Amor Colorado

Brasileirão da Biscatagem
Internacional, Suzana Dornelles

O amor clubístico é o amor que não trai, amor sem ciúme, amor incondicional, só comparado ao amor materno. Podemos trocar de amores, namorados, marido, de partido, casa, cidade, estado, país, mas de clube não, não tem como… Eu escolhi o Inter e o Inter me escolheu, somos parceiros nas vitórias e nas derrotas.

o Gigante da Beira-Rio

O Beira-Rio é a minha casa, meu templo, meu lugar de vibrar, gritar, cantar e em algumas vezes, sofrer, entristecer… Sim, porque amantes sentem na alma o sofrer do outro. Já saí de lá chorando… O ano era 99, a causa: o Juventude, de Caxias do Sul.

Para quem não sabe, o Internacional é o clube do povo do RS, nasceu em 1909 dando oportunidade a jogadores de todas as etnias, não só aos brancos (como o nosso co-irmão que nasceu seis anos antes), com isso seus torcedores são em sua grande maioria mulatos, negros, pobres e com sangue nas veias como a  camiseta encarnada, vermelha, vermelhaça! Nosso mascote é o Saci, e de tanto nos chamarem de macacos com intenção racista e preconceituosa, viramos o jogo, e hoje temos também o Macaquinho como mascote, adorado pelas crianças coloradas.

Eu, tentando abraçar da arquibancada o meu colorado

Amo o Inter de forma louca, me arrepio vendo aquela bandeira enorme tremular em frente ao estádio e o brilho do luminoso que diz “SC INTERNACIONAL CAMPEÃO DO MUNDO” quando passo por lá, moramos perto um do outro.

O campeonato brasileiro começa, e nas quartas ou quintas, sábados ou domingos, dedico toda a minha atenção ao MEU AMOR que me fez CAMPEÃ DE TUDO, e me faz MUITO FELIZ!

VAMO, VAMO INTER! TU ÉS MINHA PAIXÃO!

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Suzana Dornelles é gaúcha de Porto Alegre, colorada, divertidíssima, de bem com a vida — nem sempre com as pessoas, de luta e quase nunca se entrega. Socialista do tipo extrema esquerda incendiária, franca do tipo que enfia o dedo na ferida e que não tem papas na língua. Siga-a no twitter no perfil @sudornelles.

Quem não curte um #Brega?

Por Suzana Dornelles*

Poucos! Muito poucos não curtem um #brega. Não discutam comigo, tenho provas incontestáveis! Muitos negam, alguns torcem o nariz, outros fingem que não gostam, mas cantarolam algum “Eu te amoooooooooo” quando estão sozinhos.

Com a morte do Wando (imensa perda para o #Brega), ficou evidente que não é só o “povão” que curte, então a receita hoje é de brega, na veia e à gosto. Afinal, gostar de #Brega não desautoriza ninguém a gostar de Chico, Vinícius, Bethânia, Milton, Djavan, Gil, Elis, Caetano ou Raul Seixas. Alguns desses gravaram #Bregas, para que muitos dos que se “escondem” ouvirem sem culpa.

As provas? Sim, as tenho, já explico. Entrei no twitter e logo comecei a seguir pessoas ligadas à política, movimentos sociais, ambientalismo, tudo muito sério, e por vezes tenso. Aí, para fugir um pouco de tanta seriedade, comecei a postar algumas músicas (a maioria MPB), senti o terreno, alguns retuitavam, fui me sentindo  à vontade… E por que não postar um #Brega bem pesado com a hastag #BregaNaTL? Arrisquei, postei: “O Telefone Chora”! Encontrei eco: Tiago Costa e Adriano.

Tava “feito o carreto”, como se diz por aqui. Dali em diante começaram a se agregar outros seguidores como a Renata Lins, Mayara Melo, Adriana Torres, Sílvia Sales, Danieli Guadalupe, Luciana Queiroz, Eduardo Ed, Deborah PetriFelipe Corbett (“Varandão da Saudade” durante o carnaval), Sonia Mariza, Thaís Barreto, Pádua Fernandes, Marcelo Arruda e outros, para o desespero da Niara de Oliveira, que colocava as mãos na cabeça /o a cada postagem (essa moça é uma #Brega enrustida).

Com o passar do tempo, mais e mais foram chegando, alguns disfarçadamente, dizendo que chegavam só para discordar que alguma música não era #Brega e tal. Que importa? Estavam ouvindo, curtindo, se divertindo. Mas, como a gente do #Brega é tolerante, fiz algumas classificações: #BregaInternacionalNaTL (sim, os gringos também tem muito brega), #BregaCortaPulsoNaTL, #BregaDicunforçaNaTL ou somente #CortaPulsoNaTL, para não ofender ninguém. A ideia é se divertir, né?

Bueno, no #BregaNaTL hoje passeiam jornalistas, sociólogos, escritores (alguns premiados), professores, advogados, poetas, engenheiros, economistas, psicólogos e, diferentemente do que afirmava “O bilheteiro fanho do cinema gay” do Marcelo Semer, juízes. Sim, tem juízes também no #BregaNaTL que se divertem nas noites-madrugadas deste “tuinto dos infernos”.

Curtir #Brega independe de classe social ou nível intelectual, depende só e tão somente, de sensibilidade. Mas que fique bem claro uma coisa: como uma boa biscate-careta-brega, estaria me lixando se só eu no mundo gostasse de #Brega, continuaria gostando, dizendo que gosto, cantando e, claro, postando!

Receita? Miojo e guaraná-de-rolha para acompanhar.

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* Suzana Dornelles é gaúcha de Porto Alegre, divertidíssima, de bem com a vida — nem sempre com as pessoas, de luta e quase nunca se entrega. Socialista do tipo extrema esquerda incendiária, franca do tipo que enfia o dedo na ferida e que não tem papas na língua. Siga-a no twitter no perfil @sudornelles e acompanhe o #BregaNaTL.

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