Dando Um Trato

Você, amig@ biscate que costuma vir aqui ler, discutir, divertir-se, discordar, aprender e etecéteras (viva a imaginação!) deve ter reparado que as coisas aqui andam de pernas pro ar (uêpaaaa!)…

É que estamos, por assim, dizer, trabalhando pra melhor servi-l@. Gente que vai, gente que chega, o clube anda sempre de pernas portas abertas. A partir deste sábado, tudo com cheirinho de estréia: nova colunista, horário de postagem mais cedo: 10horas, uma coluna pornô…

Continuamos recebendo sugestões, críticas, convites indecorosos e, inclusive, textos convidados no nosso mail: biscatesocialclub@gmail.com. Chega mais! Os textos podem ser depoimentos, impressões sobre a biscatagem, receitas, posts sobre cinema, música, pinturas e/ou qualquer produto cultural ligado à essa nossa vida Biscate.

Por agora (que a bisca-graúna-borboleta Lu promete post completinho), vamos deitando na cama que a gente fez a fama: o Biscate Social Club tava na televisão o/

Pode apertar aqui que chega lá…

 

A Parada Gay não é mais a mesma?

A tristeza acompanha as notícias vindas de São Petersburgo: a paraga gay russa será, até o momento e apesar do clamor dos defensores dos direitos civis, proibida pelos próximos 100 anos em nome de uma sociedade mais ***civilizada***. Nesse momento, a luta contra homofobia no país significa o direito de protestar pelo direito de protestar. Aqui a situação é parecida.

Guardadas as devidas proporções, recentemente enfrentamos situação semelhante com a Marcha da Maconha. Felizmente, o STF considerou inconstitucional a repressão contra manifestações públicas. Temeroso pensar que precisamos chegar a essa instância para garantir um dos direitos mais básicos do modelo democrático em que vivemos.

Esse é o contexto da 16ª edição da Parada Gay 2012 que acontece amanhã em São Paulo. Porém, o evento vem sendo erroneamente criticado pelo suposto esvaziamento político e acentuado alcance econômico. A data, antes marcada pelo protesto, teria se transformado numa ocasião de diversão, pegação geral, sexo livre, promiscuidade. Coisa que não ***combina*** com a luta pelo casamento igualitário e a defesa da ***família***.

As perguntam se multiplicam. Por que temer o caráter carnavalesco do evento? Por que uma manifestação LGBT deveria ser casta e puritana? Por que a luta deveria sublimar toda e qualquer manifestação da sexualidade? E se os manifestantes não podem pegar geral em seu próprio evento, quando poderão? Não se trata apenas de moral e bons costumes. Pegar geral e irrestritamente é fazer política, biscates sabemos.

E assim temos avançado. Há conquistas a  celebrar, terreno a ser defendido. Na base de muito pancake, por que não? Porque nunca será apenas uma oportunidade para ver e ser visto. E mesmo que seja, teremos motivação política suficiente: lutamos pelo direito de existir numa sociedade que nos quer (femininas, masculinas, transsexuais ou assexuais) invisíveis a todo custo, no máximo submissas e caricatas.

A boa notícia (e a má) notícia é que todo manifestante LGBT sabe disso.

Então que venham muitos beijos, glamour e pegação.

Enquanto incomodar muita gente, é porque estamos no caminho certo.

Uma biscate casada ou não: sobre a não monogamia

Por Charô Nunes*, Biscate Convidada.

Eu falo demais e falo da minha família abertamente. Brado, aos quatro cantos, que nossos principais valores são a convivência, autonomia e o respeito. Não que saibamos muito bem o que é isso e tenhamos todas as respostas, muito pelo contrário. Estou descobrindo. Aliás, estamos. Porque nem sempre funciona. E recomeçamos… Para minha surpresa, isso incomoda. Frequentemente somos vistos como pessoas egoístas que não se relacionam conveniente e adequadamente. Imaturos, com dificuldade de amar e de “jogar a âncora”. Seríamos virtualmente incapazes de criar uma família “de verdade”. Filhos? Nem pensar.

Essa idéia tem a ver com nossa opção por sermos não-monogâmicos, eu e o Roger. Algumas vezes mais, outras vezes menos, outras vezes beeeeem menos (há controvérsias) mas… Estamos sempre em busca da não-monogamia. Essa opção fez com que eu tivesse o privilégio de conhecer pessoalmente a Rede Relações Livres (ou simplesmente RLi) no ano passado. Foi uma das experiências mais transformadoras da minha vida. E se você não conhece, deveria. Eles são uma grupo não-monogâmico (com acentuação atéia, mas não necessariamente, abertamente feminista) que questiona o modelo de relacionamento monogâmico em todas as suas facetas.

O que achei fascinante entre eles é a recusa de adotar modelos tradicionais de conjugalidade. Eles não se casam, não usam alianças, não moram nas mesmas casas. Não andam de mães dadas e praticamente não expõe aquilo que, entre monogâmicos, é tido como próprio de um relacionamento. Eles vivenciam tudo isso, mas em momentos muito especiais, de extase. Quando se está numa de suas reuniões, a menos que se saiba de antemão quem é parceiro de quem, é virtualmente impossível formar pares entre eles. O mais adequado é assumir que qualquer um deles pode se relacionar com todos ao mesmo tempo.

Pode acontecer de você estar com vários parceiros num bar, mas será praticamente impossível estabelecer quem se relaciona com quem. E mais, a qualquer momento, essas pessoas tem a autonomia de estar com quem quiserem. Sem ter de pedir permissão para o(s) parceiro(s), sem ter de dar explicações. E quando não querem estar um com o outro, no problema. Ninguém tem de inventar dor de cabeça para explicar o porquê de não querer transar em determinado dia. Até mesmo porque eles muitas vezes preferem morar em casas separadas. Só admitem morar juntos em condições muito específicas, quando falta grana para manter duas casas por exemplo.

Aboliram de seus relacionamentos toda e qualquer atitude e símbolo que remeta à posse. Fale de ciúmes e eles não serão capazes de te entender. Preferem sentir compersão que é a felicidade de ver seu parceiro sendo feliz com outra pessoa. Isso se explica facilemente porque ntre eles já não existem mais casais e sim indivíduos. Ali não existem duplas, trios ou quartetos, existem pessoas livres para se relacionar com quem quiserem, pelo tempo que lhes aprouver, e do jeito que for mais gostoso, sem ter de dar satisfações para ninguém. É muito bonito de se ver. Mas é claro, é um caminho a ser trilhado pois tudo não vem assim facinho.

Para isso eles criaram uma estrutura que lhes permite estudar, conversar, vivenciar. Não falarei aqui dessas vivências porque não participei diretamente de nenhuma e prefiro manter certa discrição sobre os relatos que ouvi porque são estórias de pessoas e é melhor respeitar aquilo que eles mais prezam, sua intimidade. Mas posso dizer que todos ali me parecem muito sinceros, saudáveis (sim, tenho de falar nesses termos) e conscientes de sua capacidade de amar e de se comprometer seriamente (ou não) com mais de uma pessoa. São pessoas apaixonantes, simplesmente. As mulheres, todas biscas até o talo. Livres, livres, livres. Quando eles querem, simplesmente o dizem. Assim, facinho. Eu fiquei assim, bege (coisa bem rara para uma negra) de tanta admiração.

Há quem diga que se trata da incapacidade de se doar, de amar de verdade. O principal equívoco é achar que um Rli não se envolve emocionalmente uns com os outros. Há relacões que duram há praticamente 15 anos. Mas isso não quer dizer nada. Para um Rli o tempo não importa. O que vale é a intensidade. Super biscate a coisa. É puxar até a última ponta. Mesmo que seja só sexo ou não. Ou apenas afetividade. Ou ainda as duas coisas juntas. O fato é que ali impera o respeito a si e ao outro. Gente, só indo lá pra ver. E eles sempre estão aberto a “novatos” que não são obrigados a nada se não quiserem. Você pode ir lá, bater um papo gostoso e sair. Respeito gente, respeito.

Ali não há perdas ou traições porque ninguém se pertence. E mais, é bom se despir de qualquer preconceito. Entre os Rlis a escala de Kinsey é uma vivência. As pessoas não ficam em um ponto da curva para o resto da vida, elas valsam por ela todinha se lhes aprouver. É muito libertador para mulheres e homens que não tem medo de se descobrir pocahontas ou não. E é claro, quando um monogâmico é apresentado a esse universo dá um medinho. Mas garanto, pouco tem a ver com egoísmo. Diria que muito provavelmente uma bisca ficaria muito excitada com tudo isso. Até mesmo porque aqui o pagode é mais embaixo, como escreveu lindamente a Paula Bruk dia desses.

E se você gosta do nosso blog que tal distribuir amor em nossa página do facebook? #Sejoga. E para quem não pode ir até Floripa, fica o convite para o grupo RLi no facebook também. Uma deliça.

Agora um beijo, um abraço e uma perto de mão. Até o próximo post.

charÕCharô Nunes é divertida, criativa e produtiva. Como eu sei? Basta lê-la. É artista orgânica e arquiteta plástica. Fala sobre arte no Oneirophanta, anticonsumo e desopinião livre no Contravento  e Poliamor no Pratique Poliamor Brasil.

Não me toque em mim ou…biscateie-se!

GUEST POST por Augusto Mozine*

Como você usa o seu corpo, Abaporu? Não, esse texto não é mais uma auto-ajuda “geração saúde”. Quando pergunto “como você usa o seu corpo?”, eu quero saber, nessa sua reflexão, o quanto você é capaz de usar a sua liberdade. Também não estou me referindo à libertinagem (só), mas a outras formas de se aproveitar o próprio corpo e que vão muito além da liberdade sexual.

Resumindo, você é capaz de se sentir feliz minimizando ou anulando as pressões sociais sobre a forma como você deve se vestir, sobre a quantidade de mililitros do silicone que você deveria colocar, ou sobre o tamanho do seu pinto? Você tem muito ou pouco cabelo? Calvície precoce ou decorrente de algum processo químico/doença? É rato de academia e caso não vá lá durante a semana se recusa a exibir a flacidez dos 30 na praia de sábado? Tem celulite, estrias, espinhas e isso incomoda?

Alguma dessas coisas incomodou? Preocupa não, incomoda a todo mundo. Então por que eu estou fazendo essa tortura? Apenas para lembrar que cada uma dessas coisas que se acumula no mal-estar da nossa rotina (claro que eu também não estou incólume) significa um nível maior de controle externo sobre o nosso corpo. Sim, toda vez que nós nos olhamos no espelho e pegamos na gordurinha da cartucheira, balançamos e pensamos  “isso não deveria estar aí”, estamos mais dependentes de um denso processo de dominação do nosso corpo.

Calma, “se ame” não é a resposta que darei para resolver isso… Isso não tem nada a ver com o amor próprio, tem a ver com o nível de liberdade a que nós nos permitimos. Ao quanto estamos dispostos a romper padrões, colocar dedos nas feridas e procurarmos nos sentir bem. A resposta, talvez, esteja em um fenômeno chamado “biscatear-se” ou se permitir romper com essa merda! Grite todo dia para a humanidade: “Não me toque em mim”!

Não, não é crime, ainda. Mas ninguém precisa ficar medindo a quantidade de silicone da outra, o tamanho do bilau, a cintura, a grossura das coxas e dos braços, regulando a musculatura alheia etc… E, mais, é importante se dar ao luxo de, sendo ou não o padrão de beleza (e 99% de nós não é), usar e abusar do nosso corpo (com saúde, segurança, consentimento e blá blá blá).

Se isso não der certo, vá para arte (não deixe de ver o vídeo), onde qualquer corpo fica lindo, além do que um dia você será alguma daquelas obras de pessoas “não-padrão de beleza” na parede de um museu ou em um vídeo no YouTube. E enquanto isso não acontece, biscateie-se. Seu corpo é tudo aquilo que você deve se permitir impedir o resto de constranger! E quando aquele amiga vier com o papinho, “se ama, amiga”; diga a ela: “que nada, to me biscateando, santa”!

.

*Augusto Mozine é desses. Desses que chega conquistando espaço. Diz-se por aí que ele não gosta de se definir, mas nós por aqui dizemos que é cientista social e surrealista. Se você passar quietinho e com atenção, vai ouvi-lo conversando com estátuas enquanto escreve nonsense pra quem quiser… Se espalha entre O Blog que HabitoPode isso, Nelson? e Hipérbole Política (um segredinho: é um inveterado apaixonado, sofre e aproveita o melhor e o pior que as pessoas estão dispostas a oferecer…). Quer mais? Segue ele no twitter: @Mozzein

Este é um guest post mas não é. É que de hoje em diante a biscatagi da casa está em um relacionamento aberto, tico-tico-no-fubá, enrolado, chameguento, divertido e constante, porém não monogâmico, com o querido Augusto – que virou nosso, por assim dizer, colunista. Cliente fixo da casa. Com os privilégios afins e condizentes. Uma segunda-feira do mês é sempre dele, pra usar e abusar, lambuzar-se como quiser.

Uma Biscate Incomoda Muita Gente

Biscatagem e moralismo são incompatíveis. Moralismo se incomoda com a biscatagem. Moralismo significa uma aplicação de limitações e regras de conduta – sobretudo em relação ao próprio corpo – que reivindicam uma forma de agir “mais iluminada”, “correta”, tolhendo a diversidade das pessoas e das ações humanas em seus mais variados aspectos. Biscatagem é o oposto. A regra da biscatagem é não ter regra. Biscatagem é o querer. É o fazer sempre consigo mesma e jamais com outrem.

Outrem geralmente, não sendo biscates, não tratam-nos assim.


Cruze as pernas. Tire os pelos. Vista branco. Não transe. Transe. Só transe. Ame. Não se apaixone. Controle. Reprima. Solte. Imperativos e mais imperativos.

A biscatagem vai ainda além. Provoca o moralismo porque se trata essencialmente também de sexo. Moralismo de direita, de esquerda, moralismo que se reivindica feminista, moralismo que se reivindica conservador, religioso, enfim. Todinhos eles se incomodam com a conduta sexual das mulheres de todos os tipos. Já que nós biscates damos é risada de suas regrinhas, acabamos por incomodar ainda mais.


Difícil é ser livre com a sexualidade, seja de si, seja dos outros.

A biscatagem é desejar, essencialmente, a diversidade. Mesmo quando ela nos incomoda.

[e as tirinhas foram especialmente escolhidas, de uma autora biscate que tem incomodado bastante: Laerte]

Biscate Não Sente Frio

Por Sara Siqueira*, nossa Biscate Convidada

Biscate não sente frio, disse o autor do texto Mulher agora usa uniforme de biscate. Mal sabe ele qual é o nosso real uniforme. Também não tem nem ideia que não é toda biscate que usa roupas curtas…

Ele até entende uma mulher que receba pra se vestir com roupas curtas e decotadas o faça. Não entende que as demais mulheres se vistam assim sem receber nenhum cachê por isso. Mas Biscate que é Biscate não usa roupa pra receber cachê. Usa por vontade própria. Biscate usa a roupa que quer, é libidinosa, sensual, sexy ou não é nada disso. Biscate às vezes nem curte roupas curtas, às vezes quer não estar sexualmente disponível e quando está, não é pra qualquer um não. Faz valer seus desejos por um@ ou vári@s homens e/ou mulheres. Afinal nós só fazemos o que desejamos.

Biscate usa roupas minúsculas e se sente muito feliz da vida em se olhar no espelho e ver suas curvas, retas, gorduras e ossos a mostra! Biscate também usa roupas que cobrem todo o corpo, se veste com roupas consideradas masculinas ao olhar de muit@s por aí, usa cor de rosa, nude, branco ou azul. Feliz é a Biscate que se sente livre pra usar a roupa que deseja! Se você se sente incomodad@ com a roupa que está vendo, não a use e pronto.

Eu sempre fui meio de veneta! Tem dias que uso roupas mínimas, em outros dias, saio vestida dos pés a cabeça, sem parte alguma da minha pele aparecendo além do meu rosto e mãos. Cabe a cada indivíduo, seja Biscate ou não, escolher qual roupa vai usar. E é coisa de Biscate respeitar a vestimenta alheia, seja ela curta, comprida, colorida, preta ou branca!  O uniforme da Biscate só tem duas peças: Respeito e Liberdade.

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Sara Siqueira é uma mulher criativa, aberta, voraz em relação à vida. Ela se pergunta, se inquieta e aprende. É lindo de se ver. Sara escreve no Blogueiras Feministas, Feministas na Cozinha e no Arlequina. Múltipla, é artista visual, quadrinista, atriz e cantora. Ainda arrumou tempo para formar-se: Licenciatura e Bacharelado em Artes Visuais, Pós-Graduação em Psicanálise. E, claro, Biscate por natureza e opção. Você pode seguir no twitter: @sarajoker.

Um olhar, de biscate

GUEST POST, por Maurício Alves*

Uma das coisas que mais me marcou nesses quarenta poucos anos de vida certamente foi o encontro tão inesperado quanto isso pode ser com uma mulher que virou minha vida pelo avesso. O que ela tem de tão diferente assim e que justifica um artigo para um blog que possui como temática a mulher, e mais do que isso, uma mulher que é dona de si e do seu corpo, do seu nariz e das suas vontades?

A resposta para isso está no título e no significado que ele tem pra mim. Em um olhar que já foi definido por um amigo como “frechada” (ê Minas!) diante de uma foto dessa pessoa. Que eu sei muito bem que expressa desejo, bem como eu sei que, se eu fosse colocar uma fala na foto, certamente seria “eu quero.” Este que vos tecla, meus caros, se deixou sucumbir totalmente por uma mulher que, do alto dos seus 30 anos (que podiam ser 20 ou 55) é senhora dos seus desejos o suficiente para escolher o homem que lhe agrada em meio a tantos outros e, mais do que isso, confessar essa escolha e esse sentimento diante, literalmente, do mundo.

Quando ela afirma seu desejo diante de quem quer que seja, ela sem o saber desafia homens que pagariam para que ela não o fizesse. Que dariam qualquer coisa para que a sua beleza fosse também silenciosa e docemente submissa. Não por algum tipo de fetiche, mas porque para eles sempre foi mais fácil se impor perante as mulheres. Se pudessem, talvez pedissem desculpas por não saber amar de outro modo que não aquele que impõe que subjuga que domina e que silencia.

Se me perguntassem se eu a defino de alguma maneira por se comportar assim, a resposta seria ambígua, um sim e não muito mal explicados. Mas eu sei perfeitamente que, quando ela se afirma desse modo (e eu aqui não faço diferente, afinal tenho que fazer jus a ela) acaba por representar, sem o saber, toda a sua geração. Uma geração de mulheres que está ocupando as ruas do mundo com a mesma autoridade e ousadia com que lançou um grito de ocupação do próprio corpo nos anos 60 e 70.

Não por acaso, o homem que surge como resultado de uma sociedade na qual a mulher tomou as rédeas de seus desejos e afirmou suas escolhas é alguém, a princípio, medroso. Uma pessoa que oscila entre a aceitação passiva disso como se não tivesse a prerrogativa de dizer “não” e o macho alfa que tem a obrigação de ser o sujeito ativo de todas as relações nem que o preço disso seja o silêncio do desejo da parceira. Tempos difíceis esses para o gênero masculino, nos quais lhe é dada a opção de responder àquela mulher que o quer com um “sim” ou um “não” ambos carregados do mesmo significado: “eu reconheço seu desejo”.

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* Maurício Alves é jornalista, mineiro de Belo Horizonte e está na web desde a época em que o relacionamento homem-mulher começava pela internet. De verdade.

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