Padrão Vadia

Por Helen Taner, Biscate Convidada

Resolvi escrever sobre uma coisa que vem me incomodando e sei que muitas pessoas a minha volta também. Então, como eu já disse aqui, eu tenho 105 quilos e eu sou vadia. MAS NINGUÉM ACREDITA. Eu sei, eu sei, “ninguém tem nada com isso” e também “não precisa provar nada para ninguém”. O negócio é de que o fato delas não acreditarem também está relacionado aqueles números ali em cima. Portanto, esse texto aqui é sobre como existe um certo padrão para tudo, até para ser uma vadia.

Eu sei que as pessoas que vão ler são, em sua maioria, desconstruídas e também sabem que o ideal vadio não corresponde a realidade, mas vamos fingir que não e pensar um pouco como aquelas pessoas que acreditam fielmente nele para responder a algumas questões. Quando você pensa no termo “vadia” qual é a imagem formada na sua cabeça?

Boa parte da população citaria exemplos de alguma personagem de telenovela que provoca homens (exatamente, no sentido heterossexual) com as suas roupas curtas e perfeitamente ajustadas a um corpo escultural (magro ou estilo “panicat”), com cabelos compridos até a altura da bunda (e que bunda né?), super maquiada e incapazes de ter um relacionamento de verdade ou de deixar “em paz” os relacionamentos a sua volta. Quais dessas seriam consideradas vadias, a princípio (porque, né, toda mulher sempre pode ser “xingada” de puta por não se adequar a alguma expectativa social)? A moça da propaganda de absorvente ou amaciante (estereotipada), que tem roupas ‘comportadas’, sem decotes e no comprimento “adequado”, ou a moça da propaganda de cerveja, que está num bar cheio de homens com um shortinho mostrando parte da bunda e com um decote que é maior que o tamanho da blusa (mesmo se elas estiverem dentro da geladeira)? Os exemplos são muitos, sei que quem está lendo consegue entender esta divisão santa X vadia, que a sociedade repete.

Enfim, eu não estou dentro dessa imagem construída de o que é uma vadia. Eu sou gorda, atualmente careca, me visto com roupas largas da sessão masculina (tipo um mano), não tenho belos peitos (ainda) nem o tal corpo escultural – e não me relaciono só com homens.

Eu sou pansexual, na realidade. Essa última característica – que não é evidente na aparência – é a única me “enquadra” neste estereótipo, pois há um grande preconceito com pessoas pans. Na minha observação, a maior parte das pessoas acha que ser pansexual é um código para promiscuidade e para não se controlar diante de qualquer um que esteja próximo. Deixa eu esclarecer: ser pansexual significa apenas que eu sinto atração por pessoas independente do gênero e somente isso.

Aí quando a pessoa que está por perto não sabe da minha pansexualidade e eu falo algo do tipo “fazer o que? Eu sou vadia mesmo!” a reação é de estranhamento (às vezes inconsciente, mas igualmente problemática) ao fato de eu não estar de acordo com o esperado. Isso me incomoda. E não só a mim. Muitas amigas gordas reclamam sobre isso, como se ser biscate dependesse de um determinado corpo e não de como você se sente ou do quanto gosta de ser livre. Como se fosse impossível você “conseguir” ser vadia tendo determinado tamanho/peso. Está implícita a idéia de que nenhum homem (a heteronormatividade impera) ou mais, nenhuma pessoa (no meu caso) vai querer trepar com uma pessoa gorda. Como se não pudéssemos ser desejáveis.

E eu sinto que isso talvez não devesse me incomodar tanto, já que sofremos preconceito em muitos outros setores (como ir a médicos, entrar em academias, conseguir empregos), mas incomoda. E eu vejo muitas manas que lutam contra a opressão e contra os padrões incorporados na nossa sociedade reproduzindo isso. Machismo e gordofobia costumam trabalhar juntos com muita eficiência.

Não devíamos ter que provar que podemos ser amadas ou o quanto nos amamos – até porque nem sempre nós temos certeza disso, neste contexto é sempre uma conquista manter a autoestima. Ser gorda é um processo interno gigantesco de aceitação ao próprio corpo, de negação de valores sociais pré-estabelecidos e mesmo a mais autoconfiante pode acordar com vontade de quebrar o espelho. E sabe o porquê? Porque em todos esses pequenos gestos mostram-nos o contrário do que estamos construindo em nós.

Com tudo isso expulso do meu peito, eu queria deixar dois recados. Você que nunca sentiu essa sensação que eu descrevi pense se você não é a outra pessoa, a que encara, a que quase ri e, se for, eu espero que trabalhe para desconstruir isso em você mesma. Se você é a pessoa que sentiu, a que sabe exatamente do que eu estou falando, CALMA, VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHA, existem outras pessoas que passam por isso (algumas nem estão tão fora do padrão assim e sofrem também) e acima de tudo, continue trabalhando isso dentro de você para que ninguém consiga tirar seu amor próprio nem sua vontade de continuar lutando e sendo a pessoa MARAVILHOSA e VADIA que você é.

Helen Taner de Lima é uma vadia Trans Não Binárie – Agênero, que responde pelos dois pronomes, e Pansexual, graduanda em Filosofia na PUCPR, que estuda gênero e Teoria Queer, escorpiana que não acredita em astrologia e professora quando o governo deixa. Blog pessoal: http://harmonuim.blogspot.com.br/?m=1

Teve um dia que me chamaram de puta…

I’m a bitch, I’m a lover
I’m a child, I’m a mother
I’m a sinner, I’m a saint
I do not feel ashamed
I’m your hell, I’m your dream
I’m nothing in between
You know you wouldn’t want it any other way

Meredith Brooks – Bitch

E esse dia não foi o único, mas foi uma ocasião diferente das inúmeras vezes em que fui chamada de puta no dia a dia. A diferença estava na importância que a pessoa tinha na vida do meu companheiro na época. Sim, fui chamada de puta por umx familiar de um namorado, mas também não foi x primeirx membrx da família de um namorado meu que me chamou de puta. O que diferenciou é que, nas outras vezes, eu ainda não estava empoderada e, dessa vez, já era Biscate assumida.

Mas, pensemos: Porque me chamar de puta? Bem, a pessoa usou esse nome pra mostrar que desaprovava meu relacionamento com esse namorado. Afinal, um homem como ele não deveria namorar uma mulher como eu. Mas, como sou eu? Bem, sou ex-professora, formada e pós graduada, com meu emprego próprio, me mato de estudar todos os dias pra passar em um concurso público e apaixonada pela minha mãe. Se eu fosse uma mãe, tia, avó, irmã, eu adoraria uma mocinha dessas como namorada de umx membro da minha família. O que incomodou tanto essa pessoa, afinal? Ah, eu esqueci, sou daquelas mulheres que transa no primeiro encontro, não frequenta igrejas, bebe muito, mora fora da casa de sua mãe e seu pai, foi criada em um “lar desfeito” (ah, o medo de mulheres divorciadas criarem pequenos monstros que não fazem as tarefas de casa sozinha!) e tem suas opiniões muito fortes. Sim, eu sou uma biscate!

Meus companheiros não precisam ir a casa de minha mãe e meu pai me pedir em namoro, na verdade, se ninguém por lá aceitar o namorado ou namorada, eu nem ligo. Sou carinhosa, gosto de cuidar de quem amo, cozinho e faço agrados, mas espero agrados de volta, como me ajudar com a louça que acumulou em minha pia por causa de minha tendinite (afinal, divisão de tarefas vem também de cuidar e amar). Não sou muito simpática com pessoas que me impõem coisas como religião, comportamentos e atitudes. Não quero e nem preciso ser recatada ou delicada, falo alto, rio alto, durmo pelada na casa do namorado. E apesar de adorar namorar, tenho uma lista beeeeeem extensa de parceirxs sexuais em meu passado.

Foto da Marcha das Vadias de Brasília em 2013.

Foto da Marcha das Vadias de Brasília em 2013.

Biscate, piranha, vagabunda, puta, palavras que pra mim são tão comuns (resignifiquei todas para não julgar as coleguinhas) que fiquei em dúvida se deveria me defender ou não, mas, no calor da discussão, me defendi, me magoei. Afinal, praquela pessoa, ser puta é ser indigna. Não ser mulher praquele cara especial (bastante, como todos os caras que não separam mulheres pra transar e pra casar) era ser puta, ele não me buscou na casa de mamãe e pediu minha mão em casamento, eu não cheguei virgem até ele. Então eu não era mulher que a “família” escolheria pra ele.

O fato é, não existe isso de você não é homem ou mulher pra alguém. Relacionamentos deveriam ser construídos longe de preconceitos e caixinhas de “par ideal”. E, quando conseguimos construir fora de caixinhas esse relacionamento entre duas pessoas (ou 3 ou 4, a escolha é das pessoas envolvidas), vem uma pessoa de fora querendo se meter no que tá dando certo por puro preconceito. Então, familiares, acho que se um homem namora uma puta, biscate, vadia ou o que for, isso só diz respeito a ele. Deixe que ele seja feliz, pois, se escolheu aquela pessoa é porque é com ela que quer dividir aquele momento de sua vida. Seja por uma noite, seja por meses ou anos.

This labeling
This pointing
This sensitive’s unraveling
This sting I’ve been ignoring
I feel it way down
Way down

These versions of violence
Sometimes subtle, sometimes clear
And the ones that go unnoticed
Still leave their mark once disappeared

Alanis Morissette – Versions of Violence

Vadias e Biscates, SOMOS TODAS!

Por Iara Ávila*, Biscate Convidada

Sim, eu sou uma vadia. Eu sou uma mulher da vida, uma Geni, uma biscate, uma piriguete. Eu também sou mãe, e sou trabalhadora. Sou igual a várias mulheres que conheço. E ao mesmo tempo diferente.

Partilho com elas o drama de ser mulher numa sociedade machista, mas sou branca e heterossexual, de família classe média, tive tudo que puderam me dar, embora não tudo o que eu quis aos 15-18 anos, porque sonhos de adolescente são, em geral, bem distantes das possibilidades paternas, ou até mesmo dos objetivos educacionais dos pais.

Partilho com essa mulheres saber que fui preterida para cargos de direção porque tinha filhos pequenos, partilho com outras mulheres saber que não fui escolhida porque era a menos bonita. Partilho com essas mulheres cantadas nojentas,  por exemplo grávida, de roupa de grávida e atravessando a rua.

Sei que a vida das colegas negras e homossexuais ou transexuais deve ser ainda mais difícil. Não lhes dão o direito de amarem, de terem seus nomes assim como o sentem. Nos documentos oficias, a não ser depois de longo, subjetivo e desgastante processo judicial ou administrativo.

Sei, ainda, que a vida das mulheres negras para conseguir emprego é ainda pior que para uma mulher branca, são em geral preteridas no mercado de trabalho, a não ser que embranqueçam, tenham traços mais parecidos com os das brancas e jamais usem cabelo afro, ou seja, ruim (ruim porque é de negra, não porque é enrolado). Óbvio que simplifiquei a questão, mas existem vários outros problemas adicionais ao de serem mulheres quando estas mulheres são transexuais ou negras.

Sou vadia, biscate, gosto de vadiar… Gosto de sexo, gosto de ser livre nas minhas escolhas sexuais e amorosas e isso nunca, jamais significou ou significará convite para estupro.  Porque eu escolho meus parceiros e não sou, portanto, objeto a ser escolhido. Enfatizo que meus parceiros também não o são. Somos apenas pessoas com o mesmo interesse.

Sim, sou gorda, mas há homens que me desejam, gostam de mim pelo que sou — não a gorda — gostam da inteligência, do papo, do humor, do carinho. Sei lá. Tantas coisas batem entre um casal. É pele, é momento. É limitado escolher somente por tipo físico. Mas cada um tem seu gosto e suas prioridades.

Sendo assim, por ser vadia, vou me policiar para nunca mais condenar outra mulher por suas escolhas amorosas e sexuais, por ser gordinha ou não, vaidosa ou não, condenar  suas escolhas de como criar seus filhos, ou de não tê-los, de casar ou não. Não vivi a vida alheia para saber o que levou tal pessoa àquele momento.

Desejo mesmo é que  todas as mulheres vadiem pelo mudo livres, aportando aonde quiserem, zarpando quando lhe aprouver, que as considerações a serem feitas ao chegar e partir pertençam a elas e a ninguém mais. Sim, elas sabem o que deixam para trás e quais são suas responsabilidades perante outras pessoas, por exemplo, e óbvio que isso lhes pesa, como deveria pesar a um homem também, ou a um trans ou gay. Não nos cabe julgar, não cabe a ninguém julgar.

Desejo, enfim, a todas as mulheres o que desejo a mim: que sejam livres na vida para serem elas mesmas, sejam biscates do mundo. Meu desejo como feminista é um só: liberdade para escolher sem ser julgada. Porque ser vadia é ser livre. Aos olhos do mundo seremos sempre vadias, por uma razão ou outra que nos impingem e que independe do nosso comportamento ou decisão. Que sejamos, então, vadias, e também biscates, com orgulho e unidas, sem condenar a coleguinha.

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* Iara Ávila é “baixinha, gordinha, nervosa, dentuça” e pede que devolvam seu coelhinho. Adora comentar novela, BBB e política e curte sambar essa “contradição” na cara das pessoas. Está lá na Brasólia rindo das bestagis do mundo e se indignando com machismos e preconceitos. No tuíter ela é a divertida @bete_davis, mas é vadia e não diva — segundo a Camilla Magalhães — e você pode acompanhá-la também no seu blog.

Fui feita pra vadiar!

Sabia que neste final de semana, dias 26 e 27 de maio de 2012, em várias cidades do Brasil, um monte de gente vai sair às ruas, na Marcha das Vadias?

– Nossa, que nome horrível! Quem inventou isso? Que falta do que fazer! Eu não vou em uma coisa com um nome desses!

Hum… minha cara de Willy Wonka pensando em todas as outras marchas para as quais te convidei e você não foi.

Então! É sábado!

Dia de tirar a calça jeans, colocar um fio dental… ~ops~ não precisa!

Gente, é uma marcha sobre VIOLÊNCIA, e não sobre SEXO.

Não tem roupa específica. Não precisa “ir de vadia”.

Aliás, o que seria uma roupa “de vadia”?

Curta? Decotada? Barriga de fora? Peito pra fora?  Bunda pra fora?

Biscate, piriguete. O que é ser “vadia”?

O homem é civilizado
A sociedade é que faz sua imagem
Mas tem muito diplomado
Que é pior do que selvagem

Somos todas vadias.

Quando usamos a roupa curta ou decotada, e ousamos dizer um NÃO para algum homem? Somos vadias?

Somos vadias quando uma pessoa tem um relacionamento com um terceiro e busca a nossa companhia? Para um monte de gente, somos vadias…

Somos vadias quando nossa orientação sexual não segue um padrão heteronormativo, e paira sobre nós o fantasma do estupro corretivo.

Somos vadias quando somos estamos dirigindo, e desobedecemos a regra de ouro de … não cumprir as regras de trânsito e exceder o limite de velocidade. Para tantos e tantas outros e outras motoristas, somos putas e vadias, apenas por estar no volante? E se for em uma cabine de comando, de um avião? 

Somos vadias quando levantamos a voz, e dizemos que não concordamos com algo que foi feito ou que foi dito, somos vadias quando sentamos sozinhas em uma mesa de bar, somos vadias se vamos ao cinema desacompanhadas, somos vadias quando… bem, quem mandou nascer mulher?

A Marcha das Vadias é nome que recebeu, no Brasil, um movimento que começou no Canadá, em Toronto, quando um policial canadense, Michael Sanguinetti, fez a infame afirmação, em uma palestra: “Me disseram que eu não devia dizer isso, mas as mulheres não deviam se vestir como vadias se não querem ser estupradas”. As alunas da universidade se revoltaram e sairam às ruas, “vestidas de vadias”, para afirmar que a culpada pelo estupro não é a vítima e nem a roupa que ela usa mas, sim, a conduta do estuprador.

Até hoje, quase dois anos depois, e com a propagação dos protestos por todo o mundo, a Polícia do Canadá ainda insiste que este comentário não representa a visão de toda a instituição, mas “apenas um oficial”.

Infelizmente, não é só no Canadá que as mulheres são responsabilizadas pelas violências sofridas. Especialmente a violência sexual. E ainda há decisões nas quais a “mera negativa” da vítima em consentir com o ato sexual, sem resistência efetiva, serve para descaracterizar o estupro e absolver o agressor. Ainda há decisões nas quais o “comportamento” da vítima (e nem precisa ser o comportamento sexual da vítima com o agressor, basta dizer que a mulher é sexualmente livre, já teve “mais parceiros do que a média’ – e eu pergunto: qual é a “média”?) serve não para calcular a pena, como é previsto e justo, mas para afastar o crime,

E é por isso que marchamos.

A violência contra a mulher é uma chaga, naturalizada, internalizada, divulgada sem reflexão, repercutida sem informação.

Mulheres são assediadas, abusadas, estupradas, intependente da roupa que vestem, do corte de cabelo, da maquiagem, ou do salto alto.

Mulheres são agredidas e mortas, na maior parte dos casos, por companheiros ou ex-companheiros.

Nem sempre o estuprador é um “monstro psicopata”, nem sempre ele é o “estuprador serial” das manchetes sensacionalistas. (e até sobre o mítico “monstro”, recomendo essa leitura, da Eliane Brum –  A vítima indigesta ) Aliás, quase sempre, ele é o amigo do pai, do avô, do irmão. Quando não é o pai, o avô, o irmão, o tio, o marido da mãe, o vizinho.Todas as pesquisas e dados mostram que em mais de 70% dos casos, o estuprador é parente, companheiro ou ex-companheiro ou conhecido.

A marcha das Vadias é contra a violência, é séria, e prá valer.

E pego um trecho de uma música do MV Bill, com o Charlie Brown Jr:

“Muda, luta, move essa bunda. Cria coragem, larga dessa vida imunda. Porque a culpa é de quem tem a culpa e não de quem leva a culpa!”

[+] Um adendo necessário: Vadias somos todas. E sérias. Somos vadias sérias, de luta, de coragem.

Mas tambéms somos vadias biscates, e biscate sempre biscateia. E é claro que todo lugar é lugar de biscatear, e pra quem gosta, de beber e se divertir.

Porque alguém já disse e eu aplaudo: não é a minha revolução, se não pudermos dançar. E paquerar. E beijar na boca.

Se ainda formos fazer tudo isso, sambando na cara do patriarcado, nossa… nossa!

Delícia, delícia!!! Hey, machista, meu orgasmo é uma delícia!

[+] Datas e locais das Marchas por todo o Brasil:

Brasília, DF 26 de maio de 2012 Local e hora: concentração no CONIC, 13h (próximo à Rodoviária do Plano Piloto) Comunidade no Facebook Siga pelo Twitter

Belém, PA 27 de maio de 2012 Local e hora: Estação das Docas, 9h Evento no Facebook Fan-page no Facebook

Belo Horizonte, MG 26 de maio de 2012 Local e hora: Concentração na Praça Rio Branco (praça da Rodoviária), a partir das 13h. Fan-page no Facebook Evento Twitter: @slutwalkbh Blog

Campinas, SP 1o de março de 2012 Fotos no Facebook

Campo Grande, MS 10 de março de 2012 – Próxima Marcha 26 de maio de 2012 Local e hora: a confirmar Veja fotos da primeira Marcha de 2012 Mais fotos aqui

Criciuma, PR 26 de maio de 2012 Local e hora: Praça Nereu Ramos (em frente a Casa de Cultura), 10h Evento no Facebook

Curitiba, PR – Ato Vadio 26 de maio de 2012 Local e hora: Reitoria da UFPR, das 18h às 22h Evento no Facebook – Marcha das Vadias 14 de julho de 2010 Local e hora: a confirmar Comunidade no Facebook Veja fotos da Marcha das Vadias Curitiba 2011

Florianópolis, SC Dia 26 de maio Local e hora: Concentração na Catedral (centro da cidade), a partir das 10h. Evento no Facebook

Guarulhos, SP Data a confirmar (junho) Local e hora: a confirmar Grupo no Facebook

Natal, RN 26 de maio de 2012 Local e hora: Feira do Alecrim, 10h Twitter da Slutwalk Natal Página no Facebook Macapá, AP 2 de junho de 2012 Local e hora: Praça Floriano Peixoto, 15h Evento no Facebook

Salvador, BA 26 de maio de 2012 Local e hora: Praça da Piedade, às 13h30 Evento no Facebook

São Carlos, SP 26 de maio de 2o12 Local e hora: Praça Santa Cruz, 9h Comunidade no Facebook

São José dos Campos, SP 26 de maio de 2012 Local e hora: Praça Afonso Pena, 10h Fan-page no Facebook Blog

São Paulo, SP 26 de maio de 2012 Local e hora: Praça do Cicllista, 13h Grupo no Facebook

Pelotas, RS 8 de março de 2012 Fotos aqui

Porto Alegre, RS 26 de maio de 2012 Local e hora: Arcos da Redenção, 14h Evento no Facebook Grupo no Facebook

Recife, PE 26 de maio de 2012 Local e hora: Praça do Derby, 14h Evento no Facebook

Rio de Janeiro, RJ 26 de maio de 2012 Concentração no Posto 4 da Av. Atlântica, a partir de 13h Evento no Facebook Veja fotos da Marcha das Vadias em 2011

Vitória, ES 26 de maio de 2012 Local e hora: UFES, 14h Evento no Facebook

Juiz de Fora, MG 26 de maio de 2012 Concentração às 11h no Parque Halfeld

Santa Maria, RS – Dia 02 de junho, às 14h, na Concha Acústica do Parque Itaimbé – Página no FacebookGrupo no Facebook

-Marcha das Vadias em Sorocaba/SP – sábado, 14h (não está claro se vai ser dia 26 de maio ou 2 de junho… ),  no cruzamento da Moreira César com a Barão de Tatuí

-Marcha das Vadias em Londrina/PR Sábado, 02 de junho, 14:00h,  no Calçadão de Londrina- em frente a Pernambucanas – Evento no Facebook

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O rótulo para além dos rótulos

Pois é, os rótulos.

Em algum momento a gente percebe que o mundo está cheio deles, em cada embalagem, produto, ou ser humano que passa por entre os olhos. “Olha, lá vai um carro da marca do comercial do jogador de futebol!”, “Ah, nem te conto, fulana é marxista, ciclano é de direita, fulano é gay, ciclana é uma vaca”. Simplificações do nosso mundo de consumos diretos e rápidos, de nossa sociedade que nunca para, e não quer se aprofundar nas individualidades. Nomes curtos que fogem das complexidades, objetividades que não definem nada, e reduzem o bonito do ser humano em partículas desconexas. Pessoas marcadas em breves título de outdoor, colocadas no carrinho em compras rápidas de supermercado.

Olha-se uma pessoa, dá-se um rótulo e parece que nada mais cabe. A pessoa não ama, não sofre, não goza, não fica doente, não é um ser humano com dores e delícias e desafios existenciais, com delicadezas e belezas, com vida-vivida para além de qualquer coisa que a delimite. Ele é gay, e pronto. Ela é uma vadia, não merece mais do que duas frases e exclamações sobre suas roupas e modos sexuais.

O julgamento social tem juízes rígidos, sentenças curtas e penas severas. E as penas são coercitivas, espinhos que machucam as costas, que pesam nos ombros e nos afastam, com pesar, do bonito que se pode construir junto, das riquezas que estão escondidas dentro de cada um de nós. Porque lá dentro, acredite, não tem gay, não tem vadia, não tem loira burra, não tem nerd, não tem nada a não ser essências e pensares, vontades e questionamentos, anseios, vibrações, tesão, medos, humanidades e quereres livres que se amarram ao possível.

Mas a gente vai além, porque, oras, porque já basta! Assumimos um rótulo: somos biscates. Sim, pode chamar, porque nós somos. Vadias também pode, aceitamos variações. Marchamos com as vadias, aqui ou lá, vestimos nossa liberdade de sermos mulheres de desejos declarados, sem subterfúgios, estufamos o peito e gritamos para quem quiser ouvir: BIS-CA-TE!

E que orgulho de ser biscate, que orgulho de poder assumir, de poder transgredir e extravasar. Porque com o rótulo queremos exatamente o não-rótulo, queremos respeito pelas nossas diversidades e vivências sexuais, queremos a desconstrução, o gozo livre, queremos poder ser o que quisermos ser, sem penas ou juízes arbitrários.

Vestimos o rótulo exatamente porque, um dia, acreditamos no fim dele, e de todos eles. Vestir o rótulo é prosseguir na batalha. Sim, a gente acredita. Acreditamos que um dia toda mulher poderá vestir o que quiser, poderá trepar com quem quiser, dispor do seu corpo como quiser, comer o que quiser, mostrar o que quiser, sem ser violentada ou reprimida por isso. Acreditamos que somos, todas, umas belas biscates. Como somos todos gays, héteros, negros, brancos, índios, macumbeiros, profanos e sagrados, encantados, vagabundos e batalhadores. É, nós queremos viver num mundo onde se possa ser qualquer coisa. Onde se possa ser nada, e tudo ao mesmo tempo agora.

Biscates…avante!


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