Vai um feijão com arroz aí?

Por Mayara Melo*

– hum, que delícia…
– é, tá muito bom…
– hummm…
– é por isso que contesto quando alguém se refere a sexo morno como “feijão com arroz”…
– hein?
– ouxe, puta injustiça. Tem coisa melhor que um feijão com arroz bem feito?
– é, vale mais um bom feijão com arroz que um strogonoff meia boca.

Mais ou menos esse o diálogo que estava tendo com Niara, enquanto nos deliciávamos com um belo prato de feijão com arroz, durante o almoço. Duas biscates falando de comida… hum… tinha que descambar em “séquissu”, né? Mas é que são duas das coisas mais delícias de fazer na vida, né?

Afinal, o que leva a comparação infeliz de sexo sem graça com o imbatível feijão com arroz? Será que as pessoas estão com dificuldades na cozinha? (Se for, a biscatagi aqui resolve já o problema. Compartilharemos dicas pra fazer um feijão com arroz orgástico, tá). Porém, desconfio que a questão possa estar relacionada ao que chamo de exacerbação da pirotecnia sexual. Particularmente, sou super chegada a “invencionices”, acho mesmo que pra sentir e dar prazer vale usar todas as fantasias que pintarem na cabeça. Sou fã de produtos de sex shop, lingeries, filmes eróticos, gelzinhos, etc e tal. No entanto, hoje, vou fazer a defesa do sexo sem fru-fru. Justamente por acreditar que não devemos ter regras pra transar, acho que sexo bom não precisa de efeitos especiais o tempo todo.

Nossa, como é gostoso estar de cara limpa, com aquela roupinha básica de todos os dias e, de repente, observar um olhar de desejo e – mais repentinamente ainda – você e a outra pessoa já estão jogadas na cama (ou no chão ou na rede, enfim). Você não precisou vestir nenhum vestido arrasador ou usar mascara do zorro, nadinha. Ou então vocês estão ali vendo um filminho qualquer e, quando menos esperam, já tem uma mão naquilo e um aquilo na mão e bocas e…ahhhhhh…delícia. Tão gostoso quanto ter liberdade pra fazer as mais de 300 posições do kama sutra é poder fazer também um papai-e-mamãe gostoso sem ficar se sentindo sem graça. Acho mesmo que a super valorização das “pirotecnias” podem causar sentimentos de insuficiência. Ao mesmo tempo em que carregamos toda uma história de opressão e normatização do comportamento sexual das mulheres, não paramos de ser bombardeadas por mensagens que dizem que devemos ser “máquinas sexuais”. Basta passar numa banca e dar uma olhada nas capas das revistas femininas. Manchetes como “Enlouqueça seu homem 24h por dia”, “Testamos 77 posições do Kama Sutra pra você”, “30 novos produtos que prometem esquentar sua vida sexual” pipocam por todos os lados. É provável que isso provoque certa frustração nas mulheres que não estão a fim de passar todos os dias da vida pensando numa nova mirabolância sexual e sensualizando até na hora de escovar os dentes (ah, acho que isso cria insegurança nos homens também, mas isso é assunto pra outro post).

Precisamos descobrir o que realmente nos dá prazer, para além das performances. Já que somos biscas, podemos nos satisfazer com uma bela putaria (no melhor dos sentidos) ou com uma baita sessão de feijão com arroz no capricho. Por que não? Afinal, biscate é uma mulher livre pra fazer o que quiser, concordamos?

Ah, mas vai que o problema daquela comparação inadequada é com os pratos que estão sendo servidos por aí, né? Bom, nesse caso, segue uma receita infalível pra você fazer seu próprio feijão com arroz. Dizem que é a combinação mais saudável e fortificante que existe. Então, alimente-se bem pra curtir a noite. Já dizia Virginia Woolf que “Não se pode pensar bem, amar bem, dormir bem, quando não se jantou bem.” Aproveite a dica e se farte no jantar de hoje.


Feijão preto
Não tem mistério nenhum fazer um feijão preto de responsa. É só fazer com empenho, vamos lá? Lave bem 1/2kg de feijão e depois coloque numa panela de pressão com 2 litros de água e duas folhas de louro. Depois que a panela pegar pressão, deixe cozinhar por 30 minutos. Peguei outra panela e refogue uma linguiça calabresa cortada em rodelas e cubinhos de bacon. Vá adicionando cebola, alho, pimentão verde, pimentão vermelho, cebolinha e um tablete de caldo de feijoada dissolvido. Misture tudo, jogue o feijão dentro e deixe cozinhar por mais 15 minutos. Pronto, é só isso. Não tem errada, o importante é temperar e só.

Arroz branco e soltinho
(como foi a Niara que fez essa parte da combinação, a dica é dela)
Não interessa quanto de arroz queres fazer, só é preciso seguir a proporção: Para cada xícara de arroz, uma xícara e meia de água. Serve para uma xícara ou quinze. Sempre dá certo. Coloque água para ferver. Quando estiver quase fervendo, coloque numa panela óleo ou azeite (eu gosto de misturar), a quantidade de arroz que vais fazer, sal (a proporção é mais ou menos meia colher das de sopa rasa de sal para cada xícara das de chá de arroz) e misture bem. Leve ao fogo e acrescente a água fervente na proporção de uma xícara e meia de água para cada xícara de arroz. Mexa bem, e deixe ferver com a panela semi-tampada até secar a água, baixe o fogo ao mínimo e tampe a panela e deixe cozinhar uns cinco minutos e desligue. Deixe a panela assim, fechada por mais uns dez minutos. É nesse período que o arroz termina de inchar e soltar.

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* Mayara Melo é um cearense apaixonante e apaixonada pela vida e pelo sol. Publicitária, feminista, de esquerda, trabalha junto a organizações da sociedade civil e movimentos sociais, é ativista dos Direitos Humanos, ambientais e indígenas e mestranda no Programa de Meio Ambiente na UFC. Você pode acompanhá-la em seu blog ou pelo tuíter @Mayrores.

Manteiga, gel ou vaselina? Vontade!

Para a receita de hoje separe muita manteiga (sem sal), gel à base d’água, vaselina ou outro ingrediente da sua preferência. Só não invente muito, lembre-se que no dia seguinte você precisará sentar.

Até que Norma Lúcia me ensinou uma coisa. Não. Duas coisas. Não. Três coisas. Primeira coisa: no começo, na iniciação, por assim dizer, tem que ser de quatro, requisito absoluto para a grande maioria. Segunda coisa: tem que dizer a ele que venha devagar. Ou, melhor ainda, dizer a ele que espere a gente ir chegando de ré devagar, sempre devagar. Terceira e mais importante de todas: relaxar, relaxar, mas relaxar de verdade, soltar os músculos, esperar de braços abertos, digamos. É um milagre. Foi um milagre, na primeira vez em que eu segui essa orientação simples. Daí para gozar analmente – não sei nem se é gozo propriamente anal, só sei que é um gozo intensíssimo – foi só mais um pouco de vivência, with a little help from my friends, haha.
….
Depois que aprendi, naturalmente que tive de procurar esse namorado meu – esqueci o nome dele agora, Eusébio, qualquer coisa por aí – e dar a bunda a ele, não podia morrer sem fazer isso. Dei numa festa de aniversário da então namorada dele, num sítio onde é hoje Lauro de Freitas, eu também era levadinha.

Este trecho de A Casa dos Budas Ditosos, do João Ubaldo  Ribeiro, devia ser de leitura obrigatória. Tipo, educação sexual, mesmo.

Como “dar” o cu. Ou como comer um cu.  Sim, é cu mesmo. Não vamos usar eufemismos. Cuzinho, de forma carinhosa e dando a deixa para trocadilhos infames.

Quase todo homem gosta, e insiste muito, e quase toda mulher diz que não gosta, pelo menos socialmente, e não dá (será?). Então, você amiga biscate que ainda não deu e pensa em experimentar ou para você amigo leitor querendo ser comedor de cu, fique atento às dicas. Porque vídeo “ai, que susto” só faz rir e não foca no principal… Vontade!

Então, a receita biscate de hoje:

Marlon Brando e Maria Schneider na famosa cena da “manteiga” (sexo anal não-consensual), no filme Último Tango em Paris de Bernardo Bertolucci

Excitação. Tesão. Vontade.

Essenciais. Sem isso, nem pense! Homem para comer um cuzinho tem que deixar a dona (vou falar de um ponto de vista de mulher, certo?) dele com vontade de dar. Louca, alucinada, tremendo. Com tanta tesão que perde o pudor e manda a porra do controle social que diz que não pode, não deve, pras cucuias.  Com tanta vontade que até oferece, mesmo que sem palavras. E aí, é preciso um bom entendedor.

Não é chegar metendo, jamais! Nem mesmo com o dedo. Se for bruto, sem aviso, sem preparo, não é sexo, né, gente, é violência, poxa.

Relaxar é importante, também é requisito. Não ter medo nem nojo.

Sugiro, no entanto, que ao invés de começar de quatro, comece de bruços, com um travesseiro apoiando o ventre ou de lado, na posição de “conchinha” ou “colherzinha”. Se for começar já de quatro, que seja apoiada em um banco, ou no encosto do sofá, ou de joelhos no chão, apoiada na cama, ou… tá, já vi que entenderam o espírito da coisa.

Lubrificação. A natural, da mulher bem excitada, pode não ser suficiente. Um bom lubrificante é necessário e deixa tudo mais gostoso. Só não invente muito. Na dúvida, o bom gel à base d’água.

A penetração tem que ser devagar, bem devagar, nossa, bem devagar mesmo… ai.
Dói? Dói, um pouquinho, uma dor fininha, macia, se é que isso se aplica. Mas acho que você sabe que se aplica…

Colocar as duas mãos, abrindo as polpas da bunda, porque enrabar e ser enrabada por um pau é uma arte. Sentir o peso de um corpo quente, pressionando meu corpo contra o colchão, mãos que se juntam às minhas em carícias, a respiração ofegante no meu ouvido, meus gemidos abafados pelo travesseiro…

Finalizando a receita: dar é conceder. Não é obrigatório. Não é obrigação gostar, e nem mesmo tentar, especialmente se você não tem a menor vontade, e vai “tentar” só para agradar alguém. (Só digo que, bem, experimentar novas possibilidades pode ser incrivelmente gostoso…)

*música tema: Rita Lee – Lança Perfume “me deixa de quatro no ato, me enche de amor…”

A Bunda, que Engraçada

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica
Não lhe importa o que vai pela frente do corpo.
A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda, redunda

(Carlos Drummond de Andrade)

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(dicas mais práticas, visite o blog da Leticia Fernandez, neste post específico)

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Post de UTILIDADE PÚBLICA, de autoria coletiva do BSC.

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