Um Certo Moço Não Precisa Ser o “Moço Certo”

Obrigada, moço, por chegar. Pelo riso. Pelo bom. Pelo simples. Pelo cigarro, a cerveja, o tesão. Obrigada pela conversa fácil. Pelo antes. Pela fome. Pelo desejo direto. Pelo acolhimento da minha vontade. Por pedir. Por dar. Pelo movimento. Obrigada pela ausência de disfarce, de medo, de reserva. Pela malícia. Pela saliva. Pelo depois. Pelos filmes, pelo bocejo, pelo cansaço e a modorra. Pela piada da câmera. Por falar das borboletas, não como quem sabe, mas como quem se importa. Obrigada por não esperar certezas. Por não pedir promessa. Por não afirmar. Por não dizer futuros, mas indicar um amanhã possível em qualquer dia de corpo quente. Obrigada pela pergunta que me vê. Pela piscadinha de olho. Pelo beijo estalado. Obrigada por chegar. E partir.

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(depois daqui deve ter spoiler de Private Practice e de uma temporada bem antiga de Grey´s Anatomy, mas ainda é spoiler anos depois?)

E aí eu lembrei do Sloan e do vínculo dele com a Addison. Eu não sei se vocês assistiram Private Practice, provavelmente não, mas não tem importância, eu conto o que interessa pra vocês. Tem a Addison, uma mulher por volta de 40 anos, profissional de sucesso, vida amorosa agitada depois de um divórcio conturbado. Tem o Sloan, um dos melhores amigos da Addison. Eles tiveram um relacionamento enquanto ela era casada, terminaram, ficaram um tempo afastados, reconstruíram a amizade. Ele tem por volta de 50 anos e acabou de terminar um namoro com uma outra mulher, bem mais jovem que ele, porque tinham planos de curto prazo diferentes.

Daí tem essa cena de Private Practice em que está tudo bagunçado na vida da Addison e na do Mark Sloan e eles estão se sentindo velhos e tristes e perdidos. Ela acabou de descobrir que grande parte das coisas que acreditava sobre sua família, seus pais, coisas que norteavam seu comportamento e relações, estava equivocado. Ele teve uma guinada afetiva, acabou de reconstruir um vínculo com a filha e passou a ter planos mais estáveis e definitivos pra vida, mas por isso acabou se separando da pessoa com quem estava envolvido e que, nessas voltas e ironias dos processos, foi justamente quem o inspirou a ser uma pessoa mais entregue, comprometida e disponível.

Com afeto e cumplicidade, conversam sobre coisas/momentos que poderiam funcionar para amortizar a dor. Porque é preciso sentir, mas também é preciso descanso. Repouso. Conforto. Aí ele vai e tira a roupa e se oferece pra ela. Porque, diz ele, não sabe muitas formas de amenizar o que ela sente, mas isso eles podem fazer juntos. Porque é divertido. E eles fazem sexo porque é divertido e bom e amigável. E acolhem um ao outro na medida do possível. Sloan, que saudades de você.

Eu gosto imenso da sinceridade com que eles falam um com o outro, da forma como ele se coloca disponível e aponta seu desejo de encontro, da lucidez e da cumplicidade com que sabem que o sexo pode ser transitoriamente reconfortante. Algo que adormece a dor, o mal-estar, a tristeza. Não como resposta, que resposta não há. Como respiro. Como intervalo possível. E depois eles riem. Eles riem juntos. Eles gargalham.

Addison, que mulher! Vale a pena conhecê-la. Vale a pena ver a série e encontrar uma médica ginecologista e obstetra que de forma ativa se coloca do lado da escolha das mulheres no que se refere ao seu próprio corpo, seja uma gestação, um relacionamento ou um aborto. Vale a pena ver como ela se pergunta, se inquieta, mas segue insistindo, coerente com a fome que a move. Gosto de como a atriz a interpreta, colocando força, inteligência e sensualidade sem precisar disfarçar, justificar ou validar que uma mulher deseje, pense, trabalhe.

Pra terminar com alegria, um vídeo da Addison se divertindo um bocado (e me lembrando que legal a liberdade sexual da personagem sem que sejam feitos juízos negativos de valor sobre sua integridade, sua capacidade profissional, etc)

O rebuceteio exala sexo

E O Rebu começou quente, edição cinematográfica, cortes rápidos, fotografia caprichada (cargo de Walter Carvalho, responsável por Madame Satã e Lavoura Arcaica, entre outros).  É remake de uma novela de Bráulio Pedroso, considerada inovadora em sua época pela narrativa em três tempos já que tudo se passa numa noite, o crime acontecido numa festa, no dia seguinte a esse crime e na sua investigação, o que leva a fatos passados.

O título é uma referência à expressão criada por Ibrahim Sued, famoso colunista social, para “rebuceteio”, que significa aglomerado de mulheres bonitas ou confusão.  Por exemplo, esse blog é um rebuceteio. 🙂

foto: GShow

Angela, personagem de Patricia Pillar

A estética de O Rebu me lembra muito Walter Hugo Khoury, cineasta brasileiro que gostava de sexo nas classes altas. Tudo muito sacana e muito chique, claro, pobre sacana nunca é chique, é no máximo engraçado. A série respira sexo. Até agora não sei quem pega quem, acho que todo mundo pega todo mundo, na verdade. Patrícia Pillar está linda, divina, um olhar matador, inclusive acho que ela está também querendo me pegar toda vez que ela olha pra tela da tevê. A mulher está exalando sensualidade.

foto: GShow

Duda (Sophie Charlotte) dança para Antonio Gonzalez (Michel Noher) durante a festa

Tem gente que tem dúvidas sobre a relação de Patrícia e de Sophie Charlotte que faz sua filha adotiva na série. Olha, não é a gente que tá maldando a coisa, é a série que tá exalando sensualidade pelos pixels da tevê. Juro. Acho que é só carinho de mãe e filha mesmo (ou não, sei lá, todo mundo nesse jogo aí guarda mil segredos loucos, não boto nem meu mindinho no fogo).

Jesuíta Barbosa, um dos garotos sex appeal do momento está na série, é gato, e ótimo ator, e essa semana nos brindou com uma linda cena de ménage com ninguém menos que Camila Morgado que faz uma socialite muito doida e inconsequente.

O sexo na série não é reprimido, as mulheres são sexualmente livres (como todas nós deveríamos ser, né?), mas acho que isso se deve ao ambiente social da série, a classe média alta. O único momento mais repressor veio da policial, interpretada por Dira Paes, membro da classe média baixa, como deixou clara a ambientação da cena da casa da personagem. Também não há por parte do público reclamação quanto ao conteúdo sexual explícito da série nem ao comportamento de homem, e em especial, das mulheres mas acho que devido a baixa audiência e ao horário da série (depois das 23 horas).

O fato é que um sexo livre e bacana na tevê parece ser ainda um privilégio da elite branca numa estética bem glamourizada.  Quanto ao resto da série perdeu um pouco de ritmo, vamos ver se com as investigações engrenando as coisas fiquem tão boas quanto a trilha sonora.

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