Meio Dia

Por Xênia Melo, Biscate Convidado

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Muitas coisas me passam pela cabeça. Volta e meia durante o dia me pego refletindo, quando estou a fazer algo do cotidiano, sei lá, escovando os dentes ou respondendo um email, penso quem serão as pessoas a fazer sexo naquele momento? A contingência da vida nos leva a crer que os casais transam à noite. Antes de deitar, depois que os filhos dormem, depois da janta, quando os corpos já cansados da jornada diária resolvem se aproximar, o pé gelado que teima em não aquecer nesses dias de frio. Juntam os casais os corpos à noite. Qual idade tem esses corpos? Gosto de pensar sobre repartir o ordinário da vida, e isso inclui o sexo, inclusive aquele sem muito movimento e emoção, mas que encaixa, até quando a paixão já não é mais tão combustível e dá espaço aos lençóis que há um tempo não aquecem mais. Tem os casais as mais variadas idades, os que acabaram se de conhecer e aqueles que dividem décadas juntos. Quem serão as pessoas que trepam nesse exato momento em que escrevo, em que você lê, será hoje dia de semana?

Tenho pra mim que os amantes se encontram ao meio dia, não sei se li isso em algum lugar, ou se é habitado pela ideia de que os encontros acontecem nos intervalos possíveis do dia, sem mudar a rotina da vida própria. Quantos amantes haveriam hoje na cidade? Onde e como fazem pra se ver? Há quanto tempo desfrutam dessa relação? Me interessa o corpo das outras pessoas, me interessa o que fazem deles. Se estão a se permitir violar costumes, se apenas vivem platonicamente suas paixões, se empurram esse desejo para algo distante.

Era meio dia, e você me esperava fumando um cigarro, eu estava sem comer, mas minha fome era de você, eu sinto o gosto salgado do seu corpo já cansado na minha boca, era disso que tinha fome, de um corpo sem banho que já fez muita coisa pela manhã. Era assim que você aparecia, já sem graça, pedindo desculpas por estar suado. Eu queria na verdade era que você me comesse em público ali mesmo, havia perto uma praça. O dia estava lindo, fazia sol, sua jaqueta era suficiente a evitar que as formigas da grama nos atingissem, não era necessário tirar toda nossa roupa, abaixamos as calças, e você metia em mim sem esperar muito qualquer umidade dos nossos corpos, foi na pressa e seco, ardia, mas havia urgência e receio de que fossemos pegos, debaixo das árvores e do dia que insistia em brilhar. Você gozou, eu não, às vezes me assustava e me excitava a forma bruta que me tratava em alguns momentos. Rapidamente levantou e fechou as calças, me alcançou a mão para levantar. Eu ainda processava a rapidez daquela transa e o ardor do meu corpo. Mas não, isso tudo foi na minha cabeça enquanto esperava você terminar o cigarro e subirmos. Não estamos dispostos a arriscar e perder nossos segredos. De toda forma não tínhamos muito tempo, decidi abrir mão do almoço para que você me comesse, nossa fome era outra.

Na porta você já tirava a minha roupa, mal consegui trancá-la, sequer chegamos no quarto, eu nua, você ainda não, me coloca na mesa e metia ali mesmo, com urgência, sem um único beijo. Eu me assusto com sua pressa, sequer perguntou se eu estava bem, você tinha fome e desejo por mim. Isso me excitava. Minhas pernas doem e amortecem por conta da pressão contra a mesa. Peço para irmos para cama, você me carrega montada no seu pau, me aperta com força contra a parede e continua a meter em pé, profundamente. Me sinto pequena e impotente perto de você, parece contraditório mas eu gosto, gosto de estar à deriva,  gosto que você saiba que sou vulnerável quando estou contigo. Gosto que você decida sobre o sexo, que me surpreenda. Você não precisa de muito, sua presença é o suficiente para que me deixe molhada e excitada, ainda que eu consiga ter atenção a uma infinidade de coisas outras. Quando estamos perto o tesão é sempre presente, e isso é bom. A parede está gelada, e seu corpo ainda vestido é incapaz de me aquecer. Digo que tenho frio e você me carrega para o quarto, me joga na cama sem muito cuidado, e me chupa com a habilidade de quem há muito faz isso. Meu corpo já não mais sente frio, está consumido pelo tesão que de certa forma não sei traduzir. Você não parece nem um pouco interessado em tirar sua roupa, fico pensando se esconde alguma cicatriz, se será só pressa ou distração por estar tão concentrado no meu corpo. Volta a me comer e ergue minhas pernas contra meu peito, vai tão profundamente que sequer consigo gemer, você me ocupa de tal forma que mal consigo respirar. Olha pro seu pau entrando em mim, seu quadril se movimenta com tanta destreza que me chama atenção. Me pergunto como você me sente, se a mim você parece tão grande e delicioso, qual sentimento te ocorre? qual o desejo que minha vagina te provoca? E o meu corpo? Só agora você faz contato visual comigo, já muito suado, sinto seu rosto pingar sobre o meu, sorri, de certa forma envergonhado. Acho excitante isso, o quanto consegue ter consciência corporal mas ao mesmo tempo carregar uma timidez singular. Toca o despertador, parece que o tempo está a nos dar uma rasteira, há ainda muito desejo pra um tempo que já se exauriu. Você apenas fecha seu zíper, me beija o rosto, se despede. Pergunto se não me acompanha num cigarro, pega o que havia acabado de acender, dá um trago, diz que está atrasado para um compromisso. Me beija a boca, diz tchau e deseja uma boa tarde, eu sorrio.  Levanto, como a comida requentada da geladeira, tomo um banho, canto sozinha uma musica desafinada no chuveiro. Penso na cidade e nos amantes que habitam sobre ela.

xênia*Xênia Mello é arretada e não tem papas na língua. Apaixonada, combate com o coração exposto. Advogada, corajosa, meiga e persistente. Não perde a oportunidade de sensualizar no feminismo, biscate burocrática, rata no Chinês, capricórnio quando teimam. Insustentavelmente leve e de mansinho.

Mortas vivas

Foto da linda série "Geliefden – Timeless Love”, feito em 2004 pela fotógrafa Marrie Bot (http://www.marriebot.com/)

Foto da linda série “Geliefden – Timeless Love”, feito em 2004 pela fotógrafa Marrie Bot (http://www.marriebot.com/)

E eu não me permito morrer em vida.

Achando que ser igual é normal.

Ser chata é a regra.

Ser medíocre é opção.

E ser diferente é loucura.

Estou velha, mas viva. Diva. Viva vovó !

O que querem é que a gente vire poste sem luz. Que sirva pro xixi dos cachorros que precisam continuar a demarcar território, mas deixe de satisfazer qualquer  outra função. Deixe de subir no palco da vida e brilhar. Pare de aprender. Chega de procurar !

Como se já não bastasse  o antigamente atrelar a menopausa ao final de vida.

A morte.

Secou.

E portanto está proibida de qualquer outra manifestação sexual e corporal que não seja a depressão, os calores e as mudanças de humor. Ficar velha e decrépita. No way. Acabou. Mudou mesmo.

Claro está  que o ser humano busca sempre a procriação e biologicamente a mulher após a menopausa perde essa capacidade através de seu momento hormonal. Graças!! Delicia!

Prazer não tem nada a ver com fisiologicamente a manutenção da espécie.

Velha não está morta num caixão. Como suas células te dizem, o seu prazer começa na cabeça, que está pouco se lixando pros seus números. Depende de como você a alimenta. Acrescentando dados, cores, vontades, curiosidades.

Não encontrei nenhuma relação com essa subserviência determinada culturalmente ao meu corpo e a minha idade.

Na hora do êxtase, foda-se o número  que você carrega. Você é só uma fêmea. Selvagem. Afinal o corpo é burro e te vê com 30 anos quando você já tem o dobro.

Não tenho tatuagem de data de validade no meu corpo.

Então, vale o  fuk fuk. E gritar no auge. E sentir o calor subindo quando uma boca te chupa com eficiência. E se saber totalmente preenchida pelas sensações que o seu corpo não deixou de sentir.

Crocheteio, tricoteio e cozinho com prazer mas adoro comer um belo espécime também . Fantasiar é o meu carteado. E, no chá das 5, falar do que eu descubro é muito mais prazeroso que falar da atriz de novela garotona e durinha que “consegue” pegar todos !

Até eu, Onofre!

Quero ver ter toda essa bagagem que a minha casca carrega e se jogar na pista.

Bem fazemos os que deixamos o corpo saciado, cansado, suado e a adrenalina a mil.

E ainda damos motivo pras conversas dos mortos vivos em todos os velórios.

Captura de Tela 2016-08-15 às 14.06.36Isabel Dias é uma administradora de 50 e tantos anos que vivia numa cidade do interior até descobrir que seu marido, com quem era casada há 32 anos, tinha outros relacionamentos. Divorciou-se, mudou-se para São Paulo e começou uma jornada de auto-descoberta, narrando num blog (trintaedois.com) sua redescoberta sexual. Os textos foram editados no livro “32 – Um Homem Para Cada Ano Que Passei Com Você”. Após a publicação, ela segue dando palestras e se comunicando com mulheres de todas as idades que passam por situações semelhantes.

Elevador, de novo

Leia o post Elevador da Lis Lemos, aqui

Reparou no moço sentado esperando o elevador. Era o mesmo. Era o mesmo? Olhou primeiro no espelho do hall, as mesmas havaianas indignas, uma saia indiana mais sambada que a Sapucaí, camisetinha branca e os grampos de sempre. Seis. Tirou o olho do arrependimento no espelho e confirmou: era ele. Bonito, barba, bronzeado, cabelo grande. Talvez um pouco mais curto que no encontro passado. Talvez. De novo ao telefone, de novo um recado ambíguo: estou chegando. Em casa? Uma visita? Não, não era vizinho, quase um ano lá, muita falta de sorte se não cruzasse mais vezes com ele – cruzasse, rá, pensa bobagem, ri alto, ele levanta a cabeça, atento, ela queria desviar o olhar, acaba mergulhando no dele, que bonitos que são, escuros, sombrados por olheiras.

Oi. Pra ele sai tão fácil. Porque ela foi rir? E agora, o que responder. Repetir o oi? Comentar o tempo? Que droga de cidade na linha do Equador onde o tempo nem serve de conversa fiada. Ele insiste: já nos vimos no elevador, não? É preciso desengasgar a timidez ou serão 21 andares de mico. Levanta a cabeça, acena, sorri, sim, nos conhecemos aqui. Ele estende a mão. Aquela mão enorme que notou desde a primeira vez. O elevador chega. E agora? Elevador, mão, elevador, mão, isso, aperta, morna, gostosa, áspera, o elevador fecha a porta, sobe, ele ri: perdemos. Não solta a mão. Opa. Faz um carinho na palma, como era mesmo que sua avó dizia? Pedindo um beijo. Bonita, sua mão. A voz faz cócegas no ouvido. Gostosa. Sente a pele arrepiando e o mamilo enrijecendo. Camiseta branca sem sutiã. Que idéia, que idéia. Obrigada e levanta os olhos que não encontram os dele, dessa vez, atentos que estão aos mamilos enrijecidos. Ela esquenta mais, aperta a mão dele sem notar. Nota. Puxa a mão, baixa a vista e encontra a calça de moletom dele, marcada.

Respira fundo, impressão, impressão. Ele ainda está falando mas ela não escuta, ocupada com o sangue quente, a palma suada, a perna mole, o tesão. O elevador que chega, vazio. Ele faz um gesto, ela entra na frente, ele encosta a mão nas suas costas, gentil, ela lembra: a câmera está quebrada, porque ela está pensando nisso agora, para de repente no meio do elevador, ele esbarra, as portas se fecham, nenhum dos dois se afasta. Ela sente a respiração morna dele em seu pescoço, sente o roçar do pênis pressionando a calça de moletom e sua surrada saia indiana. Tenho que fazer alguma coisa, tenho que fazer alguma coisa. Um andar, outro.

elevador

Estende a mão pra trás. Aperta o botão do seu andar. Meio de costas, volta a mão no pescoço dele. Deixa escorregar, peito, barriga, pau. Afaga. Puxa enquanto dá dois passos em direção ao fundo do elevador. Ele segue, as mãos já embaixo da camiseta branca sem sutiã. Ele beija o pescoço, o ombro, a barba macia acentuando a carícia. Puxa os bicos dos peitos, dá um peteleco. Ela espalma as mãos na parede do elevador e esfrega a bunda com força no quadril dele que já deixou uma das mãos encontrar o caminho e passar fácil pela saia e pelo elástico frouxo da calcinha. Sente o dedo, firme, roçando o clitóris. Quarto, quinto, se o elevador parar em algum andar? Respira, respira, ela tenta lembrar mas arfa enquanto ele continua, ritmado, a massagear e estimular. Ela sente a calcinha encharcando, a outra mão dele deixou os seios e aperta a sua bunda, os dedos firmes marcando seu rabo, explorando a fenda, insistindo, empurrando, ela se empina mais, ele mergulha o indicador na buceta encharcada e começa a enfiar, gentil e firme, no cu. Que andar, que andar, ela não sabe, ela sente os dedos na buceta, no cu, no clitóris, por todo lado, quantas mãos enormes ele tem? O pênis se esfregando no lado da coxa, a boca aberta sugando o ombro, ela arfa, ela goza, ela goza, ela goza. Ela geme, as pernas trêmulas. Ela sente o vazio. Os dedos se afastando lentamente. A porta do elevador abrindo. Ele se encosta em um dos lados, mantendo o elevador no seu andar enquanto ela arruma as roupas e tenta se segurar em pé sem o apoio das paredes do elevador. Olha pra ele que chupa, com ar satisfeito, os dedos.

Da próxima vez me dá um beijo? Ele diz. Ela sorri, marota, e pensa, zoando a si mesma: não ando dando essas liberdades pra qualquer um. Ele pisca, desconcertado com a gargalhada livre que ela dá. Ela fica na ponta do pé, morde a orelha onde balança o brinco e sussurra. Da próxima vez eu dou… o beijo. Sai sem esquecer de rebolar e sem olhar pra trás enquanto o elevador fecha, suave, a porta. Vermelha, satisfeita, vê confirmada sua hipótese: sua cidade não precisa de mais prédios, precisa é de mais sexo.

Trilha Sonora Para…

musica-sexoMúsica pro vuco-vuco, pro rala e rola, pra vem minha nega, pra pode vir quente que eu estou fervendo, quem tem? Essa foi a pergunta que fizemos pras leitoras e leitores do nosso clubinho e que rendeu uma lista incrível.

Tem aquelas músicas que só de ouvir dá aquele comichão por dentro, né? Trilha sonora pro roça-coxa, pro esfrega-sfrega, pro roça-roça, pra chamegar. Música que ajuda no arrepio da pele, no umedecer e esquentar das partes.

Algumas vezes é uma canção que lembra um alguém ou um encontro específico. Outras invocam a imaginação, provocam os desejos adormecidos e aí… ah, não tem jeito. Tem música que lembra sexo, simula sexo, dá vontade de fazer sexo.

A gente pensa em striptease, devagarzinho tirar a roupa e chutar os pudores? Pois tem Joe Cocker pra apimentar a brincadeira….

 

Ah, o lance é o comecinho, acender o fogo, preliminar divertida, sexy, sensual? Toca Rihanna:

 

Prefere algo menos pop, AC/DC cai como uma luva:

E nós não fugimos do clichê, nós abraçamos o clichê, colocamos o clchê na roda e o celebramos. Ainda mais essas que parecem perfeitas na composição de qualquer cenário… Mesmo quem não sabe francês, já imagina o que Serge Gainsbourg e Jane Birkin estavam fazendo aqui:

 

E pra mostrar como o clichê pode ser uma delícia, chega mais com Bruce Springsteen

 

E a música brasileira também dá (opa) sua contribuição para engrossar o caldo das musiquinhas que pedem pele na pele, língua na pele, língua na língua e volúpias mil. Como não pensar em Cavalgada, de Roberto Carlos, na voz maravilhosa da rainha Bethânia?

 

Ainda com Bethânia, é só tocar que acende tudo, que deixa tudo morno e pronto, hein:

E se alguém está pensando que só tem coisa antiga nessa vibe, olha aí, somos um clube antenado com as novidades musicais e coroamos essa playlist biscate com essa delícia chamada Johnny Hooker:

 

Não vai tirar a roupa hoje a noite, não tem namorado, flerte, encontro inesperado, tinder dando sopa? Faz mal não, pense numa sanfona, pense em Gonzaga, pense em forró, pense em Alceu. Só o clipe já vai provocando uma quentura bem biscate..

 

Super Sincera?

Patati, patatá, rala e rola, rola e rala e pá: gosto de tudo contigo. Huumm, lambelambe, cheiracheira, esfregaesfrega, sim, sim, sim. Gostas de tudo comigo? chupchup, sleptslept, nhaminhami, uma reflexão breve: até agora, ventos a favor. Pode até acontecer um: aí não, ainda não, agora não, assim não. Pode. Mas não aconteceu ainda e tá tão bom… sim, sim, sim, gosto de tudo contigo. E mais vuco-vuco, mãonaquilo, bocanaquilo, aquilonaquilo, tudonaquiloaomesmotempoagora, aaaiiii, seriãoquenegózibom, sou todo teu. Ops. Todo? Meu? Possessivos sendo empregados assim tão a sangue-frio? Ui. Mas, né, seriãoquenegózibom, quegostoso, quedelícia, seriãoquenegózibom, é dele ele dá pra quem quiser: ok. Meu, meu, meu, mais, mais, mais, hhhuuuummm, isso é até legal. Estou gostando. És toda minha? uóoonnn, uóoooonnn, alerta vermelho, alerta vermelho, todos os sistemas são suspensos automaticamente. És toda minha, querida? [pausa] [silêncio] [e agora: dizer que sim só pra não bagunçar a brincadeira que está tão boa? abraçar a causa da liberdade e reafirmar posição dizendo não, sou toda minha, quem você pensa que é? propor um meio termo razoável: escolha aí duas ou três partes pro seu usufruto exclusivo e o resto eu uso como me aprouver?] suspira, geme, geme, enche a boca pra disfarçar, fim da pausa, reinício do patati, patatá, rala e rola, rola e rala, lambelambe, cheiracheira, esfregaesfrega, vuco-vuco, mãonaquilo, bocanaquilo, aquilonaquilo, tudonaquiloaomesmotempoagora… é tudo meu, mas você pode gozar do que conseguir agarrar agora.

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Os homens hétero e a linha de demarcação

Sentar em mesa de bar com uma penca de homens cis hétero acima dos 50 é ter que ouvir uma infinitude de piadinhas sobre a última ida ao urologista, o peso nas costas e similares.
Aí você pode sorrir e esperar passar (mas demora…..).
Ou você pode questionar, e vira barraqueira.

McSorleys

Escrevi isso como status de feicebuque, e, à medida que recebia notificações, fui olhando pro texto e lembrando. E situando. E organizando, pra vir escrever aqui. Não era esse o objetivo – era apenas desabafar algo sobre a minha noite. E não se enganem: a noite foi ótima, foi agradável, foi divertida….  Falou-se de política, da nossa conjuntura líquida e tremelicante…. Era com amigos, pessoas queridas…. Mas teve isso.

Teve isso, tem isso. Isso faz parte. E, no caso, a mesa realmente só tinha homens acima de 50 anos. Mas arrisco dizer que, se fossem mais jovens, talvez não fosse tão diferente. As piadas poderiam ser outras: mas o conteúdo simbólico não iria mudar tanto assim. Homens hétero juntos: esse tipo de piada é tão corriqueiro.

Como comentei depois, o episódio – como tantos outros envolvendo grupos de homens –  me lembrou um filme do Claude Chabrol chamado “La ligne de démarcation”. Não achei o título em português, mas a tradução é ao pé da letra: “A linha de demarcação”. O filme é sobre uma cidadezinha francesa que, durante a ocupação alemã na segunda guerra, acaba sendo dividida em duas, uma parte ficando na zona alemã, outra na francesa. Pois então. Assim me parece o cotidiano dos homens cis hétero brasileiros (digo brasileiros porque me parece que aqui isso é particularmente marcado): uma eterna demarcação de zona. A hétero, em que se encontram, e o “lado de lá”. O “dos outros”. Arriscado e perigoso “lado de lá”. 

As pessoas da mesa certamente diriam (como disseram) que não têm preconceito, que estão do lado dos direitos dos homossexuais, que até têm amigos que…. E no entanto, fazem essas “brincadeiras”. Essas piadinhas. Todo dia, o tempo todo.

Em algum lugar já comentei que ser homem hétero é eterna vigilância. Como sentar, como andar, o jeito das mãos, a entonação da voz…. As roupas, o lenço (nunca jamais em tempo algum), as cores, o corte de cabelo… canso só de listar. Nunca saberia ser homem hétero, sério. Esse homem hétero padrão. É claro que existem outros, que fazem diferente: mas esses sabem que estão sujeitos a ouvir permanentes piadinhas sobre a roupa “de viagem”, sobre o jeito, sobre as cores. Sobre o que são, sobre aquilo de que gostam.

E, mesmo numa mesa dessas, em que, além de três mulheres, só havia homens hétero, uma boa meia hora se passou à base das piadinhas. Que giravam todas em torno do cu apertado. Apertadíssimo. Tão apertado que os dentes até trincam, imaginem. Deve ser difícil também, deve haver algum tipo de exercício específico pra manter o cu tão apertado. dessa demarcação. De como eram homens-machos. De verdade. De como estavam do lado de cá, e não do lado de lá. E por isso as piadinhas.

Fico pensando na educação que gerou isso. No “isso é coisa de maricas”, no “homem não chora” e tantas outras mais. Fico pensando na coragem de quem ousou assumir sua homossexualidade diante desse panorama. Nos motivos de quem não ousou. Porque não queria contar para os amigos de infância. Porque não queria perder esses amigos. Porque não queria decepcionar o pai. A mãe. Os irmãos. Tantos motivos pra não dizer.

Cheguei até aqui no texto e me deu vontade de chorar. Lembrei do Jean Wyllys que vive naquele ambiente inóspito da Câmara dos Deputados. Do que ele deve ouvir todo dia, toda hora. Da coragem, da firmeza.

Do momento em que ele se descontrolou diante de um crápula que exaltava um notório torturador da ditadura militar.

E acabo o texto aqui, porque acabou por conta própria, com uma homenagem a ele: Jean, seu cuspe foi nosso também.

E um recado amigo:
Homens cis hétero brasileiros, melhorem. Melhorem muito.

imagem daqui.

Além do que se pode ver

Nós temos cinco sentidos. Aprendi na escola, cantando uma musiquinha com coreografia sobre nariz, boca, etc. Claro que não lembro mais da musiquinha e muito menos da coreografia. Sei dos sentidos. Cinco. Mas vivemos em uma era da imagem e, a reboque, o domínio da visão. Uma vez passei uns meses sem nenhum espelho (nem no banheiro, nem na bolsa, nenhunzinho mesmo) e as pessoas ficavam muito impressionadas. Como eu conseguia viver sem me ver?

Ser visto faz parte da construção de nossa subjetividade. É importante. Estrutura. Conseguir se ver também é mais que uma metáfora poderosa. Mas ficar limitado ao que pode ser visto costuma imobilizar. Essa situação se agrava, a meu ver, para as mulheres, a quem se imputa o lugar de enfeite, a demanda de beleza e perfeição estética.

Grande parte das mulheres cresce e vive insatisfeita com seu próprio corpo. Não porque ele lhe prive de alguma experiência específica, mas porque ele nunca parece bom e belo o bastante.  Aprende-se a espreitar com lupa as supostas imperfeições: olha lá a celulite; menina, engravidei agora o peito vai ficar cheio de estrias; gente e essa barriga? essa papada?; não posso mais acenar que balança tudo; olha só estou com cara de velha; alguém sabe um creme pra esconder olheiras? Eu poderia continuar indefinidamente, o corpo feminino parece inesgotável na sua capacidade de estar errado, isso porque nem cheguei em coisas como cor das axilas e plástica na vagina.

E é cada vez mais acessível a fixação desses supostos erros. Bem à mão estão cada vez mais máquinas que nos permitem captar e reproduzir imagens e espaços para cristalizar essas imagens. Filmadoras, máquinas fotográficas, câmeras nos celulares, televisão, youtube, outdoor, favorecendo o escrutínio público e a insatisfação particular.

Como resposta a esse desassossego sobre como nosso corpo (a)parece o que surge é a possibilidade de escamoteamento: sutiãs com enchimento, bundas complementares, cremes que disfarçam, cirurgias plásticas, photoshop. Dicas para tirar fotografias: deixa o braço longe do corpo pra afinar, tira foto de cima pra baixo (ou é de baixo pra cima?) pra não evidenciar o queixo, inclina o tronco não sei pra onde, estica a perna sei lá em que direção.

Eu não estou imune a isso e não é com superioridade que escrevo esse texto. Mas por uma série de fatores que nem vale a pena tentar re-conhecer, eu aprendi algumas coisas sobre meu corpo e a relação com ele que me fazem  bem e decidi partilhar.

Meu convite é pra gente de vez em quando fechar os olhos. Literalmente. Não é um convite do tipo “seja seu próprio padrão de beleza” ou “ame seu corpo” nem nada assim. Sei bem demais que viver é relacional. Que a estrutura garante que quem não se enquadra fique à margem. Que não haja roupa nas lojas, cadeiras nos aviões ou catracas que não constranjam. Que os empregos, os romances, os passeios, tudo pareça um pouquinho mais distante e difícil quando o que vêem de nós é algo que não se submete nem se limita ao que foi definido como aceitável.

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Meu convite é um pequeno convite à subversão. Tomar um banho se ensaboando lentamente, longe do espelho, deixando as mãos descobrirem curvas, veredas, permitindo-se sentir o prazer do toque. Cheirar o próprio pulso, o sovaco, a calcinha. Lamber os dedos. Sentir o gosto do próprio suor. Deitar nua na cama e rolar pra lá e pra cá. Sussurrar seu próprio nome muitas e muitas vezes e usufruir da sua própria voz. Gemer. Gente, gemer é ótimo. Massagear o pé. Comprar um daqueles ganchinhos e coçar suas costas. Passar o dia sem calcinha nem sutiã. Dançar pelada, deixar tudo balançar. Usar os outros sentidos e aprender sobre nós mesmos além do que aparentamos.

Meu convite é que a gente se permita ser conhecida também em braile. Que a gente se permita ser ouvida, lambida, tocada, esfregada, cheirada. Que com esse corpo que é sentido, não só visto, só então, com esse corpo fresco, redescoberto pelos outros sentidos, encostar no outro, esfregar-se no outro, entregar-se pro outro, pros sentidos do outro. E aí, quando estivermos em espelhos, vitrines, fotografias, possamos perceber o corpo não apenas no que ele falha, mas no que ele oferece e proporciona. Em todos os sentidos.

Oferta

O que eu te ofereço é uma cama de lençóis frios e um corpo quente. Um passeio de mãos dadas. Pés descalços descansando no teu colo. Um copo pros dois. Um sorvete provado nos teus lábios. Um abraço em que a gente se esquece nele. Mãos bandoleiras. Uma vitrola, um disco. Ou dois. Um despertar com desejo, um amanhecer de ternuras, demorar-se na cama em cafunés. Um café. Outro. Mais. Uma cerveja na esplanada, esquecendo o tempo. Uma conversa que não começa nem termina, com silêncios expressivos e gargalhadas ruidosas como pontuação.

O que te ofereço é viagem. Ausências. Uma saudade do que não teremos. Uma vontade de mais. Viver mais, trepar mais, saber mais, rir mais. Entontecer um pouco.

O que te ofereço é fazer supermercado junto, implicar com os gostos um do outro, brindar o possível, enroscar o teu cabelo entre os dedos enquanto nos recostamos no sofá e ouvimos música ou vemos um programa bobo na tv. Um telefonema no começo da noite só pra dizer: dá uma chegadinha na janela e olha a lua. Um cartão de aniversário feito de recortes de revista. Uma mensagem no celular com um trecho inteligível de Lacan. Uma carta sobre nada, só pelo prazer de tuas mãos tocarem o mesmo papel que as minhas.

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O que te ofereço é uma companhia na cozinha, tempo e fogo, temperos, os sentidos se aguçando. Uma taça de vinho. Um cheiro no cangote. Um álbum de fotografias. Uma mordida no nariz. Encostar a cabeça em teu peito, enlaçar mãos e chamar pra dançar um bolero. Sem música.

Brincar com teus bichos. Ler teus livros. Esquecer um sutiã no teu armário. Bagunçar teu armário. Lavar a louça. Morder teu dedão. Cutucar. Te agarrar de repente. Te devorar lentamente. Mandar mensagens absolutamente banais em horas pouco apropriadas. Nudes. Da alma, quase sempre.

O que te ofereço são beijos. Molhados. Rápidos. Demorados. Na boca. Na pele. Sugando. Lambendo. Suave. Forte. Com pequenas mordidas. Ou grandes. Em despedida. Em reencontros. Em descobertas. Virtuais. De saudades. De promessas. De convites. Beijos.

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O que te ofereço é companhia no trânsito, um fim de semana na serra, um ombro encostado no teu ombro no cinema, uma pipoca dividida, a escuta das miudezas cotidianas, a acolhida das dores quase esquecidas que se fazem inesperadamente presentes e imensas.

O que te ofereço é termos uma canção. Ou duas. Um fim de semana. Ou dois. Ou mais. Um lance. Um romance. Um rala e rola. Um rolo. Um gozo. O relógio sem ponteiros.

O que te ofereço é um abismo. Um mergulho. Um vôo de trapezista. Sem rede. Também conhecido como primeiro encontro.

Fodidos

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Porquejánãoestádandocertoentrenóseeuachomelhor… ele falava rápido, meio sem fôlego, emendando palavras. Pra que eu não argumentasse, talvez. Pra convencer. Alguém. Eu. Ele mesmo. Nosso público imaginário. Eu lembro Verissimo. Quase rio. Temos sempre uma platéia por dentro. Dentro. Vazio.

Depoisdetantosanosjuntosprecisodescobrirmaiscoisassobremim… ele ainda fala. Eu aceno. Menos concordando do que incentivando que ele continue. Ele gagueja, na poltrona baixa, meio inclinado pra  frente, as mãos como em uma prece. Eu, retinha na cadeira da mesa de jantar. O ângulo de 45 graus lembrava uma sala de terapia. Ah, os pequenos hábitos. Ao Verissimo na minha cabeça se juntam Pedro Cardoso e Debora Bloch e colocam um meio sorriso na minha boca. Eu interrompo: nunca assistimos Veja essa Canção juntos. Ele me olha, confuso. Nãoqueromaistempo, ele diz, eu meneio, não era isso, eu não acompanho direito o que ele diz, ele não adivinha o que eu penso.

Ascoisasentrenósnãosãomaisasmesmas… entre nós. Entre lençóis. Entre. Venha. Penetre. Eu sempre fui capaz de pensar em sexo a partir das coisas mais corriqueiras. Ele fala, eu vejo os lábios, a ponta da língua e começo a sentir o bom e velho fogo na periquita. Fico úmida. Meladinha, era como diziam no tempo em que ele não passava tempo se despedindo de mim mas me fodendo.

Éclaroqueeuaindagostodevocêesperoqueagentepossaseramigo. Claro, eu digo e me levantando devagar, um passo, outro, ele levanta a cabeça, pode continuar falando, ele continua, amigosvamosseramigos, eu levanto a saia e tiro a calcinha. Oquevocêstáfazendo… um passo, outro passo, pernas abertas, me lambe. Encosto o corpo no rosto dele, ele inspira fundo meu cheiro de tesão. Ele ajoelha. Eu puxo os cabelos da nuca. Ele sopra. Ele sempre sopra, antes. Praafastaralabareda, ele dizia. Ele diz. Ainda diz. E sopra. E deixa a língua passear. Enche a boca de saliva. Molha. Lambe. Vai, vem, o nariz faz cócega, não é cócega depois dos 15, eu lembro, eu gargalho. Ele afasta a cabeça e diz: depoisdos15. Eu ainda escuto. Ele ainda adivinha. Uma mão, firme, na minha bunda. Tábua de salvação. A outra, vadia por baixo da blusa. Puxa o mamilo. Esfrega. A língua depois dos lábios grandes e pequenos, provoca o clitoris. Firme. Leve. Firme, firme, firme, leve. E deixa e vai brincar de esconder na fresta. Entra sem pedir licença, visita de muito tempo tem intimidades. Um gemido. É meu. Bom. Bom mesmo. Essa facilidade, que pena perder essa facilidade. O pensamento vagueia um pouco, até sentir aquele dedo médio explorando a entrada do cu. Sinto o vazio na hora que ele para de lamber e cospe nos próprios dedos. Aqui e ali e em todo buraco. Findo o vazio. Em todo buraco. Ao mesmo tempo. A perna fraqueja. Bambeio pra frente, ele enfia mais fundo. A língua. Mais. Mais. O dedo. A língua. O outro dedo. Os dedos. O gozo. Morno. Deslizo. O joelho bate no chão frio. A gente nunca comprou um tapete. Agentecompra, ele diz enquanto desabotoa a calça. Eu penso em responder: não mais, mas encho a boca com o pau duro. Faço um vácuo com a boca, ele suspira. Ritmo. Vou e venho, vou e venho, língua, lábios cobrindo os dentes. Estico o braço e enfio meu dedo na sua boca. Ele lambe, um de cada vez. Agora é o meu dedo molhado no cu dele enquanto chupo, firme, gosto como o pau pulsa na minha boca. Sinto o gosto salgado do momento de parar de chupar.

posiçao normal

Deito de lado, ele deita atrás, tão fácil, ensaiado, quase. A camisinha? Eu digo, ele diz, ele escuta, eu adivinho, a gente ri. A gente trepa rindo. A camisinha. A gente trepa. A gente trepa. A gente trepa. A gente trepa. A gente trepa. A gente trepa. A gente trepa até quase esquecer da gente, de tudo, do dito e do que ainda faltava dizer. Quase. A gente goza. Eu, uma, duas, eu gozo no plural. Ele goza. E eu, ainda. Denovo? Não? Simsimsimgozanaminhamãodenovo.

Uma coisa que sempre gostei: o jeito como o pau dele desliza, relutante, pra fora da minha buceta. Pra fora. Saindo. Você foi saindo de mim, devagar e pra sempre, eu canto baixinho. Ele enterra a cabeça no meu pescoço e chora. Não estou desafinando tanto assim, eu penso em brincar, mas calo. Ele chora, uma mão entre as minhas pernas, a outra no meu ombro. Ele escorre no meu pescoço em lágrimas mornas. Eu escorro o prazer passado entre as coxas. Eunãoseise. Sabe. Silêncio. Ainda lembro de dizer: Se você fosse o amor da minha vida e eu fosse o amor da sua vida, a galinha tinha dois pescoços. Ele ri. Verissimo é nossa Paris.

É hora de separar e estamos fodidos.

Toca Sebastiana!

Captura de Tela 2015-12-05 às 11.13.37

Na semana passada li um artigo publicado na BBC Brasil sobre masturbação feminina e no quanto isso ainda é tabu na sociedade. Na Suécia até lançaram, em junho, uma campanha para inventar um novo nome para a “autoestimulação genital feminina” (ufa!). O escolhido foi “Klittra”, fusão das palavras “clitóris” e “glitter”, escolhido entre 200 sugestões recebidas pela Associação Sueca para a Educação Sexual.

A ideia da campanha é estimular a igualdade de gêneros. “Segundo um relatório da educadora sexual americana Debby Herbenick, 44% dos homens se masturbavam duas ou três vezes por semana. Entre as mulheres, essa proporção era de apenas 13%. Já um estudo espanhol, realizado em 2009, indicou que era muito maior a parcela dos homens que dizia ter se masturbado no mês anterior à pesquisa do que a de mulheres (46,9% deles contra 4% delas).”

O texto ainda destaca a influência da religião na busca do prazer feminino: “Nascemos com o corpo organizado para sentir, há funções específicas que são ativadas no momento de receber um estímulo agradável (…), mas as normas culturais e religiosas não permitem que as mulheres desfrutem de sua sexualidade na plenitude.”

A matéria não fala especificamente do Brasil, mas sabemos que não é muito diferente. Com a diferença que lá estão lançando campanha. Aqui, a gente continua sem nem falar muito sobre o assunto. Mesmo em grupos de discussão e rodas de conversa, masturbação feminina não costuma ser tema dos mais corriqueiros. Falamos pouco disso, inclusive com nossas melhores amigas.

Pois dialoguemos aqui. E minha maneira de falar sobre o assunto é começando por revelar que, sim, minha gente, eu me masturbo! Antes, preciso dizer que glitter na xoxota não é exatamente meu ideal de estimulação genital. Embora, sei lá, seja até bonitinho. Mas, tô mais é pruma licka licka, mesmo.

Ilustração de "Garota Sirirca"

Ilustração de “Garota Siririca”

E isso não tem nada a ver com insatisfação sexual. Tem a ver comigo e comigo mesma. E não sou muito dos brinquedinhos, não. Me regalo mesmo é com minhas mãos. E com os meus dedos. Principalmente de manhã.

Estímulos eróticos, como contos, me excitam bastante. Em geral, basta um tiquinho de putaria na web pra me deixar ligada. E, não, não tenho 15 anos. Tenho bem mais. Mas, é isso. Continuo facinha, facinha pra me excitar com bobagem sacana da internet. Ai, se meu google falasse! Estamos aí, tocando campainha desde a mais tenra idade. Poderia dizer que me masturbar me acalma, e é verdade. Me desestressa. Também é. Mas, faço é porque é gostoso mesmo. E dá-lhe tocar sanfona de manhã!

Aliás, concordemos que os suecos pensando que inventaram um neologismo com essa “Klittra” e a gente nem precisou de campanha pra criar a siririca! Até fui atrás da origem do nome. Vasculhei por aí e descobri no primeiro blog recomendado que “siririca” poderia ser, na verdade, “um termo técnico usado inicialmente por médicos pesquisadores do assunto, no qual siririca é sigla para Sistema Individual de Recreação Íntima ao Rostir o Indicador no Clitóris e Adjacências.”

Curioso. Mas, né. Rostir. Sei nem como conjugar na primeira pessoa.

Segundo esse mesmo blog, outra explicação é que siririca seria uma onomatopeia, já que o clitóris é conhecido por alguns como “grilo ou grilinho”. “Algumas pessoas acreditam que o som que o grilo (inseto) faz é resultado de um esfregar de patas. Logo, a siririca seria então uma onomatopéia ao som do grilo esfregando.”

Vai ver é por isso que curto tanto. Vivo atrás do cri-cri-cri da roçadinha!

Me dei por satisfeita com essas explicações e nem segui com a busca. Preferi fazer outras coisas com a inspiração. E dá-lhe lapidar a safira! Só discordo do blog quando fala que a palavra siririca é vulgar prum ato que não é. Mas, gente. Não acho uma coisa nem outra. Antes pelo contrário. É até fofa. E, puxa. Que mal tem se a siririca é vulgar? Será que aqui também teremos que criar um neologismo chique pra boa e velha masturbação?

Tem mesmo que chipar duas palavras pras pessoas se livrarem de seus tabus? Qual seria, no caso, usando a sugestão dos suecos? Glitóris?

:-/

Até a siririca precisa ser sexy?! Pois defendo a ideia de deixá-la o mais natural possível. Isso posto, que não seja extraordinária. Que seja mesmo ordinária. Cotidiana. Feliz. Livre.

Porque aqui, nesse blog, a siririca é a verdadeira sororidade!

Conheça mais de Garota Siririca

A gente vai se esquecendo

E​squeci seu cheiro ou como é sua barba no meu pescoço. Já não sei se nos conhecemos numa sexta ou numa quinta. Se chovia ou se só fazia frio. Quando me esforço ​muito, ​lembro q​ue​ era sexta, chovia e que eu estava no café da livraria. Isso. Foi assim. Mas a lembrança vem meio turva. Já não recordo o cheiro dos livros, tampouco o que estava lendo quando ​te​ vi. Tocava jazz​, eu acho.

A gente foi comer pizza e não lembro se foi você quem pegou na minha mão ou eu que toquei seu braço sem querer. Quando saímos, tremia de frio e você me abraçou. Me convidou pra ir pra sua casa com a desculpa de nos esquentar e eu só saí de lá três dias depois.

​Antes eu conseguia repassar na minha cabeça cada um ​dos nossos gozos, dos nossos beijos, dos nossos abraços. Conseguia lembrar quantas vezes gozei na sua mão, no seu pau e na sua boca. Quantas vezes teus lábios precorreram meu corpo enquanto íamos despertando naquela sonolência preguiçosa. Lembro como era bom dormir com você – ah, isso eu lembro.

​Até uns dias atrás, eu lembrava quantas vezes rimos das piadas sem graça, todas as nossas conversas madrugada adentro, e que sempre aquecia meu nariz no seu pescoço e que você me levava pela mão. ​Lembrava todos os nossos programas em ordem cro-no-ló-gi-ca. Todas as vezes que puxou meu cabelo e cravou os dentes na minha bunda. Agora, mal me lembro se tomamos cerveja ou vinho.

​Hoje, quando fecho os olhos e tento me lembrar do seu rosto, ele foge. ​Já não sei que dia foi aquele em que a brincadeira era você me masturbar enquanto eu continuava a contar uma história e não podia parar até gozar. Era assim mesmo, né? Ou tinha que cantar uma música? Não lembro direito. Estou esquecendo o quanto era bom sua boca nos meus peitos e minha mão fazendo cafuné em você.

Me dei conta que nem uma foto juntas tiramos, que não existe registro no mundo do nosso encontro.Podia ter gravado cada minuto nosso pra poder ver com detalhes agora, pausando, dando zoom, repetindo as falas, igual dizem que será no juízo final. Estou esquecendo e fico aqui espremendo as lembranças, querendo engarrafá-las e guardar num pote ao lado da cama pra sempre poder olhar pra o que a gente foi.

postLis

Sextas de Nova: Especial Xô Crise!

Por *Bia Cardoso, Biscate Convidada.

Olá Amiga-Mulher-Enlouquecedora-De-Homens, já estamos há algum tempo sem nos ver, não é mesmo?

As notícias não são boas, nossa amada Revista Nova mudou de nome e agora é Cosmopolitan, enquanto eu e você continuamos na catuaba, lutando pelo macho bezuntado com inhame de todo dia. Porém, nada de tristeza, pois como diz o comercial de produto de limpeza: estamos aqui pra brilhar! Agora juntaram várias revistas com dicas imperdíveis no Portal M de Mulher e podemos dançar na velocidade cinco da sedução.

Oi? Tô aqui super gata, me querendo muito e enlouquecendo meu homem com essa peruca gigante que virou um casaqueto em dias de frio.

Oi? Tô aqui super gata, me querendo muito e enlouquecendo meu homem com essa peruca de carnaval gigante que virou um casaqueto em dias de frio.

Você podia estar assistindo novela turca. Você podia estar cantarolando alguma música de Wesley Safadão. Você podia estar pesquisando a cura para a volta da calça pantalona curta. Porém, sabemos que tudo que você quer é enlouquecer um homem. O problema é que a crise está aí, afetando também o mercado de relacionamentos, fazendo seu PIB sair pela calcinha, inflacionando suas metas fiscais sexuais. Para resolvermos isso, agarro sua mão e indico 5 matérias que vão fazer seus juros subirem pelas paredes:

– 25 verdades que não contamos sobre relacionamentos longos.

Como diz a famosa pensadora contemporânea, Patricia Guedes: “A linguiça tem que ser muito boa para aguentar o porco inteiro”. Após tanto tempo num longo relacionamento é normal ter crises, mas esses são também momentos de oportunidades para pensar no bacon nosso de todo dia. Portanto, vale lembrar que segundo a matéria, calcinha de algodão e camiseta rasgada só depois de uns aninhos de relacionamento. Vai rolar preguiça de transar porque ninguém tá afim de constituir família. Seu humor e seus problemas emocionais infelizmente não serão passíveis de viver eternamente na gaveta da cozinha. Porém, a dica imperdível para manter a chama do amor acesa está bem no começo: 4. Soltar pum de propósito achando que é engraçado…

– 20 verdades que as mulheres casadas escondem das amigas solteiras.

Imagina uma revista feminina que não promova o eterno embate: casadas x solteiras? Mas nem no sonho maluco do Gugu veremos algo do tipo. Tal qual time de futebol, precisamos dessa divisão para expressar toda inveja que temos umas das outras, não é mesmo? Portanto, pegue seu celular e divida todos os seus contatos entre quem colocou o bambolê no dedo ou não, e siga as dicas para levar sua amiga solteira a mais uma comédia romântica que seu gato terá vergonha de ver.

Entre todas as dicas para ser uma amiga muito chata, do tipo que ganhará mute em todas as redes sociais logo que isso for possível, a melhor é: 3. Aproveitamos quando vocês rompem com seus namorados para sentirmos alívio porque, por pior que o casamento às vezes possa ser, pelo menos não estamos mais procurando alguém com quem sair. Um brinde de cosmopolitam às mulheres que preferem ver as outras na pior para se sentir bem. Tim Tim!

15 dicas para apimentar o ato sexual.

Até que enfim chegamos no momento empreendedorismo com Kama Sutra no Sebrae. Pule o papinho de que o segredo do orgasmo feminino é focar na mente ou que um bom desempenho sexual requer autoconhecimento, vá para o final da apostila e foque nessas duas dicas bem descritivas: 9. Esprema o pênis dele com as paredes da vagina por longos períodos. É infalível para intensificar o prazer masculino. E o feminino também. 12. O sexo oral precisa de técnica para ser executado. Segure o pênis de modo firme. Depois morda delicadamente as laterais. Beije, dê lambidas, faça movimentos de sobe e desce e simule que o engole. Esses são os segredos da perfeição. Realize os movimentos devagar e observe as reações dele. Depois é só jogar tudo na panela com óleo de coco, ferver por meia hora e servir com um purê de mandioquinha. Se você fazia sexo oral com outra receita antes, sinto informar que essa talvez não leve leite.

25 Dicas para fazer qualquer homem delirar na cama.

QUALQUER HOMEM! Eu disse: qualquer homem! A gerente ficou maluca: QUALQUER HOMEM! Se seu homem ainda não está delirando, provavelmente você não está jogando o remedinho certo no café dele. Mas agora tudo dará certo. Depois de estudar a Zona P e de esfregar o suvaco nos lábios do bonitão, decore e salve no celular as dicas mais importantes dessa autoescola sexual: 9. Passe a língua de um lado do pênis e os dedos molhados do outro. O gato terá a sensação de que está sendo beijado por duas mulheres. 10. Envolva a base do equipamento dele com a língua e estimule a cabeça com os dedos, bem de leve. 12. Forme um anel com o polegar e o dedo indicador. Envolva a cabeça do pênis com o anel da mão direita e a base com o da esquerda. Faça os movimentos em direções opostas. Com essas três dicas tenho certeza que você se sentirá numa suruba dentro de um fusca, realizando mais uma fantasia automobilística vintage.

5 dicas para ter um orgasmo mais poderoso.

Vamos continuar com nossas apostilas em mãos nesse maravilhoso Pronatec Sexual. Nesse momento você precisará de uma trena, uma chave de boca, uma lixa, um medidor de pressão e um clipe de papel. As regras básicas são: preparar, provocar, excitar e torturar. Porque se você achou que o orgasmo era pra você, se enganou, Gatuxinha! Estamos aqui para sovar essa massa masculina chamada homem.

O início é moleza: lingerie, caras e bocas no espelho, sensualidade com a escova de dente. No segundo passo, tem que rolar umas beliscadas e ele tem que ficar ofegante de tesão, talvez seja necessário providenciar um oxigênio.

A terceira parte é que parece difícil, mas basta seguir as instruções: A essa altura, seu parceiro já estará implorando por carícias no pênis. Seja firme! (Prenda o buzungão dele com a chave de boca). Peça para ele virar (180 graus) e esfregue seus mamilos nas costas dele, massageando-o. Agora arranhe o bumbum do gato (até ele gritar: Miau!) e pressione as nádegas com a ponta dos dedos (fazendo pressão no local para não ficar roxo). As duas dobras logo abaixo do bumbum, entre o tronco e as pernas (alinhadas 90 graus com a linha do Equador), são muito erógenas para os homens. Pressione os polegares delicadamente em cada uma delas, deslizando no sentido horizontal. Depois desça seus três primeiros dedos em direção ao pênis (Apenas os três primeiros!). Ele está desesperado? Ótimo!

foto_bia*Bia Cardoso é feminista e lambateira tropical.

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