Prefácio

#Alma Biscate
Prefácio, Cláudia

curtirTudo começou com um curtir, lá no Facebook. Lembro perfeitamente do dia em que a Luciana postou o primeiro texto por aqui. Daí, ela me disse algo como “Cláudia, para de curtir só e si joga”. Me joguei mesmo e aqui estou, feliz como nunca. Mas não foi tão fácil assim assumir (compreender se encaixa melhor, acho) essa biscatagi toda.

Tive um medinho. Aliás, um medão. Porque a palavra biscate assusta(va). Porque eu, em outros tempos, quando ainda era aquela garota que se fechava quase que totalmente para o novo, jamais aceitaria ser comparada com uma… biscate. Biscate para mim era algo ruim, algo que não poderia me trazer qualquer aprendizado. Algo do qual eu deveria manter distância. Que bom que não mantive distância daqui. E que bom que eu aprendi o que realmente tudo isso significa.

liberdade2Se eu fosse enumerar todas as experiências pelas quais passei depois que percebi a mim e aos outros como livres, não teria espaço neste texto em que tentarei ser sucinta. Mas foi muito transformador. Foi transgressor. Fez de mim uma garota muito mais forte para lutar e acreditar não apenas em minha liberdade: proporcionou a oportunidade de ver a vida com a leveza que preciso para seguir em frente. E me fez aceitar melhor e de forma mais verdadeira as inúmeras diferenças de pensamento e de escolhas que podem existir entre as pessoas.

Alma biscate hoje significa para mim o poder de se reinventar. Libertar-se das próprias convicções todos os dias. De se renovar. De transformar a si próprio e contribuir para que o mundo mude, ao menos um pouquinho. De fazer a cada dia um novo prefácio.

E que assim seja até que a minha breve vida termine, com boas lembranças e com a sensação de que tudo valeu a pena.

Bonança

Juro que hoje eu queria escrever um daqueles posts cheios de cor, de calor e de alegria. Mas biscate também fica triste. Biscates, apesar de fortes, também podem acabar quase sucumbindo diante de questões sem uma solução possível a curto prazo, dependendo do tempo e de fatores externos para deixar de causar aflição.

Tá aí uma coisa que não desejo a ninguém: a aflição.

Todos temos problemas. Uns mais, outros menos. Mas todos temos. E nem sempre conseguimos lidar com eles com a serenidade necessária. E eu estou assim nos últimos dias, por um conjunto de fatores: uns são minha culpa, admito. Outros foram ocasionados por um sistema que funciona de forma bem precária e independe da minha vontade ou de minha atitude que algo mude nele. E, quando um pequeno avanço acontece, o dobro de retrocessos chega para “compensar”. Isso cansa bastante.

Ainda não tenho meios de provocar uma ruptura radical e definitiva com essa questão que tanto me aflige. Contudo, imaginem como é você ter que fazer todo dia algo sem a menor paixão. Sair da sua casa todos os dias  “se arrastando” para fazer determinadas obrigações que são apenas isso: obrigações. E o pior: você se sentir egoísta por reclamar tanto daquilo que te acontece enquanto tem gente vivendo de um jeito muito mais sofrido do que o seu, com menos amargura.

Vocês já pensaram que esse negócio de ser “bem sucedido” e “estabilidade” podem ser uma imensa furada?

Depois que “me descobri” biscate, aprendi a olhar muito mais para mim mesma e para os outros.  Como nunca tinha feito antes. Tenho quase certeza de que essa fase meio zicada faz parte deste processo. E que de alguma forma, irei crescer com isso. Só que paciência num é muito o meu forte e nas minhas veias, corre pressa ao invés de sangue. E entender aquilo que não serve para você quase sempre dói.

Desculpem se o texto de hoje fugiu da temática do blog. É que este é um dos poucos espaços que me representam ultimamente. Entendam este desabafo como uma forma que encontrei para exteriorizar o que sinto e ao mesmo tempo, compartilhar uma experiência que pode vir a acrescentar algo na vida de alguém.

Dizem que depois da tempestade, vem a bonança. Quando a minha tempestade acabar, espero poder voltar aqui para dizer que foi apenas uma chuva de verão que veio para me refrescar e fazer com que a minha visão fique menos turva para encontrar de verdade o meu caminho.

Parece até que foi ontem…

Em exatos três dias, completará um ano. “Caramba”, pensa ela, quando se dá conta de quanto tempo já passou. É que aquele 05 de junho pareceu tão terrivelmente interminável e insuperável, que ela achou que não suportaria…

A princípio, tudo era dor. Sabem como é, né?  Ouvir um “não te amo mais”  de quem a gente espera tudo e nada ao mesmo tempo pode soar pior do que a notícia – verídica – de um fim do mundo próximo. Mas o mundo não acabou e a vida seguiu.

Vida que seguiu melhor do que ela era capaz de imaginar.

Lágrimas foram derramadas. Noites não foram dormidas. Muitas lembranças povoaram a mente inquieta e o coração forte dela. Mas aos poucos, ela começou a superar as próprias expectativas. Aprendeu a deixar a dor ir embora. Entendeu que o passado só serviu e servirá para preencher páginas de sua história com aprendizados diversos.

Ela aprendeu a ouvir e a sentir mais. Aprendeu que é muito mais válido viver experiências do que ficar imaginando como elas seriam. Aprendeu que divertir-se é preciso. Aprendeu a sorrir, a demonstrar paixão pelo que gosta, a correr atrás de seus sonhos. Aprendeu a amar-se, a cuidar-se, a aceitar-se como é e a melhorar tudo de bom que já tinha. Aprendeu que ela não era, de forma alguma, responsável pelo sentir dos outros. Só que nada, absolutamente nada disso veio de uma vez: bastou que ela se permitisse tomar as rédeas de suas decisões.

Hoje ela canta, dança, cria, experimenta, ama, estuda, muda. Hoje, ela luta. Hoje, ela lembra e já não sente mais falta do ontem. E espera que algum dia, tod@s possam compreender que nada termina por acaso. Se algo tem fim… É porque um novo início – talvez muito mais interessante e enriquecedor – está por vir.

Que tal dar – se essa chance, tipo… AGORA MESMO?

 

 

 

 

Culpa. De quem?

A gente tem uma mania muito ruim de querer achar explicação para tudo.
De pensar que se algo aconteceu fugindo completamente das nossas expectativas precisa, necessariamente, de uma razão. Será que é assim mesmo que as coisas funcionam? Ou seriam elas, as famosas expectativas, que fazem dão um empurrãozinho para que nos tornemos seres muito relutantes, inseguros e despreparados em relação ao inesperado?

É bem aí que a culpa se espalha.

Costumamos usar esta culpa de maneiras bem venenosas. Duas formas se destacam: ou a jogamos inteirinha para o outro, que de alguma forma não correspondeu ao que gostaríamos; ou acabamos por nos punir sem a menor piedade, tendo a convicção de que se tivéssemos agido de outro jeito, tudo seria diferente.

Não é mesmo? É. Poucas pessoas dominam a arte da aceitação. Aceitar que não temos como controlar as vontades ou as decisões de nossos semelhantes ainda é visto como fracasso. E por fracassarmos, não achamos que somos dignos de continuar tentando. Às vezes, ressentir-se é bem mais cômodo do que sair de adversidades de cabeça erguida.

Percebem como isso pode ser uma cilada e tanto para os nossos relacionamentos?

Quem nunca culpou uma biscate (ou um cafajeste) pelo fim de uma “linda história de amor”? Quem nunca pensou que “se fulano ou se ciclana não tivesse cruzado o meu caminho, estaria tudo bem”? Ou então, partindo para um outro extremo, “onde foi que eu errei?”; “o que deixei de fazer?”; “por que ele/a é tão melhor que eu?”; “foi por isso aí que fui trocado/a?”; “depois de todo esse tempo é isso que recebo em troca?”. E assim a gente segue, alimentando as nossas vidas com todo esse ranço, com todo esse ressentimento que é tão destrutivo.
Acho que deveríamos parar de tentar diminuir o sofrer, sabem? Parar de achar que somos responsáveis por atender as demandas alheias e também, de exigir que o outro faça exatamente aquilo que desejamos. Claro que refletir, repensar as próprias atitudes é válido para que cresçamos. Só que há uma linha bem tênue entre amadurecer, reconhecer os próprios erros, perceber o que nos incomoda no outro e a auto-punição e a raiva. É difícil. Dói. Faz com que passemos noites em claro e brademos aos quatro ventos como somos infelizes. Mas um dia passa. E como passa.

Mas, Cláu, o que isso tem a ver com biscatagi?

Tudo. Libertar-se também significa livrar-se de sentimentos ruins. Significa perceber-se livre e deixar os outros terem essa mesma percepção.  Significa parar de apontar o dedo para a cara de alguém, como se tal pessoa fosse a culpada por todas as “injustiças” que vivenciamos.  E principalmente: significa entender que sempre podemos começar de novo.

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