Toca Sebastiana!

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Na semana passada li um artigo publicado na BBC Brasil sobre masturbação feminina e no quanto isso ainda é tabu na sociedade. Na Suécia até lançaram, em junho, uma campanha para inventar um novo nome para a “autoestimulação genital feminina” (ufa!). O escolhido foi “Klittra”, fusão das palavras “clitóris” e “glitter”, escolhido entre 200 sugestões recebidas pela Associação Sueca para a Educação Sexual.

A ideia da campanha é estimular a igualdade de gêneros. “Segundo um relatório da educadora sexual americana Debby Herbenick, 44% dos homens se masturbavam duas ou três vezes por semana. Entre as mulheres, essa proporção era de apenas 13%. Já um estudo espanhol, realizado em 2009, indicou que era muito maior a parcela dos homens que dizia ter se masturbado no mês anterior à pesquisa do que a de mulheres (46,9% deles contra 4% delas).”

O texto ainda destaca a influência da religião na busca do prazer feminino: “Nascemos com o corpo organizado para sentir, há funções específicas que são ativadas no momento de receber um estímulo agradável (…), mas as normas culturais e religiosas não permitem que as mulheres desfrutem de sua sexualidade na plenitude.”

A matéria não fala especificamente do Brasil, mas sabemos que não é muito diferente. Com a diferença que lá estão lançando campanha. Aqui, a gente continua sem nem falar muito sobre o assunto. Mesmo em grupos de discussão e rodas de conversa, masturbação feminina não costuma ser tema dos mais corriqueiros. Falamos pouco disso, inclusive com nossas melhores amigas.

Pois dialoguemos aqui. E minha maneira de falar sobre o assunto é começando por revelar que, sim, minha gente, eu me masturbo! Antes, preciso dizer que glitter na xoxota não é exatamente meu ideal de estimulação genital. Embora, sei lá, seja até bonitinho. Mas, tô mais é pruma licka licka, mesmo.

Ilustração de "Garota Sirirca"

Ilustração de “Garota Siririca”

E isso não tem nada a ver com insatisfação sexual. Tem a ver comigo e comigo mesma. E não sou muito dos brinquedinhos, não. Me regalo mesmo é com minhas mãos. E com os meus dedos. Principalmente de manhã.

Estímulos eróticos, como contos, me excitam bastante. Em geral, basta um tiquinho de putaria na web pra me deixar ligada. E, não, não tenho 15 anos. Tenho bem mais. Mas, é isso. Continuo facinha, facinha pra me excitar com bobagem sacana da internet. Ai, se meu google falasse! Estamos aí, tocando campainha desde a mais tenra idade. Poderia dizer que me masturbar me acalma, e é verdade. Me desestressa. Também é. Mas, faço é porque é gostoso mesmo. E dá-lhe tocar sanfona de manhã!

Aliás, concordemos que os suecos pensando que inventaram um neologismo com essa “Klittra” e a gente nem precisou de campanha pra criar a siririca! Até fui atrás da origem do nome. Vasculhei por aí e descobri no primeiro blog recomendado que “siririca” poderia ser, na verdade, “um termo técnico usado inicialmente por médicos pesquisadores do assunto, no qual siririca é sigla para Sistema Individual de Recreação Íntima ao Rostir o Indicador no Clitóris e Adjacências.”

Curioso. Mas, né. Rostir. Sei nem como conjugar na primeira pessoa.

Segundo esse mesmo blog, outra explicação é que siririca seria uma onomatopeia, já que o clitóris é conhecido por alguns como “grilo ou grilinho”. “Algumas pessoas acreditam que o som que o grilo (inseto) faz é resultado de um esfregar de patas. Logo, a siririca seria então uma onomatopéia ao som do grilo esfregando.”

Vai ver é por isso que curto tanto. Vivo atrás do cri-cri-cri da roçadinha!

Me dei por satisfeita com essas explicações e nem segui com a busca. Preferi fazer outras coisas com a inspiração. E dá-lhe lapidar a safira! Só discordo do blog quando fala que a palavra siririca é vulgar prum ato que não é. Mas, gente. Não acho uma coisa nem outra. Antes pelo contrário. É até fofa. E, puxa. Que mal tem se a siririca é vulgar? Será que aqui também teremos que criar um neologismo chique pra boa e velha masturbação?

Tem mesmo que chipar duas palavras pras pessoas se livrarem de seus tabus? Qual seria, no caso, usando a sugestão dos suecos? Glitóris?

:-/

Até a siririca precisa ser sexy?! Pois defendo a ideia de deixá-la o mais natural possível. Isso posto, que não seja extraordinária. Que seja mesmo ordinária. Cotidiana. Feliz. Livre.

Porque aqui, nesse blog, a siririca é a verdadeira sororidade!

Conheça mais de Garota Siririca

A gente vai se esquecendo

E​squeci seu cheiro ou como é sua barba no meu pescoço. Já não sei se nos conhecemos numa sexta ou numa quinta. Se chovia ou se só fazia frio. Quando me esforço ​muito, ​lembro q​ue​ era sexta, chovia e que eu estava no café da livraria. Isso. Foi assim. Mas a lembrança vem meio turva. Já não recordo o cheiro dos livros, tampouco o que estava lendo quando ​te​ vi. Tocava jazz​, eu acho.

A gente foi comer pizza e não lembro se foi você quem pegou na minha mão ou eu que toquei seu braço sem querer. Quando saímos, tremia de frio e você me abraçou. Me convidou pra ir pra sua casa com a desculpa de nos esquentar e eu só saí de lá três dias depois.

​Antes eu conseguia repassar na minha cabeça cada um ​dos nossos gozos, dos nossos beijos, dos nossos abraços. Conseguia lembrar quantas vezes gozei na sua mão, no seu pau e na sua boca. Quantas vezes teus lábios precorreram meu corpo enquanto íamos despertando naquela sonolência preguiçosa. Lembro como era bom dormir com você – ah, isso eu lembro.

​Até uns dias atrás, eu lembrava quantas vezes rimos das piadas sem graça, todas as nossas conversas madrugada adentro, e que sempre aquecia meu nariz no seu pescoço e que você me levava pela mão. ​Lembrava todos os nossos programas em ordem cro-no-ló-gi-ca. Todas as vezes que puxou meu cabelo e cravou os dentes na minha bunda. Agora, mal me lembro se tomamos cerveja ou vinho.

​Hoje, quando fecho os olhos e tento me lembrar do seu rosto, ele foge. ​Já não sei que dia foi aquele em que a brincadeira era você me masturbar enquanto eu continuava a contar uma história e não podia parar até gozar. Era assim mesmo, né? Ou tinha que cantar uma música? Não lembro direito. Estou esquecendo o quanto era bom sua boca nos meus peitos e minha mão fazendo cafuné em você.

Me dei conta que nem uma foto juntas tiramos, que não existe registro no mundo do nosso encontro.Podia ter gravado cada minuto nosso pra poder ver com detalhes agora, pausando, dando zoom, repetindo as falas, igual dizem que será no juízo final. Estou esquecendo e fico aqui espremendo as lembranças, querendo engarrafá-las e guardar num pote ao lado da cama pra sempre poder olhar pra o que a gente foi.

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Sextas de Nova: Especial Xô Crise!

Por *Bia Cardoso, Biscate Convidada.

Olá Amiga-Mulher-Enlouquecedora-De-Homens, já estamos há algum tempo sem nos ver, não é mesmo?

As notícias não são boas, nossa amada Revista Nova mudou de nome e agora é Cosmopolitan, enquanto eu e você continuamos na catuaba, lutando pelo macho bezuntado com inhame de todo dia. Porém, nada de tristeza, pois como diz o comercial de produto de limpeza: estamos aqui pra brilhar! Agora juntaram várias revistas com dicas imperdíveis no Portal M de Mulher e podemos dançar na velocidade cinco da sedução.

Oi? Tô aqui super gata, me querendo muito e enlouquecendo meu homem com essa peruca gigante que virou um casaqueto em dias de frio.

Oi? Tô aqui super gata, me querendo muito e enlouquecendo meu homem com essa peruca de carnaval gigante que virou um casaqueto em dias de frio.

Você podia estar assistindo novela turca. Você podia estar cantarolando alguma música de Wesley Safadão. Você podia estar pesquisando a cura para a volta da calça pantalona curta. Porém, sabemos que tudo que você quer é enlouquecer um homem. O problema é que a crise está aí, afetando também o mercado de relacionamentos, fazendo seu PIB sair pela calcinha, inflacionando suas metas fiscais sexuais. Para resolvermos isso, agarro sua mão e indico 5 matérias que vão fazer seus juros subirem pelas paredes:

– 25 verdades que não contamos sobre relacionamentos longos.

Como diz a famosa pensadora contemporânea, Patricia Guedes: “A linguiça tem que ser muito boa para aguentar o porco inteiro”. Após tanto tempo num longo relacionamento é normal ter crises, mas esses são também momentos de oportunidades para pensar no bacon nosso de todo dia. Portanto, vale lembrar que segundo a matéria, calcinha de algodão e camiseta rasgada só depois de uns aninhos de relacionamento. Vai rolar preguiça de transar porque ninguém tá afim de constituir família. Seu humor e seus problemas emocionais infelizmente não serão passíveis de viver eternamente na gaveta da cozinha. Porém, a dica imperdível para manter a chama do amor acesa está bem no começo: 4. Soltar pum de propósito achando que é engraçado…

– 20 verdades que as mulheres casadas escondem das amigas solteiras.

Imagina uma revista feminina que não promova o eterno embate: casadas x solteiras? Mas nem no sonho maluco do Gugu veremos algo do tipo. Tal qual time de futebol, precisamos dessa divisão para expressar toda inveja que temos umas das outras, não é mesmo? Portanto, pegue seu celular e divida todos os seus contatos entre quem colocou o bambolê no dedo ou não, e siga as dicas para levar sua amiga solteira a mais uma comédia romântica que seu gato terá vergonha de ver.

Entre todas as dicas para ser uma amiga muito chata, do tipo que ganhará mute em todas as redes sociais logo que isso for possível, a melhor é: 3. Aproveitamos quando vocês rompem com seus namorados para sentirmos alívio porque, por pior que o casamento às vezes possa ser, pelo menos não estamos mais procurando alguém com quem sair. Um brinde de cosmopolitam às mulheres que preferem ver as outras na pior para se sentir bem. Tim Tim!

15 dicas para apimentar o ato sexual.

Até que enfim chegamos no momento empreendedorismo com Kama Sutra no Sebrae. Pule o papinho de que o segredo do orgasmo feminino é focar na mente ou que um bom desempenho sexual requer autoconhecimento, vá para o final da apostila e foque nessas duas dicas bem descritivas: 9. Esprema o pênis dele com as paredes da vagina por longos períodos. É infalível para intensificar o prazer masculino. E o feminino também. 12. O sexo oral precisa de técnica para ser executado. Segure o pênis de modo firme. Depois morda delicadamente as laterais. Beije, dê lambidas, faça movimentos de sobe e desce e simule que o engole. Esses são os segredos da perfeição. Realize os movimentos devagar e observe as reações dele. Depois é só jogar tudo na panela com óleo de coco, ferver por meia hora e servir com um purê de mandioquinha. Se você fazia sexo oral com outra receita antes, sinto informar que essa talvez não leve leite.

25 Dicas para fazer qualquer homem delirar na cama.

QUALQUER HOMEM! Eu disse: qualquer homem! A gerente ficou maluca: QUALQUER HOMEM! Se seu homem ainda não está delirando, provavelmente você não está jogando o remedinho certo no café dele. Mas agora tudo dará certo. Depois de estudar a Zona P e de esfregar o suvaco nos lábios do bonitão, decore e salve no celular as dicas mais importantes dessa autoescola sexual: 9. Passe a língua de um lado do pênis e os dedos molhados do outro. O gato terá a sensação de que está sendo beijado por duas mulheres. 10. Envolva a base do equipamento dele com a língua e estimule a cabeça com os dedos, bem de leve. 12. Forme um anel com o polegar e o dedo indicador. Envolva a cabeça do pênis com o anel da mão direita e a base com o da esquerda. Faça os movimentos em direções opostas. Com essas três dicas tenho certeza que você se sentirá numa suruba dentro de um fusca, realizando mais uma fantasia automobilística vintage.

5 dicas para ter um orgasmo mais poderoso.

Vamos continuar com nossas apostilas em mãos nesse maravilhoso Pronatec Sexual. Nesse momento você precisará de uma trena, uma chave de boca, uma lixa, um medidor de pressão e um clipe de papel. As regras básicas são: preparar, provocar, excitar e torturar. Porque se você achou que o orgasmo era pra você, se enganou, Gatuxinha! Estamos aqui para sovar essa massa masculina chamada homem.

O início é moleza: lingerie, caras e bocas no espelho, sensualidade com a escova de dente. No segundo passo, tem que rolar umas beliscadas e ele tem que ficar ofegante de tesão, talvez seja necessário providenciar um oxigênio.

A terceira parte é que parece difícil, mas basta seguir as instruções: A essa altura, seu parceiro já estará implorando por carícias no pênis. Seja firme! (Prenda o buzungão dele com a chave de boca). Peça para ele virar (180 graus) e esfregue seus mamilos nas costas dele, massageando-o. Agora arranhe o bumbum do gato (até ele gritar: Miau!) e pressione as nádegas com a ponta dos dedos (fazendo pressão no local para não ficar roxo). As duas dobras logo abaixo do bumbum, entre o tronco e as pernas (alinhadas 90 graus com a linha do Equador), são muito erógenas para os homens. Pressione os polegares delicadamente em cada uma delas, deslizando no sentido horizontal. Depois desça seus três primeiros dedos em direção ao pênis (Apenas os três primeiros!). Ele está desesperado? Ótimo!

foto_bia*Bia Cardoso é feminista e lambateira tropical.

Queima…

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Como me queima a alma….

Alguém desconfia o que é o desejo?
Torpor que invade, cega, denuncia…
Ardor, suor, dor, vontade
Não quero pensar, mas desejo
Quero afastar, mas quero inteiro.
Qual a diferença entre amor e desejo?
Isso que queima, lateja, arrepia… molha
Os olhos são como o sexo, o sexo é como ar

Alguém desconfia o que é o desejo?
Trêmula, trêmulas minhas mãos…
E a hipocrisia de negar é negada pelos meus seios
Sequiosos, arrepiados, arredondados, rasgam vestes
Estimulam olhares, estimulam olhares….

São sentimentos distintos, paixão e desejo?
São complementos vitais? Quero…
Vagas lembranças e sinto o cheiro…
súbito, direto, vício, vital, pulso e me queima
E o gosto. O sabor. Suor.

Alguém sabe a diferença entre desejo e viver?
Gritar. Arranhar. Verbalizar. Desejar. Desejo…
Me toco. Te toco. Toque. Retocar. O fogo.
Como me queima a alma….

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https://contosdealcovatenra.wordpress.com/2010/10/20/das-linguagens-do-corpo/

Explosão

Por Maíra A., Biscate Convidada

É delicioso quando a cama é revisitada, ainda que no desejo. Adoro o seu jeito de cão sem dono. Indisciplinado, salivante, faminto. E você me serve camarão com abacaxi e pimenta. O vermelho, o rosado e o amarelo se misturam por entre as pernas e braços enlaçados em chamas. E você vem farejando calor no meu corpo, enquanto sente meu cheiro de goiaba tropical desejante e toca de leve meus mamilos, que endurecem ainda cobertos pela blusa. Respondo gemendo baixinho, acariciando a sua cintura com as duas mãos e arranhando de leve as suas costas, enquanto sinto seu cheiro másculo de hortelã com sal. Você acaricia de leve as minhas coxas, como se mordiscando-as com a mão. E elas se abrem lentamente, ansiosas por um toque na parte interna. E te beijo firme, sentindo a sua língua na minha. A boca molhada e as coxas úmidas pulsam de tesão. Fecho os olhos, desabotoo a sua calça e deslizo a mão pela sua virilha, mas mais forte, porque suave assim você sente cócegas.

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Você fica mais pra quente do que pra morno e me devolve a carícia na vulva, deslizando de leve o dedo pelo meu clitóris, flor de fogo. Crepitante, faço movimentos vigorosos no seu pau. Te sinto arrepiado da virilha à nuca. E você me lambe de leve no pescoço, porque assim você sabe que eu arrepio da cabeça aos pés. E a gente se mistura de novo em explosões orgásticas de cores fervilhantes. E você bebe no oásis da minha umidade, circulando a língua pela minha vagina e me olhando firme. E nós nos puxamos os cabelos, que fazem estalinhos. Foguetes de todas as cores espocam quando nos encaixamos mais uma vez. Delírio tropical, caliente, afrodisíaco. A nossa dança continua pela madrugada de gozos e gemidos uivantes de animais selvagens. Adormeço, como se saciada depois do jantar. Corpos em brasa que se desmancham. E renascem novamente na noite seguinte. Fênixes livres. Corpos pulsantes que se refazem. Corações que batem juntos. Você & eu, como em novela mexicana. Como em tourada espanhola. Como só nós nos sabemos. Ainda que só no desejo.

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Maíra A. é linguista por profissão, feminista por atrevimento e alegre por esporte. Adora se reinventar e reinventar a maneira de ver as pessoas e o mundo.

Sexo é a dois

“Sexo é a dois” é um título de provocação. E, é claro, pode ser a mais que dois – ou a menos: masturbação também é sexo, afinal. E bem ajuda a se entender…..

Mas voltando: a questão aqui – e vou me ater a esse “a dois” mesmo, pra simplificar  – é que sexo é algo que se faz com outra pessoa. No sexo hétero, algo que uma mulher faz com um homem.

Aí que quando vejo uma listinha engraçadinha de “atitudes que as mulheres odeiam no sexo”  já me dá preguiça. Dá vontade de dizer, primeiro, que eu não sou “as mulheres”: não, amiga, não dá pra descrever assim direitinho “do que as mulheres gostam”, porque elas gostam de coisas diferentes…. e só fazendo sexo com cada uma delas é que dá pra saber do que, de fato, cada uma gosta. Não tem jeito, é tentativa e erro. Tentativa e às vezes acerto. Se possível, se divertindo muito no caminho.

Ia dizer que é bom que seja leve, mas o “leve” não se refere ao sexo em si: é sobre a forma de encarar. Quer dizer, ninguém nasce sabendo, não é mesmo? Não precisa ser incrível da primeira vez. Não precisa ter orgasmos múltiplos, ver estrelas, sentir a terra tremer, não importa o que digam todos os Sabrinas e Julias que você possa ter lido – sempre, sempre, nesses livretos, a primeira vez define tudo e leva a pessoa às nuvens: nada mais apropriado pra criar expectativas erradas sobre uma primeira vez.

E a “primeira vez” é a primeira vez com aquela pessoa. Cada pessoa é uma, cada caminho é um. Certo, pode ser sexo de uma vez só: não foi incrível? Não foi maravilhoso? Não rolou bem? Ué, acontece. Como dançar. Imagina dançar com alguém pela primeira vez uma música desconhecida: ninguém espera que o encaixe seja perfeito, que seja absolutamente harmonioso, que ninguém pise no pé de ninguém…  pode até acontecer, mas isso é fruto do acaso. Não é um dado da vida.

Já se houver a vontade de outras vezes, a gente vai aprendendo… a dois. Um aprende o corpo do outro. Interpreta, decifra, escuta. Vê como é. Acho que abertura e curiosidade, em termos de atitude. (Eita, já tô entrando na linha “manual”… )

É nisso que eu queria chegar, isso é o que me incomoda mais na ideia dos tipos-de-homem: afinal, você está participando do ato, ou está ali apenas observando a performance alheia para depois descrever a pessoa? Se o cara é apressado, diminui o ritmo; se não gosta de preliminares e você gosta, sugere, com a fala, com o corpo…. porque nessa dança não há música a seguir, vocês constroem a música juntos.

Ninguém sabe tudo de prima. Ainda mais nessa área aí. Esse negócio de “ser bom de cama” (ou boa de cama) obscurece o que devia ser o ponto: sexo é a dois, e se o sexo foi bom, as duas pessoas estão envolvidas nisso. A ideia do homem “bom de cama” sugere que é um atributo do cara, e não um resultado do encontro. Sexo com fulano, com beltrana, pode ser incrível. Pra mim. E pode não ser pra você. Se a primeira vez não foi incrível, a próxima pode ser melhor. E se foi tudo mais ou menos, ué: não precisa ser culpa de ninguém. Mais do que isso, um sexo mais ou menos pode até ser divertido. Se a pessoa é bacana, se você está ali de bobeira… ora, por que não?

Acho que é nesse sentido a leveza de que falava: não precisa ser ótimo, não precisa te tirar do chão. Mas é bacana, vai. E você tem parte nisso. Você. A outra pessoa. É a dois que se faz sexo. Tá todo mundo ali envolvido. Ralando. E rolando.

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Mais

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Não queria, mas entendi que o nosso tempo se esgotou. Nosso caso – tão curto – já chegou ao fim. Não chega a ser uma dor sabe, mas é que eu achava que faltou a gente conversar mais, se olhar mais, se tocar mais, se beijar mais. Acho que faltou mais vezes seu corpo visitar o meu. Assim, como quem não quer nada. Faltou mais sua boca nos meus peitos, seus dedos na minha buceta.

Sinto falta de sentir mais tua boca de cigarro e cerveja. Teus lábios no meu pescoço. Minha mão na sua barba. Não é que esteja ruim a vida sem você, mas é que ia ser tão bom se você viesse com a tua mão grande na minha perna. Penso nos outros com quem me deito e penso que sortudo seria você se assim o fizesse também. Ai como me faz falta você me comendo de quatro!

Não me interessa saber o que aconteceu, porque você não quis, porque não quis ficar dentro de mim de novo. Queria que você quisesse de novo. Só isso. Não posso dizer que mais uma vez bastaria, porque pode ser que não. Mas pode ser que sim também, não sei. Eu queria que você quisesse de novo pra poder te lembrar o quanto chupo seu pau bem.

Eu queria de novo não só pra recriar os caminhos de antes. Queria pra percorrer os novos que nos prometemos naquela noite de muita cerveja e maconha. Sonho com a promessa de que da próxima vez você me comeria o cu. “Da próxima vez tu compra lubrificante, hein?”. Disse eu já querendo amarrar o encontro seguinte. É mais forte do que eu, sou assim, de lua em touro.

Sonho com a possibilidade de você gozar na minha boca. E, ok, quero relembrar tua boca quente na minha buceta. Queria dormir aninhada no teu peito de novo. Lembro que você me abraçou a noite toda e mesmo achando ruim, eu estava achando bom. Acho que talvez soubesse que não mais tua perna pesada em cima de mim.

Quando pensei no próximo encontro, não era uma regra, um dever, um ter que. Estava mais para possibilidade. Está vendo, você não me conhece e aí não sabe que sou inteira possibilidades, alternativas e facilidades. Quisesse tu me comer de novo, ficava sabendo que sou dessas que só dizem sim.

Vai e Vem

Que seja fácil. Sem perguntar o porquê nem o quando. Sem procurar uma norma. Sem modelo. Suave. Borboleta no peito. Não se sabe direito quando chega nem quando vai. O corpo solto. Não controla. Não promete. Vai ficando. Arranca as páginas do calendário e faz tapete. Tira a bateria do relógio. Que seja em diminutivos. Fica pra um cafezinho. Dá um abracinho. Leve. Deixa chover, deixa a chuva molhar, cantarola uma canção sem pejo. Afasta os móveis, afasta os medos, ensaia um bolero. Só dá bola pro amanhã quando for um hoje. Aprende o adeus. Tudo que vem, vem, volta, cantarola outra vez. Lembra do Kronk e cria sua própria trilha sonora. Abre a janela e deixa o vento embaralhar cabelos e sonhos. Aqui pode. Aqui sim. Aqui e aqui também. Vem. Vai. Sem razões, sem justificativas, sem explicações. Vontade. Tesão. A ponta da língua. A pele. Sem linha, sem pauta, sem regra. Desse jeito, apenas. Primeira vez. Única. Singular. Toca. Abre. Cuida. Solta. Lembra. Esquece. A beleza de esquecer. Suspira. Eu. Você. Sem nós. Mais. Quem chegar. Como chegar. Recebo.

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Chega. Abre a porta, os braços, meu zíper. Encosta teu corpo no meu. Me abraça. Geme no pé do ouvido. Lambe aquele caminho debaixo da orelha até o vão do pescoço. Esfrega o pau duro nas minhas coxas. Me encosta na parede, na máquina de lavar, no encosto do sofá, no que estiver mais perto. Enche as mãos com a minha bunda. Aperta. Roça. Morde o ombro, o queixo, o lábio. Aproxima o nariz do meu e manda eu abrir os olhos. Bitoca. Procura o sutiã e ri baixinho de não encontrar. Uma mão na curva das costas, a outra apertando mamilo. Belisca. Me deixa mole. Com a boca aberta deixa saliva no meu rosto todo. Me vira. Me curva. Usa o joelho pra afastar minhas pernas. Segura minha cabeça, mais escuto que vejo sua calça descer.  Encaixa a mão na minha buceta, move a calcinha pro lado. Enfia um dedo. Outro. Sussurra o que vai fazer. Faz. Vem. Volta. Pau. Dedo. Pau. Dedo. Me dá a mão pra eu lamber. Geme. Desce. Senta no chão, levanta a cabeça. Lambe. Suga. Se toca. Me chupa. Deixa o rosto me sustentar enquanto a língua me prova. Fraquejo. Deslizo. É uma almofada? É. Puxo. Levanto o quadril, apoio no macio. Sinto a língua espalhar o gosto minha buceta pela pele arrepiada. Ia dizer me fode, digo eu te amo.

Dá cá um abraço, amasso!

Abraço.

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E calor. De corpos. De pele. Peles. Já pensou, imaginou, masturbou, tocou, gemeu sobre este instigante tema da humanidade, o abraço? Porque o que é um pau numa buceta senão um abraço. Ele rijo, ela molhada. Ele lá, ela lá, pinto, vulva, cacete, xoxota, molhado, molhada, entumescidos, clitóris, babas, gozos, abraço. Não é um tipão de abraço, este aí?

Sem contar que num tem analogia mais brincante que o cu abraçando o pau, apertando, doendo de amor, tem? Pode ter malabarismo, gel, suores, odores, mas tem lá um quê de abração, gostoso, forte, imantado. A cabeça da gente funciona aos abraços, imagino.

E tem abraço que é capô com  capô. Aquele encontro de formas, exuberares, toques, avessos, esfrega, fricciona, ama, clama, vexama, denguinho, abraço, abraço, abraço.

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Esse mundão todo devia era abraçar mais e falar menos. Porque a gente quando fala esquece de ouvir. E quando abraça, o abraço, o abraço, só tem calor se for entrega, sem protocolo, aperto, saudade, vontade. Desejo do calor do afago, do carinho recíproco, do amor que nasce de corpos que se aquecem. Abraço não tem gênero: no futebol, na cama, no boteco, na rua, na varanda, na esquina, no meio, no fim, no começo, no fim do entrevero, no começo da paz, nas intermináveis dessolidões tão importantes. Me abraça, abraço, abarco. Abarcar. Acalento, acalanto, acalentar, abraçar, canto.

Sem contar que o beijo, a língua na língua, a língua no falo, a língua no grelo, a língua no ânus, a língua no amor, a língua a milanesa num balcão de bar: quem é que não tem, na ponta das línguas, um abraço?

É isso, biscate é abraço.

Um Certo Moço Não Precisa Ser o “Moço Certo”

Obrigada, moço, por chegar. Pelo riso. Pelo bom. Pelo simples. Pelo cigarro, a cerveja, o tesão. Obrigada pela conversa fácil. Pelo antes. Pela fome. Pelo desejo direto. Pelo acolhimento da minha vontade. Por pedir. Por dar. Pelo movimento. Obrigada pela ausência de disfarce, de medo, de reserva. Pela malícia. Pela saliva. Pelo depois. Pelos filmes, pelo bocejo, pelo cansaço e a modorra. Pela piada da câmera. Por falar das borboletas, não como quem sabe, mas como quem se importa. Obrigada por não esperar certezas. Por não pedir promessa. Por não afirmar. Por não dizer futuros, mas indicar um amanhã possível em qualquer dia de corpo quente. Obrigada pela pergunta que me vê. Pela piscadinha de olho. Pelo beijo estalado. Obrigada por chegar. E partir.

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(depois daqui deve ter spoiler de Private Practice e de uma temporada bem antiga de Grey´s Anatomy, mas ainda é spoiler anos depois?)

E aí eu lembrei do Sloan e do vínculo dele com a Addison. Eu não sei se vocês assistiram Private Practice, provavelmente não, mas não tem importância, eu conto o que interessa pra vocês. Tem a Addison, uma mulher por volta de 40 anos, profissional de sucesso, vida amorosa agitada depois de um divórcio conturbado. Tem o Sloan, um dos melhores amigos da Addison. Eles tiveram um relacionamento enquanto ela era casada, terminaram, ficaram um tempo afastados, reconstruíram a amizade. Ele tem por volta de 50 anos e acabou de terminar um namoro com uma outra mulher, bem mais jovem que ele, porque tinham planos de curto prazo diferentes.

Daí tem essa cena de Private Practice em que está tudo bagunçado na vida da Addison e na do Mark Sloan e eles estão se sentindo velhos e tristes e perdidos. Ela acabou de descobrir que grande parte das coisas que acreditava sobre sua família, seus pais, coisas que norteavam seu comportamento e relações, estava equivocado. Ele teve uma guinada afetiva, acabou de reconstruir um vínculo com a filha e passou a ter planos mais estáveis e definitivos pra vida, mas por isso acabou se separando da pessoa com quem estava envolvido e que, nessas voltas e ironias dos processos, foi justamente quem o inspirou a ser uma pessoa mais entregue, comprometida e disponível.

Com afeto e cumplicidade, conversam sobre coisas/momentos que poderiam funcionar para amortizar a dor. Porque é preciso sentir, mas também é preciso descanso. Repouso. Conforto. Aí ele vai e tira a roupa e se oferece pra ela. Porque, diz ele, não sabe muitas formas de amenizar o que ela sente, mas isso eles podem fazer juntos. Porque é divertido. E eles fazem sexo porque é divertido e bom e amigável. E acolhem um ao outro na medida do possível. Sloan, que saudades de você.

Eu gosto imenso da sinceridade com que eles falam um com o outro, da forma como ele se coloca disponível e aponta seu desejo de encontro, da lucidez e da cumplicidade com que sabem que o sexo pode ser transitoriamente reconfortante. Algo que adormece a dor, o mal-estar, a tristeza. Não como resposta, que resposta não há. Como respiro. Como intervalo possível. E depois eles riem. Eles riem juntos. Eles gargalham.

Addison, que mulher! Vale a pena conhecê-la. Vale a pena ver a série e encontrar uma médica ginecologista e obstetra que de forma ativa se coloca do lado da escolha das mulheres no que se refere ao seu próprio corpo, seja uma gestação, um relacionamento ou um aborto. Vale a pena ver como ela se pergunta, se inquieta, mas segue insistindo, coerente com a fome que a move. Gosto de como a atriz a interpreta, colocando força, inteligência e sensualidade sem precisar disfarçar, justificar ou validar que uma mulher deseje, pense, trabalhe.

Pra terminar com alegria, um vídeo da Addison se divertindo um bocado (e me lembrando que legal a liberdade sexual da personagem sem que sejam feitos juízos negativos de valor sobre sua integridade, sua capacidade profissional, etc)

Todas Essas Coisas Sem Nome – 2o Capítulo

Esse é o segundo capítulo do livro de Raquel Stanick intitulado Todas Essas Coisas sem Nome. Sua primeira, única e artesanal edição encontra-se esgotada.

Os capítulos seguintes serão publicados quinzenalmente aqui no Biscate Social Club. As ilustrações utilizadas nos posts serão da mesma autora, vindas da série Ceci n’est pas un blog.

Boa leitura!

17

Entrei no chuveiro gelado. Esfreguei com força a boceta. Penteei os cabelos com raiva. Nunca pensei que no inferno era tão frio.

A estação continua. Ainda não choveu o suficiente.

Enquanto eu observo os galhos secos das árvores lá fora, lembro-me das veias nas mãos da minha avó. Eu fumo enquanto penso na minha avó. Se ela gostaria de você…

Olho minhas mãos com extrema atenção enquanto levo o vinho aos lábios e acendo um cigarro no outro.

Tenho andado aterrorizada com mãos que tremem e esfregam.

Sou apenas mais uma boceta no mundo. Num corpo que sente, pensa, e acha tudo tão ridículo. Meu coração está entre as pernas, você me contou e eu só queria o desejo de me tocar e enfiar-me dedos, mas é inverno, querido, é inverno.

Só consigo lembrar é da minha avó que já morreu.

E tornar a encher o cálice de mais vinho.

(link pro prefácio e primeiro capítulo)

Eu daria pra você

Cara leitora, vim aqui contar de  uma ideia antiga, à espera de execução, que tem a forma de um cartão de visitas. Um cartão de visitas bonito, em que estaria escrito apenas:

Eu daria para você.
Fulana – contato: xxx@xxxx/tel: xxxxxxxx

Só isso. Ou, melhor ainda, sem e-mail ou telefone. Apenas a afirmação de que, se algum dia acontecesse, se pintasse, se rolasse a oportunidade, a ocasião, os dois assim de bobeira, um tempo conveniente… bem, eu daria pra você. Não precisa perguntar, não precisa ficar na dúvida, não precisa hesitar.

O que, cara leitora, parece pouco romântico? Bem, não é para ser romântico mesmo. Tenho pra mim que a disseminada ideia de que qualquer relação digna desse nome deva ter algum toque disso aí que chamam de “romantismo” (atenção às aspas) é mais furada do que secador de macarrão. Mais esquisita do que botar o dito secador na cabeça e fundar uma seita. E a fonte de tantos desnecessários sofrimentos. Uma confusão sem fim. Um equívoco da cabeça aos pés.

Porque, veja bem, cara leitora, não estou falando de nada que vá além de uma relação sexual. Limita? Ué, por quê? Caso você goste, caso a outra pessoa goste, não seria possível repetir, de novo e de novo, até que isso aí se chame uma relação? Podendo inclusive prosseguir até que alguém abra a gaveta da cozinha e encontre ali um descaroçador de azeitonas – quando então se descobrirá casado?

Por outro lado, caso seja ótimo mas seja isso mesmo, tá tudo certo: cada um vai pro seu lado, saciado, satisfeito, sem demandas fora de hora, sem incertezas incômodas. Era isso, foi isso. Foi ótimo. Eu daria pra você, eu dei pra você. Que delícia. Que alívio.

(suspiro)

Ah, o cartão de visitas? Por que não no feice, por que não no tuíter, no zapzap e coisa e tal? Ora, cada um com seu jeito, né? Eu sou assim, antiquada. Gosto da imagem do cartão de visitas. Porque é físico, em primeiro lugar: papel, textura, cor, impressão, fonte. Uns envelopinhos, talvez? Escrito à mão e depois impresso, com sua própria letra? Pode ser, tem tantas possibilidades. Lindezas. Só de pensar, já fico com água na boca. Adoro artigos de papelaria desde que me entendo por gente.

Tem também outro motivo, porém: é que desobriga. Você nem precisa entregar pessoalmente: pede pro garçom. Deixa na caixa postal, e acrescenta a lápis: “Fulana, do 702”. Larga em cima da mesa da pessoa, no trabalho. E pronto. Tá dito. Acabou. Não precisa mais ter angústia quanto a isso: daria. Daria, mas talvez não dê, porque sua situação tá complicada, porque a minha é, porque agora a gente tá sem tempo, nunca apareceu uma chance, um momento bom pra introduzir, por assim dizer, o assunto…. mas caso role, se acontecer, quando a gente puder, quem sabe um dia: daria.

E não é nem um “a bola agora está no teu campo”: não tem bola em jogo, não nessa hora. A bola tá no ar, flutua, vagueia, desliza. Não é questão de bola. Porque não precisa ser agora, não tem urgência nem ansiedade, essa a beleza da coisa. É assim, se um dia… eu daria.

CartaoVisita

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