Vera

Vera. foto: Antonio Miotto

Vera. foto: Antonio Miotto

“Dinâmica, alegre, com muita fé e de bem com a vida, esta sou eu, casada há 21 anos e com dois filhos maravilhosos e um trabalho que me faz ser produtiva, criativa e ligada no 220, uma vida “normal”, até receber o diagnóstico de um carcinoma ductal invasor — em outras palavras, um câncer de mama.

Como em um flash e em questão de minutos voltei ao passado e relembrei minha história e muito mais rápido não enxerguei o futuro e logo prospectei seis meses de vida. Tinha a sensação de não pisar no chão e o vazio e dor no peito eram grandes, tal era o medo que sentia.

O impacto da notícia refletiu no medo das perdas, o arrependimento de não ter vivido melhor, de ter amado muito mais, de viver cada segundo como se fosse o último, de caminhar ao sol, de simplesmente viver.

A primeira semana foi de lágrimas e de pensamentos desordenados e impulsivos, totalmente sem equilíbrio mental e espiritual, comecei a organizar documentos e deixar tudo pronto para que minha família tivesse acesso à tudo com facilidade. Ao ver meu marido e filhos não conseguia me conter e posso dizer que foi a pior semana da minha vida.

Apesar de saber que existem hospitais e tratamentos avançados para o câncer, neste momento não conseguia enxergar as possibilidades que estavam ao meu redor e por momentos achei que não fosse conseguir.

Vera Lúcia Ribeiro. SÃO PAULO/SP, Brasil 09/11/2013. (Foto: Antonio Miotto)

Porém, como iniciei o texto, não poderia me entregar sendo eu tão dinâmica, alegre, cheia de fé e de bem com a vida e após uma semana de lágrimas pensei: tenho duas escolhas, lutar ou desistir mesmo antes de tentar. E com muita fé, coragem e determinação fui em busca do meu tratamento e da minha cura.

Foram exatamente dois meses até a cirurgia de mastectomia radical em fevereiro de 2012, seguida por 16 sessões de quimioterapia e 28 radioterapias, completando o ciclo parcial do tratamento, que me deixou sem cabelo e sobrancelhas e com cicatrizes no corpo devido as intervenções necessárias. Nos próximos anos, até completar cinco, vou estar recebendo um medicamento e fazendo os exames e retornos necessários até a alta final dos médicos.

Foi um tratamento longo, cheio de surpresas inesperadas no caminho, fiquei sem forças, sem ânimo, sem apetite e sem dúvida, me sentindo feia, porém, sou grata a Deus porque a cada dia sentia Sua presença através do tratamento bem sucedido e da melhora constante.

Em nenhum momento deixei de trabalhar e estudar e poucas foram às vezes que deitava para descansar, sabia que tinha que lutar e ser forte e determinei que não iria mudar a minha rotina por conta do tratamento.

Cursando o 3º ano do Curso de Serviço Social cheguei a pensar em trancar a faculdade, tendo em vista a fraqueza do meu corpo e da minha mente em raciocinar, devido a quantidade de medicamentos, porém, meu grupo sempre presente, quase todas as noites me buscava em casa e não me deixaram desanimar e com isso estou alcançando o tão sonhado diploma.

Hoje após este período de lutas e vitórias, tenho certeza que me tornei uma pessoa melhor, como esposa, mãe, amiga e entendi que enfrentar um câncer, nada mais é do que enfrentar a própria vida de corpo e alma, de cabeça erguida, de viver intensamente e verdadeiramente, sem medo de arriscar, de tentar, de sonhar, de lutar pelos nossos objetivos, independente dos obstáculos que vamos ter pela frente – somos mais fortes – é nosso dever cumprir com a missão que nos foi delegada por Deus … que é viver.”

Vera Lúcia Ribeiro. SÃO PAULO/SP, Brasil 09/11/2013. (Foto: Antonio Miotto)

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