. Os contras. Fico mesmo sabendo que você não cabe na minha vida e eu não orno com a sua.

 

Fico e imitamos tão bem a felicidade que sempre sentimos que quase acredito que estar é verbo a ser conjugado no presente. Fico e trepamos. Fico e rimos. Fico e gozamos. Entrelaçamos dedos, acarinhamos rostos, roçamos corpos, prolongamos beijos, como se fosse possível.

 

Fico até que você durma e a dor amanse como bicho selvagem domado. Um equívoco necessário. Fico até conseguir soltar a mão que você segura entre a sua sem que isso cause mais que um gemido desgostoso. Fico até o silêncio passear nos ambientes da casa e entorpecer temporariamente a saudade. Fico até roçar os lábios em seu rosto, inspirar próximo ao seu cabelo, engolir a despedida, pegar a mochila próxima à porta de saída, trancar a porta e passar aquela chave que você nem pestanejou pra me entregar por baixo da porta.

 

Aí, vou. Vôo.

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Todas Essas Coisas Sem Nome – 6o Capítulo

Esse é o sexto capítulo do livro de Raquel Stanick intitulado Todas Essas Coisas sem Nome. Sua primeira, única e artesanal edição encontra-se esgotada.

Os capítulos seguintes serão publicados quinzenalmente aqui no Biscate Social Club.
As ilustrações utilizadas nos posts serão da mesma autora, vindas da série Ceci n’est pas un blog.

Boa leitura!

20

Hoje eu estava só. E segura.

Não lembrava meu nome até a terceira cerveja. Desse tipo besta de segurança. Eu fiquei triste, homem, e eu não soube me defender. Não teve sarcasmo, nem ironia, nem aquele meu orgulho – dos quais te davam orgulho de me ter ao teu lado. Porque empinava o queixo, as costas e o peito.

É, eu fraquejei. Estou cansada.

Você não me ama mais, eu sei.

Mas tenho que te contar de alguma forma.

Hoje eu liguei para uma amiga, pedindo para que ela me desse apenas um único motivo para não apertar nenhuma tecla naquela porra de celular que não fosse definitiva. Porque de você não quero resultados. Quero os problemas.

Não liguei. Porque eu não saberia o que dizer, porque não quero que você me guie via Embratel. Mas e agora, como dizer que não quero o que não quero?

Por que continuo te escrevendo mesmo sem resposta?

Você vai ser o referencial sempre? Porque você é sempre, lembra, meu amor? Lembra?

Se eu responder por você, estarei contando a verdade?

Ah, eu ainda quero saber, porque estou só. Tua voz. Quero me saber na tua voz.

Qual tem sido o teu caminho? O que você tem feito? Você nunca tropeça ao pensar em mim?

(link pro prefácio e primeiro capítulo)

(link pro segundo capítulo)

(link pro terceiro capítulo)

(link pro quarto capítulo)

(link para o quinto capítulo)

Amar

Não existe saudade mais cortante
Que a de um grande amor ausente
Dura feito um diamante
Corta a ilusão da gente…
(Zé Ramalho)

A vida é curiosa, passo tanto tempo tentando entender como funcionam os sentimentos, quando na verdade, só preciso sentir. Eles não são para se racionalizar, pelo menos, não pra mim.

Estou em casa!

Estou em casa!

Essa sexta e esse sábado que passaram, me dei conta do que é ser puro sentimento, sem racionalidade, um simples passeio ao centro do Rio de Janeiro, encontrar pessoas que me marcaram num passado distante e voltar a um local que, até hoje, enxergo como minha casa. Esses momentos me fizeram ver que o tempo não apaga sentimentos, eles ficam latentes, esquecidos no cantinho do meu coração, até a pessoa ou um local reaparecer, aí tudo volta com força!

15 anos depois! (parte da) Turma de 1999 :)

15 anos depois! (parte da) Turma de 1999 :)

Amar é tão simples, é tão fácil e é tão surpreendente. Eu me surpreendo com os meus sentimentos todos os dias. Me surpreendo com como posso amar tanto, num tamanho sem fim, às vezes, um amor que dói, às vezes, um amor que cura. Dói quando vemos o sofrimento de quem amamos, sem poder fazer nada para ajudar. Cura minhas tristezas quando vejo minhxs amadxs felizes.

Nostalgia e lágrimas! Um pedaço da minha infância do lado de fora da janela do ônibus!

Nostalgia e lágrimas! Um pedaço da minha infância do lado de fora da janela do ônibus!

Tem amor que me surpreende, recebo uma notícia, a pessoa cheia de dedos, achando que pode me magoar, me conta algo que só faz amar mais e se sentir orgulhosa por amar essa pessoa. Pessoas que nem esperava compreensão, me auxiliando quando mais preciso! Amigxs antigxs voltando para a minha vida com toda força e importância.

Sou feita desses sentimentos, amar é o que faz de mim tudo o que sou, da cabeça aos pés, sou puro amor.

How I wish
How I wish you were here
We’re just two lost souls
Swimming in a fish bowl
Year after year
Running over the same old ground
What have we found?
The same old fears
Wish you were here
(Pink Floyd)

A saudade, o calor, a falta de grana e o preconceito

Por Niara de Oliveira

Ou… Estou me guardando pra quando o outono chegar

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Tempos bicudos, esses. Muito distante do meu habitat natural, tenho sérias, seríssimas dificuldades em me achar nesse espaço de agora. A dificuldade em me achar não me é estranha, mas não me saber nesse lugar incomoda demais. Faltam as pessoas conhecidas para encontrar por acaso na rua, e os “quanto tempo!”, “como vai a tua mãe?”, “ainda moras no mesmo lugar?” acabaram se tornando tão importantes quanto os rostos, ruas, casarões, esquinas e — óbvio — bares familiares.

Nesse calor do Ridijanêro pouco sobra de energia para qualquer coisa após o trabalho, cuidados da casa, filho. Dia desses lendo a Lu falar que são os sonhos pequenos que a fazem feliz (não era bem isso, mas foi assim que entendi), fiquei a me perguntar onde andariam os meus sonhos, grandes ou pequenos… Onde estão os meus sonhos? Nesse calor, querides, se perdem facinho. O cérebro amolece junto com o corpo e tudo se esvai. Cá estou eu, no subúrbio aguardando a tão desejada chuva em mais um final de dia… Esclareço: chuva não é sonho ou delírio. É necessidade, concreta, para suportar o dia a dia nesse pedaço “privilegiado” do inferno, abandonado até mesmo pelo diabo (dizem que foi passar férias em praias mais frescas do Caribe). E ainda tem os outros calores que estão fazendo um carnaval com meus hormônios… Sim, acho que estou entrando na menopausa. (spoiler!)

Se eu tivesse um ar condicionado, mais ventiladores, pudesse morar numa rua mais arborizada… O subúrbio do Rio é devastado, e nas lajes que tentam aliviar o sufoco das moradias precárias e ampliar um pouquinho o conforto só o que cresce é cimento, nenhuma árvore é plantada, nem mesmo em vasinhos. Falta de grana está diretamente ligada à precária qualidade de vida na “cidade maravilhosa”. Mais que uma cidade partida é uma cidade desumana para seus moradores — o Freixo tinha razão.

Além de rebaixar a qualidade de vida, a falta de grana te expõe mais aos preconceitos. E aqui me reservo e preservo o direito de não relatar pormenores. Porque dói se expor tanto, embora a necessidade de desabafo seja premente.

A saudade e a sensação de não pertencimento, o calor e a impossibilidade de sonhar com ele, combinados com a falta de grana e essas pressões e opressões cotidianas colocaram minha biscatice em xeque… Sou biscate, mas não estou biscate. Chuif.

Quem sabe quando chover e arrefecer um pouco, tudo o mais fique menos pesado… Quando é mesmo que começa o outono?

Saudade do seu rabo…

Por Niara de Oliveirarabo

Essa expressão ficou conhecida após serem divulgadas gravações de conversas telefônicas do pastor aquele que está preso. Mais do que uma história engraçada, revela a hipocrisia de um falso moralismo que permeia nossa sociedade, e é mais engraçada justo por esse componente.

Adotamos imediatamente entre xs biscates que compõe e escrevem para esse clube. Porque usar o que evidencia a hipocrisia é um dos nossos esportes preferidos. O outro, o top dos esportes, é biscatear mesmo. E “saudades do seu rabo” evidencia isso: saudade do rabo de alguém(s), saudade de biscatear.

Estou tomada por essa saudade. Saudade do seu, do meu, do nosso, do rabo de todo mundo. De biscatear a esmo e sem endereço e sem hora pra voltar.

“Saudade do seu rabo” dá também nome ao encontro itinerante caravana do Biscate SC e eu não sei se poderei ir no maior deles (pelo menos em previsão) em São Paulo. E isso me faz ter saudade já desse encontro que nem rolou ainda, mas que promete muito e promete muita biscatagi.

Enfim… #SaudadeDoSeuRabo :/

Sábado azul de saudade

Meu Vinicius de Moraes
Não consigo te esquecer
Quanto mais o tempo passa
Mais me lembro de você
Cadê meu poetinha?
Cadê minha letra, cadê?
E morro neste piano
De saudade de você
(Tom Jobim)

Hoje é dia azul, e dia de saudade. Essa saudade de você estar aí, de eu poder pegar o telefone e te ligar, e falar umas besteiras, de eu te mandar um email e você responder tirando onda, de eu estar andando na rua e de repente ligar e perguntar “posso dar uma passada?” – porque passar era sempre bom, a gente sentava e tomava um café, a gente aprendia juntos a entender novos significados, a reinterpretar e inventar antigos.
A gente ria. Sempre a gente ria.

Hoje é sábado, dia azul. Tá lindo lá fora. E eu com saudade. Com falta de poder falar com você. Ironia, sal, humor ácido. Café, mesa de madeira, e – a gente ia descobrindo – um mimo. Um chocolatinho. Um pedacinho de queijo, “prova só”. Algo pra gente se sentir em casa. A sua casa que você tinha botado abaixo e remontado desde o osso. Uma casa em que dava vontade de ficar, onde a gente se sentia confortável. Eu tirava o sapato, sempre. Tirar o sapato é sintomático: é marca. Não era dessas casas em que os donos pedem para você tirar o sapato: era eu que ficava com vontade de ficar descalça. Tinha o tapete. Tinha o chão em que eu gostava de sentar. Sua casa, do seu jeito.

Sua vontade de aprender, seu destemor em mudar. Mudar a vida toda, de repente, quando entendeu que não era mais aquilo. Todo mundo te achando louco. E você achando graça. Tudo de novo, outra forma de fazer, outra linguagem. Tudo zerado. Aquilo que dizem que não dá para fazer. Mas tem gente que vai lá e faz. Faz e pronto. Como você, que fez e pronto.

Como você, que continua fazendo tanta falta. A sua rua continua lá pra me lembrar que não dá mais pra subir, que não dá mais pra tomar um café. Os livros? Fiquei com eles. Herança. Você não ia ligar, tenho certeza.

Sábado azul. Sábado azul de saudades. Chega aí. Vamos falar besteira. Tirar o sapato. Tomar um café. Um café com risadas.

Das preguiças: Cativar por quê?

Meu problema hoje talvez não seja um problema biscate, talvez seja. Ou, vai ver, seja um apenas reflexo. Cativar…

De uma maneira geral, eu quero que Saint-Exupéry vá à merda… Isso mesmo! Esse negócio de responsabilidade ETERNA pelas pessoas que cativamos… Que merda é essa? Não tomo conta nem da minha vida direito, vou ter que cuidar daquilo que plantei em quem está longe; ou perto e afastado; ou perto e não quero ver; ou longe e quero esquecer; ou não está?!? E eu? Sim, essa é a pergunta! Quem é que quer saber se os meus grilhões estão postos? Pois é… só eu…

- Cativas? - Não, brigado

– Cativar?
– Não, brigado.

 

Desculpe se cativei… Sim, se criei um cativeiro sentimental, fraterno, amoroso, ou sexual… a culpa é sua! Não, não foi minha intenção, ou foi, mas agora já passou… Sério, não andou… não me quis, não queremos, ou não queremos mais, acabou antes de começar. Ou começou, rendeu e agora decidi que acaba… Sim, decidi. Porque a escolha, agora, é só minha… quando foi nossa, não rendeu, faltou liga, cola e todos aqueles clichês das histórias de tias velhas, novas e que ainda vão nascer.

Platonismo não me serve, querer “longe, de mim distante” pensando “onde irá seu pensamento” não cabe no meu Eu disponível… Minha pegada pragmática, empirista, não consegue esperar ausência, nem presença frouxa. Me cativar vai muito além de me colocar em uma paixão louca, em uma amizade efusiva, em uma chave de pernas… Me cativar é saber me entender e ter a disposição de me aturar. Não, não sou o ser que pede 100% de atenção. Aliás, primeiro passo fora da minha realidade…

Melhor dica? Pra me encantar? Não se esforce… É, é sério, minha veia biscate não aguenta esforço. Nasceu na preguiça do dia a dia e contra ele morrerá! Situações criadas, vontades arranjadas, expressões colocadas como algo a se louvar, não aturo… Gosto do que gosto e é à primeira vista, do primeiro jeito, num primeiro julgamento… Minha “análise” sempre mostra que é assim, ou a regra e três se encarrega do resto… portanto, não se esforce… Jamais tente ser comigo uma linha daquilo que não foi antes, com a mesma força daquilo que foi antes…

Exato! Se começou brusco, é para terminar brusco, se começou brando, assim vai terminar… Síndrome de Gabriela? Talvez, mas por um tempo curto… Quando quero mudança, ela é conversada… Sim, relacionamento se muda pelos dois lados. Palavras? Quem sabe?! Mas que razão de ter saído alguma coisa para além daquele primeiro olhar foi que palavras não eram necessárias, muito menos atitudes, ou falta delas… Isso mesmo, sou difícil. É na minha dificuldade, insensatez, tacanhice que construo tudo que não quero, e tudo que decido que fará parte de mim… O que quero? Olhares me mostram, por muito ou pouco tempo… e meu olhar também demonstra… o resto é preguiça.

Sim, preguiça. Porque acho chato sentir compaixão, acho demais sentir pena e insisto em não guardar rancor, raiva, ou qualquer outra coisa que crie amarras… Há muito decidi me libertar disso… Também não guardo alegrias não cultivo paixões e não carrego amores… vivo-os, assim na malemolência mambembe do simples querer. E é por isso que não quero saber de cativos… quero livres… livres para vir e ficar, para vir e partir, nunca e a toda hora, seriamente ou na brincadeira, nunca na mente ou premente, só vigente. Só espero que nossos olhos digam e que nossas cabeças acenem… é simples! Um “venha cá” ou “adeus” são bem fáceis de entender… Só não cative nenhuma parte disso. Esteja e seja comigo enquanto quisermos e é só… Não quero na minha saudade mais uma prisão!

A amnésia dos outros

Oi, um minuto do seu tempo? Serei breve. Não por preguiça ou desleixo. Mas é que estou num dos meus raríssimos momentos de objetividade.

Aconteceu que alguém, depois de alguns meses sem manifestar qualquer sinal de vida, me mandou um e-mail…

“Esqueceu de mim?”

tempoLogo eu, que por várias vezes, tentei manter contato. Tentei, juro. Tentei de todas as formas permanecer com essa amizade. Mas sabe como é, né? A tal da “correria diária”, essa danada, não deixou. Muito mais por parte dx outrx do que da minha, mesmo estando eu trabalhando quase 10h/dia e estudando…

Não duvido da falta de tempo das pessoas. A vida num anda lá uma coisa muito fácil para todo mundo. Eu mesma enfio os pés pelas mãos de tanto que corro às vezes. Contudo… “Perder” uns cinco minutinhos do seu dia, de vez em quando –  ou de vez em sempre – mandando uma mensagem de carinho para uma pessoa querida que, por ventura, não esteja por perto f*de tanto assim com a sua rotina?

Não quero fazer deste texto meu muro de lamentações particular. Talvez, eu esteja sendo  muito severa. Ou tenha criado expectativas demais com um laço afetivo que eu achava que era mais intenso. Mimimi biscate, pode ser. É que quando eu gosto de alguém, eu faço o possível para estar presente, mesmo com uma distância física que me impeça de dar as caras ao vivo e em cores. Entretanto, quem sou eu para querer e esperar que o outro sinta do mesmo jeito?

Só acho chata essa maneira de puxar assunto, sabe? Me acusar de amnésia e me culpar pela falta de contato. Cobrar de mim mais atenção do que eu já dei. Quem é que aguenta dar murro em ponta de faca a vida toda? Se você sabe onde eu moro, se você me tem nas redes sociais, tem meu telefone e sabe de boa parte da minha rotina, por que espera que só eu te procure? Qual a lógica disso?

tempo

eu nunca lembro de esquecer

Se fosse há um tempo atrás, eu acharia que o que estou dizendo é um orgulhozinho básico. Num é. É tristeza mesmo. Dói saber que quem um dia você tanto considerou parou de importar-se contigo (importou-se algum dia?). Faz parte da biscatagi  admitir que em um determinado momento, você sentiu duramente a falta de alguém. Mas também faz parte da biscatagi não sofrer por uma pessoa que pagou com desprezo o seu afeto sincero.

Por mais difícil que pareça: demonstre, ainda que brevemente, o quanto você gosta de um amigo, de um parente, de quem quer que seja se você sente isso de verdade.  Se alguém parar de te procurar, reflita quantas você vezes não deixou essa pessoa esperando. Será que só os outros estão com esses lapsos de esquecimento?

 

Ser biscate é…

Por Niara de Oliveira

… não ter vergonha nenhuma na cara!

Minha avó Carolina dizia que mulher tinha que ter vergonha na cara e à boca pequena dizia que mulher só tinha que ter vergonha na cara.

Vou dar uma ideia para vocês da minha sem-vergonhice ou da minha descaração e do que estou falando. Estou em falta com o BiscateSC e desde que comecei um novo trabalho em meados de julho deixei minha parceira na gerência dessa bagaça pendurada no pincel e solita. Antes fosse pendurada noutra cousa, né Lu? Não faço ideia se vocês estão sentindo minha falta (tinha que ter um mimimi…), mas eu — depois de um estresse básico e de querer ficar um pouquinho afastada mesmo — estou morrendo de saudade da biscatagi por escrito. Claro, porque da outra biscatagi eu não largo nem a pau (aliás… bem… cês entenderam, né?)

Não é que falte inspiração para escrever, mas é que estou num momento estranho e profundo da biscatagi sobre o qual ainda não consegui escrever.

Aí, tentando dar uma curva na-falta-de-saber-o-que-escrever, resolvi perguntar no feicibúqui (clica para conferir) e no tuíter (clica para conferir) o que era ser biscate para cada amigue. Buenas, as respostas foram quase todas na mesma direção e nenhuma me satisfez. Teve ainda a linda da Bárbara que sugeriu essa trilha pra noite de ontem e se dispôs a me ajudar depois de algumas cervejas (adogo!)… Mas, ela também foi na direção contrária do que eu (não) estava pensando — Aproveito, sendo muito cara-de-pau, para convidá-la a escrever como nossa biscate convidada. Vem, Bárbara!? — Obrigada também a Márcia, Amana, Clara, Vivi, Jeane, Tati, Tania, Mônica, José João, Daniela, Ginga, Renata, Luciano, Moses e Cris. A todos também fica o convite, afinal essa casa está sempre de portas e pernas (ui!) arreganhadas para quem quiser entrar.

Mas, voltando à vaca fria… A inspiração não veio, meu dia foi atropelado pela agenda doida de trabalho e eu não consegui descobrir um aplicativo para postar (ainda bem!) o rascunho péssimo que rabisquei no ônibus no trânsito engarrafado de hoje de manhã pelo celular. Só consegui parar em frente a um computador agora (30/08, 16h31) e saiu esse desabafo.

Achei melhor ser sincera — porque biscate diz o que pensa e o que sente –, reconhecer a minha falha e declarar minha saudade da biscatagi escrita.

… e morrer de saudade!

Agora, dá licença que tem amiga biscate na cidade me chamando para tomar cerveja e eu não resisto.

Beijo, me liga!

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