O Rio da Biscatagi

E de repente, Luciana vai lançar livro no Rio de Janeiro. E de repente, eu me jogo nessa viagem, arregimento azamiga, preparo meu bloco pra cair no samba, ver, apertar e abraçar xs colaboradorxs lindxs do Biscate Social Club, blog que me abraçou e que me dá um orgulho danado em escrever. Daí, passagens compradas e albergue reservado. Amigas e um café antes do vôo. Conexões. Atrasos nossos, turbulências. Rio de Janeiro arrombando a retina de tão lindo. Mais café (como são caros os cafés cariocas!). De táxi até Botafogo. Mais Cristo Redentor. Malas pesadas. Com farinha e camarão seco. Albergue tresloucado, colorido e com aquele clima safadinho de filme de arte europeu com gente do mundo todo querendo diversão. Escadas em espiral: desafios para o equilíbrio de quem já tinha bebido a noite anterior. Cansaço, fome e yakissoba da esquina. Elis Regina, a mulher da minha vida, o Leblon e a emoção. Parada pra um boteco bom, chopp obscenamente gelado.

Lapa: sinônimo de boemia e biscatagi

Lapa: sinônimo de boemia e biscatagi

De manhã, sol, mais cerveja, Cobacabana e um inalcançável Drummond. Encontro com gente querida, as Biscates, os Biscates, xs Biscatxs. Sorrisos, cerveja, livro autografado, selinhos, Luciana, Niara, Renatas (no plural), Augusto, Toni, Silvinha. No intermezzo, Cazuza, a lindeza, a amizade, o choro. Mais biscatagi emendada, Raquel, Welber, Mabelle e Lapa como um tapete festivo para nossos olhos curiosos. Sambão do morro made in botequim carioca. Paqueras estrangeiras e inoportunas (xô gente chata que não sabe ouvir um não!). Domingo, bloco de carnaval e gente bonita no Jardim Botânico. Fartura de bofes-escândalo, por todos os lados. Felicidade nas alturas e as loucas sambando do lado de dentro do Jardim. Cansaço porque as loucas já estão velhinhas.

Porque o Rio também é Nordeste e a felicidade mora num chopp gelado e numa carne de sol com macaxeira!

Porque o Rio também é Nordeste e a felicidade mora num chopp gelado e numa carne de sol com macaxeira!

Feira de São Cristovão e recomposição dos espaços de saudades do nordeste. Comida boa, farta e som de Pablo do Arrocha ao fundo, porque biscate gosta é assim, de comer bem e arrochar. Encontro com a flor de Oeiras, a Rosa, minha Rosinha. Mais queijo de coalho e sotaques da terra da gente. Taxistas irritados com o Rio pré-copa (ui). A Gávea, Virginia Woolf, sono e densidade cênica. Chuvas e muita luta por um táxi estressado. Mais encontro bom, mais delícias. Boteco corujão com Stoyan e saudades parcialmente satisfeitas. De manhã, livraria charmosa, risos de alegria, amigas babando, reunião de nossas melhores referências estéticas e poéticas. Pf´s nos botecos, alma carioca invadindo o corpo que se prepara pra um samba de raiz na Pedra do Sal. Bolinhos de bacalhau, cervejas importadas e muita chuva. Retorno bom, taxista calminho e prestativo, brother da biscatagi.

Despedida em amor do Rio de Janeiro. Amizade fortalecida, compreensão mútua, cafés, muitos cafés, cansaço e sorriso, olheiras e alegrias. Era tudo isso junto, tomando o coração, fazendo a vida valer muito a pena e cumprindo aqueles os clichês (de amor) que estamos acostumados a ouvir. É nesse afeto todo que a gente se renova e se põe sempre aberto pra beleza de estar junto e caminhar bem pertinho… Esse Rio-biscate me representou muitíssimo!

Essa sou eu no meio apertando os dedinhos que simbolizam as minhas Danieles!

Essa sou eu no meio apertando os dedinhos que simbolizam as minhas Danieles!

Improvisações de um coração biscate

Hoje é dia de biscatagi cultural, e eu não tenho uma ideia decente. Ia falar sobre botas, fetichismo, Nancy Sinatra, e pans, mas não deu. Adoro botas, tenho várias,  mas não tenho fetiche não. Só gosto, mesmo.

Ai, ia falar sobre, sei lá, Spice Girls, porque estou em casa nesse feriado, sem carro, e está passando o mundo das Spice Girls na TV. Mas não. Apesar de haver tido minha fase de Spice Girls, e adorar o girl Power, não me deu tesão.

Podia falar também sobre o aniversário da Marilyn, ou sobre a biscate da novela das nove (sugestões da Niara), mas… deixo Marilyn para a Luciana, e não vejo a novela das nove. Seria mais fácil eu falar sobre as biscates dos seriados enlatados, que nada são melhores (ou piores, né) que novelas da TV. Mas não. Também não.

E daí percebo que estou cheia da nãos hoje, né?

Decido dar uma checada nos e-mails, ver o que andam me mandando.

E me assusto, em um antigo endereço, que cometi a insensatez de cadastrar em um site de compra coletiva, com a quantidade de e-mail de spams.

Queime gordura! Toxina botulínica 87% off. Seu amor vai adorar! Assine Veja! Presenteie seu namorado com … E por aí vai.

Spams de empresas de que nunca fui cliente. Spams de bancos onde nunca tive conta. Pessoas que nunca conheci, me dizendo para ver as fotos daquela festa. E por aí vai.

E nesse feriado modorrento, não consegui escrever nada. Então, escrevo sobre o nada.

E esse nada é tanta coisa. É o mundo corporativo querendo fazer com que eu gaste meu dinheiro em produtos que nunca precisei. Mas que usa suas técnicas “pelvelsas” para me fazer pensar “como é que eu vivi até hoje sem saber que preciso desesperadamente desse produto para viver??”. E nem no conforto do meu lar estou segura.

Mas então, eu lembro que estou de férias, que passei uma semana comendo cuscuz todo dia, de todas as formas, com todos os acompanhamentos.

Lembro que comi sarrabulho no mercado São Sebastião, em Fortaleza, e que não comi caranguejo na praia do Futuro porque o bichinho vem inteiro… com olhinhos que podem até não ser olhinhos, mas…

Lembro que desci as escadas para a praia de Canoa Quebrada e que entrei em uma piscina de água termal a 37 graus, no calor do interior do Rio Grande do Norte.

Que aprendi sobre carcinicultura e sobre usinas eólicas tomando cerveja.

Que em (quase) nenhum momento em me preocupei em usar biquíni e não maiô.

E que se não fosse a disposição de abrir os braços e a alma e o coração para esse computador frio e essas ondas virtuais, eu não teria tantas mais pessoas queridas na minha vida, com quem tenho compartilhado não só as boas risadas, mas as dores e as frustrações. E ser biscate é isso, também.

Biscatear hospedando em casas de amigos, de amigos que não conhecíamos e que ainda não tínhamos abraçado, mas que são tão amigos quanto aqueles que cresceram com a gente.

Isso é ser biscate. É ser fácil. É dizer: vemnimim! Vamos tomar cerveja? Mas é claro!!!

*Post homenagem improviso as queridas Lucianas – Pereira e Nepomuceno, à Bianca Cardoso, à Mayara Melo, querida Mayroses, ao Tiago Costa, à família da Borboleta, à Cecília Oliveira, que tá em Nova Iorque, ao Lemuel Cintra, que acaba de chegar daz’Oropa, ao Fernando da May, e a todos os queridos e queridas que já me receberam em suas casas e em suas camas e em suas redes.

Vocês são a razão de ser do meu coração biscate.

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