Por um GIF

Por Sonia M. Nunes*, Biscate Convidada

Eu tava quieta. Juro. Aos 54 anos incompletos, os calores da menopausa substituindo, ainda que sem muito prazer, os calores afoitos do tesão desmedido da juventude.

Eu tava plácida, sem graça, até. Um banco vazio de uma igreja silenciosa. Há tempos que Morzinho não acreditava, dizia que era desculpa de quem não amava mais, como se tesão e amor fossem gêmeos siameses e inseparáveis. Vai explicar pro gajo o que é uma xoxota seca…haja macho com cabeça (ops) boa pra pra não se sentir rejeitado, desprezado, traído.

E lá vai ela, a relação, se esvaindo pelo KY, pelo “desculpa-de-novo” e pelo “não-tô-a-fim/ não é nada pessoal”. Até que um “eu não quero, porra!” coloca a derradeira pá de cal na porta do quarto. Da casa. De nós.

One more kiss dear… one more sigh… only this, dear, is goodbye…

Mas eu tava tranquila mesmo, juro quantas vezes quiserem. Achava até bom tanta calmaria. Nunca fui partidária da velha máxima “é impossível ser feliz sozinha”. Me divirto legal comigo mesma, minha imaginação é fértil, cês nem imaginam… A bem da verdade, acho até mais fácil não ter que compartilhar, argumentar, ceder aqui para ganhar ali.  Tenho amigas que acham difícil viver sem um par, ok, eu respeito, mas nunca entendi isso muito bem. Tava na minha e tava feliz. Sem sexo e sem sentir a falta de. Sabe aquela mansidão morninha que se confunde com paz de espírito? Pois.

Tem gente que chama isso de “egoísmo”. Eu prefiro creditar à preguiça. Tesão na balela da quase “melhor idade” dá trabalho, pô. Tem aquela coisa de conquistar a cada dia, não tem? De calcinha nova, brilho nos olhos, pegapácapá. E os ciúmes. E as pazes. E os suores. Mesmo que não seja numa relação mais firme, que seja na mais pura piranhagem, a coisa toda tem que rebolar, subir, descer, remexer, chacoalhar. E o orgasmo… não, não é que eu não goste, imagina. É que sempre me incomodou o “ter que”. A perguntinha “já gozou?”, que considero infame, me tira do sério, por melhores que possam ser as intenções. Assim como sempre me incomodou Morzinho achar que era ele quem me dava o orgasmo. Ah, os homens, tão tolinhos: nem percebem que o orgasmo é meu!

Então…

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Eis que uma mordida no cangote e um…ahn….bate coxa entre dois jogadores num jogo de futebol qualquer se me chegam às carnes via um GIF do Facebook. Pra quê? Os suores se multiplicam em questão de segundos, o fogacho se transforma em fogo interior e todo um mundo de pensamentos libidinosos relampeja – me em arrepios. Donna Summer, Gainsbourg, lá estava eu, 20 e poucos anos de aflição novamente. Os lábios – os grandes e os pequenos – batendo palminhas e cantando alegremente um parabéns pra você tal qual uma bêbada e lânguida Marilyn. Valha-me Nossa Senhora da sacanagem: dois homens suados e barbudos, eis os meus neo- cupidos da esperança! Há algo de estranho nesse fetiche, vamos combinar. Ou será que não? Ah, mas, quer saber? Do alto dos meus 54 anos incompletos, já me sinto apta a declarar um rotundo e sonoro Foda-se. Melhor ainda: Foda(m)-me.

Ah, essa carne, querida carne… até que é bom sabê-la ainda fraca! Safada! Vaca, cachorra, puta! Welcome back, lust . Finalmente de volta ao lar, Messalina de Copacabana!

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*Sonia M. Nunes
se cala, se fala, se sente. Se acha, se larga. Se lagarta, tixa. Solta, salta e sola. Brinca, braque e breca. Gosta de rimas e de prosas, de palavras e palavrões. De coisas como dedos e dedões (duros, não). Fala pelos, pentelhos e desassossegos. Pudores e pruridos. Sonia não se cabe, não se pesa, não se mede. Só, se toca. Sonia is a bitch. She wish.

Hoje tem

Era uma mesa grande, daquelas animadas, os amigos tinham vindo dar os parabéns, ele era amigo de uma amiga, se conheciam de FB, estou pensando em ir, vem, ele foi. Não se sabe bem como acabaram sentando um ao lado do outro. Não foi de princípio, não. Ele, o centro da mesa, rodeado de quem chegou mais cedo, acenando muito, rindo alto, esbarrando nos copos. O outro do lado da amiga, nem quina nem meio, olhos pequenos por trás da lente, gestos contidos, mais curiosidade que interesse.

Mas era um bar, era festa, muita gente chega, muita gente sai, gente levanta pra fumar, pra beijar, pra mijar. Olha, cabe mais uma cadeia aqui? “Fasta” pra cá. Vai mais pra lá. Vem aqui cumprimentar Fulana, Sicrano, Beltrano e o Edu, que fez a música. E ali estavam, um do lado do outro. Desculpa, ainda não tinha falado direito contigo. Magina, você estava ocupado. Umas impressões sobre a cidade. Gosto sempre de vir aqui. Pena a gente não ter se conhecido da outra vez quando passei mais tempo. O ombro esbarra no outro, a cerveja pula do copo. Desculpa, meio rindo, meio constrangido. Que nada, foi bom, meio safado. Trabalho, amigos em comum, a política, música, música, o céu, o nada. Os joelhos. O inclinar pra falar mais pertinho do ouvido. Muito barulho aqui, né?

As duas mãos em direção ao mesmo copo. Opa, esse é o seu? O copo esquecido, as mãos enlaçadas. Olho. No. Olho. Nu. E foi assim: ele pegou o indicador do outro, levou até os lábios entreabertos, enfiou num movimento rápido e sugou, firme. O outro, choque. Ele continuou a sugar, com a língua catou outro dedo. A mesa continuava, impávida em seu alvoroço de cervejas e tira-gostos, conversas e risadas. O outro semicerrou os olhos, estremeceu, a calça apertando o pênis que endurecia. Ele sorriu, como quem desafia: gosta? O outro inspirou, puxou a mão com uma certa violência, ele quase entristeceu, o outro e seus dedos úmidos puxaram-no pela nuca, a boca firme na boca ainda entreaberta, a língua, dura, invadindo, exigindo, amolecendo, convidando, percorrendo, provocando. A saliva. O tesão. As mãos por baixo da mesa, por cima das camisas, a língua na orelha, que buraco gostoso, o outro ri, desejo é alegria, cangote, lambida, deixa eu respirar, quero te engolir. Delícia. Beijinho na ponta do nariz. Mão na perna. A noite segue, sem pressa, os dois, a mesa, a conversa, o ruído, a cerveja no mesmo copo, a certeza. Hoje tem.

Hands toasting wine glasses

Hands toasting wine glasses

Explosão

Por Maíra A., Biscate Convidada

É delicioso quando a cama é revisitada, ainda que no desejo. Adoro o seu jeito de cão sem dono. Indisciplinado, salivante, faminto. E você me serve camarão com abacaxi e pimenta. O vermelho, o rosado e o amarelo se misturam por entre as pernas e braços enlaçados em chamas. E você vem farejando calor no meu corpo, enquanto sente meu cheiro de goiaba tropical desejante e toca de leve meus mamilos, que endurecem ainda cobertos pela blusa. Respondo gemendo baixinho, acariciando a sua cintura com as duas mãos e arranhando de leve as suas costas, enquanto sinto seu cheiro másculo de hortelã com sal. Você acaricia de leve as minhas coxas, como se mordiscando-as com a mão. E elas se abrem lentamente, ansiosas por um toque na parte interna. E te beijo firme, sentindo a sua língua na minha. A boca molhada e as coxas úmidas pulsam de tesão. Fecho os olhos, desabotoo a sua calça e deslizo a mão pela sua virilha, mas mais forte, porque suave assim você sente cócegas.

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Você fica mais pra quente do que pra morno e me devolve a carícia na vulva, deslizando de leve o dedo pelo meu clitóris, flor de fogo. Crepitante, faço movimentos vigorosos no seu pau. Te sinto arrepiado da virilha à nuca. E você me lambe de leve no pescoço, porque assim você sabe que eu arrepio da cabeça aos pés. E a gente se mistura de novo em explosões orgásticas de cores fervilhantes. E você bebe no oásis da minha umidade, circulando a língua pela minha vagina e me olhando firme. E nós nos puxamos os cabelos, que fazem estalinhos. Foguetes de todas as cores espocam quando nos encaixamos mais uma vez. Delírio tropical, caliente, afrodisíaco. A nossa dança continua pela madrugada de gozos e gemidos uivantes de animais selvagens. Adormeço, como se saciada depois do jantar. Corpos em brasa que se desmancham. E renascem novamente na noite seguinte. Fênixes livres. Corpos pulsantes que se refazem. Corações que batem juntos. Você & eu, como em novela mexicana. Como em tourada espanhola. Como só nós nos sabemos. Ainda que só no desejo.

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Maíra A. é linguista por profissão, feminista por atrevimento e alegre por esporte. Adora se reinventar e reinventar a maneira de ver as pessoas e o mundo.

O tesão platônico

Por *Bia Cardoso, Biscate Convidada.

O popularesco colunista reaça que escreve em blogs com bic duas cores criticou uma recente charge da deliciosa Laerte Coutinho. Mas aqui vale a máxima: Laerte é nossa diva e nada nos faltará. E assim foi feito. Laerte declarou publicamente seu tesão platônico em relação ao colunista reaça. E quem aí nunca teve tesão platônico, né minha gente? Quem aí não guarda nos átomos do corpo aquele desejo de desnudar quem deveríamos desprezar, não é mesmo?

Sobre o Reinaldo Azevedo.
Acho que eu não devia dizer o que vou dizer, mas minha advogada opinou que não vai gerar ação na justiça. E minha analista deu força, pra botar pra fora senão somatiza e piora a situação das varizes.
Então lá vai – esse cara me dá um tesão desgraçado.
Não sei o que é – tá, ele não é um ogro -; se é o olhar decidido, o nariz, os lábios, não sei!
Nessas noites de frio que vem fazendo eu fico debaixo das cobertas e, como diria o Henfil, peco demais.
Vou acabar tendo que depilar a mão com cera espanhola.
Acho que eu tenho síndrome de Estocolmo platônica.

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Tesão é desejo. E muitas vezes inexplicável. Aquela sensação de simplesmente encontrar alguém capaz de acender algo diferente, gostoso, um requeijão cremoso a mais na vida. As vezes não dura muito, as vezes dura a vida toda, especialmente quando se é platônico, alimentado com carinho e pão de mel.

Porém, quando falamos de alguém que age e pensa de forma contrária ao que acreditamos, ao que temos como ideal e buscamos ser, surge sempre a dúvida: biscate com princípios ou não? Relevamos em favor do tesão? Esquecemos em favor da revolução? Aquecemos com mãos solitárias no calor do colchão? Infelizmente não há resposta fácil quando o assunto é desejo, tesão ou direito tributário. Todos temos nossas prioridades, sentimentos e taxas pra colocar na mesa. A melhor parte pode ser reconhecê-las. Assim como fez Laerte, também quero botar pra fora o que alimenta meus pensamentos mais proibidos…

foto_bia*Bia Cardoso é feminista e lambateira tropical.

Simples

Tudo nele a deixava excitada, sua pele, macia e negra, seu olhar de desejo, a boca, o belíssimo sorriso. Era tudo tão natural, tão certo e tão fácil, era simples, um beijo já a despertava arrepios e tesão. Ele pegava com muita vontade em seus peitos, bunda, os olhos e os gemidos mostravam o quanto ele a desejava. Tudo tão simples, tão normal, como se sempre fosse fácil, pra ela, muitas vezes, era tão difícil. Era difícil se entregar, era difícil se apaixonar, era difícil querer alguém naqueles últimos meses. E ela queria muito seu corpo e seu beijo.

Ela sabia que tinha medos, inseguranças, mas o carinho e a compreensão dele apagava tudo aquilo com uma facilidade tão grande, nem parecia que ela tinha medo de se entregar, de se dar. Tantos traumas apagados com um simples beijo, tantas saudades, tantos olhares, um desejo que ela não acreditava mais poder sentir, uma cumplicidade dada pelo sexo e pelo tesão, coisas de gente apaixonada, coisas dela. Ela sempre misturou sentimento com tesão, ela até já transou por transar, mas quando tem carinho, amor, amizade, paixão, o sabor é melhor, você se sente livre. Mas, no mínimo, ela esperava confiança, e, com ele, ela sentia confiança, o corpo dizia mais que ela poderia imaginar. Os carinhos após o sexo, tão familiares e tão bons.corpos-colados

E só é assim com ele, sintonia, magia, sentimento incomum que ela não sabe descrever, só sentir e retribuir. Corpo exausto, sede, satisfação e sono. Ela dorme com uma leveza tão familiar, sentimento de paz e satisfação. Ela não compreende o motivo de ser diferente com ele, mas sentia que a pele dele era tudo que ela queria tocar naquele momento, só isso que ela sabia e tava bom pra ela.

Faísca

Eu estava encarando sua boca, sou louca por sua boca. Sabia que não ia dar certo, quando a gente fica juntos sai faísca, bebo um copo de cerveja, acreditando que, ao engolir o líquido, iria junto o desejo de beijá–lo. Ele tem esse poder sobre mim, não sei cumprir com meus acordos quando ele está presente. “Não fico mais com ele!” Disse pra mim mesma, ele disse algo parecido pra mim um pouco mais cedo. Esse era o certo, mas o certo nunca acontece quando estamos juntos.

E acabou a cerveja, abre outra correndo, entra em casa e respira fundo, volta pra rua e enche o copo, já estava embriagada. Só não sabia se era por causa de (só) uma garrafa de cerveja ou se era por causa do seu cheiro, uma mistura de perfume com cigarro. Sem querer, ele esbarra em mim, eu arrepio toda. Vai dar errado, nunca dá certo quando estamos juntos, tenho essa fraqueza por ele que eu não entendo.
“Falei tanto que iria dar errado que ele já está deitado na minha cama”, pensei comigo. “Meu último ônibus já saiu, agora só daqui a três horas.” ele falou. “Puta merda! Três horas, tenho que me segurar pra não atacá–lo.” Pensei e respirei fundo. A gente sempre perde a hora conversando, ele iria passar rapidinho aqui e iria pra casa, mas… nunca dá certo, a gente pode planejar o contrário, mas é só quando eu estou com ele que eu não me controlo.
Ele me contou da sua cicatriz, que ele não gosta e eu acho linda, sinto tanta vontade de beijá–la, não tenho juízo quando estou com ele, só penso em beijá–lo. Como num passe de mágica, eu já estava alisando a perna dele, ele pega na minha perna, eu reclamo, ele fala “você também tá com a mão na minha perna!” E tudo flui tão bem, como se eu pudesse viver sem culpa, sem medo, sem me preocupar com o dia seguinte. Eu só sinto, desejo, amo e gozo! E é sempre assim, a gente junto não dá certo (será que não?), sempre sai faísca.

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Manteiga, gel ou vaselina? Vontade!

Para a receita de hoje separe muita manteiga (sem sal), gel à base d’água, vaselina ou outro ingrediente da sua preferência. Só não invente muito, lembre-se que no dia seguinte você precisará sentar.

Até que Norma Lúcia me ensinou uma coisa. Não. Duas coisas. Não. Três coisas. Primeira coisa: no começo, na iniciação, por assim dizer, tem que ser de quatro, requisito absoluto para a grande maioria. Segunda coisa: tem que dizer a ele que venha devagar. Ou, melhor ainda, dizer a ele que espere a gente ir chegando de ré devagar, sempre devagar. Terceira e mais importante de todas: relaxar, relaxar, mas relaxar de verdade, soltar os músculos, esperar de braços abertos, digamos. É um milagre. Foi um milagre, na primeira vez em que eu segui essa orientação simples. Daí para gozar analmente – não sei nem se é gozo propriamente anal, só sei que é um gozo intensíssimo – foi só mais um pouco de vivência, with a little help from my friends, haha.
….
Depois que aprendi, naturalmente que tive de procurar esse namorado meu – esqueci o nome dele agora, Eusébio, qualquer coisa por aí – e dar a bunda a ele, não podia morrer sem fazer isso. Dei numa festa de aniversário da então namorada dele, num sítio onde é hoje Lauro de Freitas, eu também era levadinha.

Este trecho de A Casa dos Budas Ditosos, do João Ubaldo  Ribeiro, devia ser de leitura obrigatória. Tipo, educação sexual, mesmo.

Como “dar” o cu. Ou como comer um cu.  Sim, é cu mesmo. Não vamos usar eufemismos. Cuzinho, de forma carinhosa e dando a deixa para trocadilhos infames.

Quase todo homem gosta, e insiste muito, e quase toda mulher diz que não gosta, pelo menos socialmente, e não dá (será?). Então, você amiga biscate que ainda não deu e pensa em experimentar ou para você amigo leitor querendo ser comedor de cu, fique atento às dicas. Porque vídeo “ai, que susto” só faz rir e não foca no principal… Vontade!

Então, a receita biscate de hoje:

Marlon Brando e Maria Schneider na famosa cena da “manteiga” (sexo anal não-consensual), no filme Último Tango em Paris de Bernardo Bertolucci

Excitação. Tesão. Vontade.

Essenciais. Sem isso, nem pense! Homem para comer um cuzinho tem que deixar a dona (vou falar de um ponto de vista de mulher, certo?) dele com vontade de dar. Louca, alucinada, tremendo. Com tanta tesão que perde o pudor e manda a porra do controle social que diz que não pode, não deve, pras cucuias.  Com tanta vontade que até oferece, mesmo que sem palavras. E aí, é preciso um bom entendedor.

Não é chegar metendo, jamais! Nem mesmo com o dedo. Se for bruto, sem aviso, sem preparo, não é sexo, né, gente, é violência, poxa.

Relaxar é importante, também é requisito. Não ter medo nem nojo.

Sugiro, no entanto, que ao invés de começar de quatro, comece de bruços, com um travesseiro apoiando o ventre ou de lado, na posição de “conchinha” ou “colherzinha”. Se for começar já de quatro, que seja apoiada em um banco, ou no encosto do sofá, ou de joelhos no chão, apoiada na cama, ou… tá, já vi que entenderam o espírito da coisa.

Lubrificação. A natural, da mulher bem excitada, pode não ser suficiente. Um bom lubrificante é necessário e deixa tudo mais gostoso. Só não invente muito. Na dúvida, o bom gel à base d’água.

A penetração tem que ser devagar, bem devagar, nossa, bem devagar mesmo… ai.
Dói? Dói, um pouquinho, uma dor fininha, macia, se é que isso se aplica. Mas acho que você sabe que se aplica…

Colocar as duas mãos, abrindo as polpas da bunda, porque enrabar e ser enrabada por um pau é uma arte. Sentir o peso de um corpo quente, pressionando meu corpo contra o colchão, mãos que se juntam às minhas em carícias, a respiração ofegante no meu ouvido, meus gemidos abafados pelo travesseiro…

Finalizando a receita: dar é conceder. Não é obrigatório. Não é obrigação gostar, e nem mesmo tentar, especialmente se você não tem a menor vontade, e vai “tentar” só para agradar alguém. (Só digo que, bem, experimentar novas possibilidades pode ser incrivelmente gostoso…)

*música tema: Rita Lee – Lança Perfume “me deixa de quatro no ato, me enche de amor…”

A Bunda, que Engraçada

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica
Não lhe importa o que vai pela frente do corpo.
A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda, redunda

(Carlos Drummond de Andrade)

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(dicas mais práticas, visite o blog da Leticia Fernandez, neste post específico)

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Post de UTILIDADE PÚBLICA, de autoria coletiva do BSC.

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